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De olho nas convenções

PL encaminha plano B enquanto espera por Cleitinho em Minas Gerais

Cleitinho (Republicanos) deve adiar até o limite definição sobre sair candidato ao governo mineiro.
Cleitinho (Republicanos) deve adiar até o limite definição sobre candidatura ao governo mineiro. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

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Com o início das convenções partidárias na segunda-feira (20), chega na reta final o prazo para a definição pelos partidos sobre quais serão oficialmente os candidatos para todos os cargos nas eleições deste ano — a data-limite para a realização das convenções partidárias é 5 de agosto. Em Minas Gerais, a principal indefinição gira em torno da eventual candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo do estado.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deu sinais públicos indicando que a intenção da sigla é apoiar o nome do senador para concorrer ao Palácio Tiradentes, sede do governo mineiro. Assim, sem um nome melhor para apostar, a ideia é garantir um palanque forte para o pré-candidato presidencial pela sigla, o senador Flávio Bolsonaro (PL), no estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo.

Cleitinho tem se destacado na intenção de voto do eleitorado até aqui. "Por que eu vou anunciar agora? Quem está com 2%, 3%, 4% [referindo-se às sondagens eleitorais divulgadas] que lute. Olha as pesquisas como estão. Eu estou pensando em deixar esse povo ainda mais doido em Minas Gerais. Se o último dia da convenção for 5 de agosto, vou falar assim: ‘5 de agosto eu decido’”, afirmou o senador mineiro em um discurso no plenário do Senado, no início deste mês.

Alternativa do PL a Cleitinho é lançar Vittorio Medioli como candidato em Minas

A indefinição do senador por Minas Gerais, no entanto, faz com que lideranças regionais do partido e articuladores da candidatura de Flávio pensem, paralelamente, em um plano B para o estado, de acordo com aliados próximos ao candidato presidencial ouvidos pela reportagem da Gazeta do Povo. Na falta de Cleitinho, caso este não confirme a candidatura, o PL deve lançar o nome do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli.

Na visão destes aliados em São Paulo, pior do que ter um palanque regional fraco para o candidato presidencial é não ter palanque nenhum. “Lá [em Minas], nossa prioridade é Domingos Sávio para senador. Se Cleitinho for candidato, se o pessoal de Minas fechar… porque Minas Gerais é diferente de São Paulo”, afirmou Costa Neto no dia 6, em entrevista ao SBT News.

"O pessoal de lá é mais autônomo. Temos que dar mais autonomia a eles, porque vão fazer o que for melhor para o partido”, respondeu o presidente nacional do PL.

Ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, é alternativa para a disputa ao governo de Minas, caso Cleitinho não confirme a candidatura estadualEx-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, é alternativa para a disputa ao governo de Minas, caso Cleitinho não confirme a candidatura estadual (Foto: Guilherme Bergamini/ALMG)

Pelo lado do senador, uma tragédia pessoal pode adiar a definição pela candidatura ao governo mineiro. Um irmão dele, Matheus Augusto Azevedo, de 30 anos, morreu no último sábado (18) em Divinópolis (MG), em decorrência de complicações causadas por uma leucemia, contra a qual lutava há 18 anos.

"O Senhor me deu a oportunidade de ser o doador do ser humano mais puro de coração e mais evoluído que conheci em toda a minha vida. Naquele momento, o Senhor salvou a vida do Matheus, mas também salvou a minha fé. Em todas as orações que busco fazer, quase todos os dias, sempre agradeço ao Senhor por ter realizado esse milagre em nossas vidas. O Senhor nos deu a oportunidade de manter o Matheus aqui entre nós por mais de 18 anos, para que, nesse tempo, pudéssemos aprender com ele", escreveu Cleitinho em publicação no Instagram, no domingo (19).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e outras lideranças políticas manifestaram pesar pela morte de Matheus.

A convenção do Republicanos deve acontecer no próximo sábado (25), de acordo com o edital de convocação para o evento publicado no site do partido. O PL mineiro, por sua vez, marcou sua convenção estadual dois dias depois. Se um acordo com Cleitinho não sair até lá, o jeito deve ser lançar um candidato próprio.

Ex-presidente da federação das indústrias mineira é opção debatida pelo PL

Além de Medioli, outra alternativa discutida pelo PL em Minas Gerais é o de Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Minas Gerais é governado por Matheus Simões (PSD), vice-governador que assumiu o cargo após a renúncia de Romeu Zema (Novo), que disputará a Presidência.

Levantamento da Real Time Big Data divulgado no dia 21 de maio mostra que Cleitinho lidera nos três cenários de primeiro turno testados nos quais foi incluído para a disputa ao governo de Minas Gerais. Ele abre pelo menos 20 pontos percentuais de vantagem para os demais pré-candidatos.

Na primeira simulação da pesquisa eleitoral, Cleitinho aparece com 35% das intenções de voto. Em seguida, aparecem Rodrigo Pacheco (PSB) — que já anunciou ter desistido da disputa —, Alexandre Kalil (PDT) e Mateus Simões (PSD), com 15%, 14% e 11%, respectivamente. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, os 3 estão em empate técnico.

Em outros dois cenários avaliados, Cleitinho também lidera, com 39% e 41% das intenções de voto. Na quarta simulação, sem a presença do nome do Republicanos na disputa, Kalil aparece liderando, com 24% das intenções de voto. Em seguida, estão Mateus Simões, com 19%, e Gabriel Azevedo (MDB), com 13%.

Cleitinho também lidera os quatro cenários testados para o segundo turno, considerando os votos válidos: 48% contra 30% de Pacheco; 46% contra 33% de Kalil; 48% contra 26% de Simões; e 47% contra 27% de Azevedo. A Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores mineiros de 19 a 20 de maio.

A pesquisa tem nível de confiança de 95% e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG -07299/2026. O levantamento custou R$ 64 mil e foi financiado com recursos próprios.

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