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Bia Lula

Quem é a neta de Lula que imita Nikolas nas redes e quer continuar o “legado do avô”

Neta de Lula
Bia Lula, a neta do presidente que quer continuar o legado do avô. (Foto: Reprodução Redes Socias - Instagram @bialula)

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Maria Beatriz "Bia" da Silva Rosa, a neta mais velha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), admitiu a possibilidade de disputar as próximas eleições. Ela apresenta a eventual candidatura como uma forma de dar continuidade ao “legado Lula da Silva”. Aos 30 anos, formada em comunicação social e gestão pública, Bia vem investindo na trajetória via redes sociais.

A ideia é ampliar o alcance para além do eleitorado tradicional do PT, “furar a bolha” da esquerda e dialogar com públicos de direita, enquanto aguarda o prazo legal para poder se candidatar. “Pela lei, eu não posso virar nada, porque o meu avô é chefe de Estado”, afirmou ao Metrópoles durante o lançamento da campanha de Lula à reeleição, em São Bernardo do Campo, no domingo (16).

A Constituição impede que parentes até o segundo grau do presidente da República disputem determinados cargos eletivos durante o período de impedimento. “E aí a gente não descumpre leis, como os outros. Então, a gente espera.” Enquanto isso, diz ela, “eu vou construindo toda uma trajetória, vou aprendendo, vou lendo, vou discutindo”.

A estratégia ganhou força em julho de 2025, quando seu perfil no Instagram, até então dedicado à vida pessoal, com cerca de 152 mil seguidores, foi transformado em uma plataforma de opinião e engajamento.

Passou a adotar uma linguagem inspirada na comunicação digital de influenciadores conservadores, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG): vídeos curtos, cenário simples, fundo escuro, fala direta, música dramática e mensagens construídas para circular fora das redes tradicionalmente petistas.

No primeiro vídeo, em 22 de julho, Bia criticou a tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros e a investigação comercial americana envolvendo o Pix e o comércio informal da Rua 25 de Março, em São Paulo.

A publicação ultrapassou 600 mil visualizações, mas provocou uma onda de críticas e ironias. Bia sustentou que o Brasil havia sido “explorado” pelos Estados Unidos durante 500 anos. Os EUA, no entanto, declararam sua independência em 1776 e tinham, portanto, 249 anos à época.

A repercussão levou a um segundo vídeo, em que Bia esclareceu a declaração. Nas semanas seguintes, apesar de manter o tom de confronto com Jair Bolsonaro (PL), passou a abordar valores caros ao eleitorado de direita, como fé, família e honestidade. Uma tentativa, por meio de uma linguagem mais branda, de alcançar o eleitorado independente para além da esquerda.

Trajetória de Bia Lula começou cedo

Bia é filha de Lurian Cordeiro Lula da Silva, primogênita de Lula com Míriam Cordeiro, antes do casamento do petista com Marisa Letícia. Em 2015, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), tentou emplacar uma candidatura de Lurian à sua sucessão.

A história da filha de Lula já era conhecida quando foi explorada pela campanha de Fernando Collor na eleição presidencial de 1989, em um episódio que ganhou repercussão nacional (veja adiante).

A militância de Bia dentro do PT começou cedo, em 2015, aos 14 anos. Aos 20 anos, já ocupava o cargo de secretária de Juventude do PT em Maricá (RJ). Naquela época, inspirada no modelo adotado em Maricá, defendeu a implementação em todo país da tarifa zero em ônibus municipais, uma bandeira ainda defendida pela esquerda.

Atualmente, Bia trabalha na coordenação da campanha de um deputado estadual no Rio de Janeiro e é casada com Felippe Miranda, que conheceu em atividades políticas. Os dois estavam juntos havia cerca de oito anos quando oficializaram a união, em 2022. O casal tem uma filha, Analua.

PT teve incômodos com protagonismo de neta de Lula

O protagonismo de Bia Lula, no entanto, sempre enfrentou obstáculos dentro do partido. Enquanto alguns a projetavam como a “nova cara do PT”, outros apontavam a necessidade de maior amadurecimento e criticavam a ascensão baseada no parentesco.

A resistência interna começou em 2015, quando Bia ganhou destaque no 3º Congresso Nacional da Juventude do partido. Naquela época, setores da legenda manifestaram incômodo com o espaço que ela ocupava e defendiam uma cultura de meritocracia militante.

Um integrante do partido resumiu o sentimento de rejeição ao privilégio hereditário. “O partido não tem tradição em dar destaque a filhos de lideranças políticas. As pessoas simplesmente não topam. Para ser alguém no PT, tem que ralar e convencer os outros. É quase uma seleção natural de quadros políticos”, afirmou. 

Mesmo no entorno do presidente Lula, o entusiasmo com uma carreira política imediata para a neta era contido. “Ela precisa se preparar mais para fazer política, que é um jogo muito difícil”, afirmou uma fonte ligada a Lula ao jornal O Globo na época.

“Tem que ter discernimento. O avô é o ídolo dela, mas não pode fazer política só por conta disso. Tem que ter compreensão do porquê, de qual é o objetivo”, complementou. 

Outros, no entanto, defendiam a renovação: “Ela pode ser uma das novas caras do partido, que sempre foi múltiplo. Vamos precisar de quadros como ela, mas não só dela”, afirmou Ronald Sorriso, então secretário estadual da Juventude do PT do Rio.

Lembre o caso Míriam Cordeiro

A história de Bia está ligada a um dos episódios mais traumáticos da trajetória política de Lula. Em 1989, quando o petista disputava pela primeira vez a Presidência da República, sua ex-companheira Míriam Cordeiro apareceu no horário eleitoral de Fernando Collor de Mello, então candidato pelo PRN, para fazer acusações contra Lula envolvendo o nascimento da filha dos dois, Lurian.

O depoimento foi exibido na reta final da campanha, quando Lula vinha crescendo nas pesquisas, e teve grande repercussão. Míriam afirmou que Lula havia oferecido dinheiro para que ela interrompesse a gravidez, acusando o companheiro de racismo.

O episódio provocou forte reação na campanha do PT e foi alvo de críticas no Congresso e na imprensa. Uma ex-assessora de Collor chegou a denunciar que Míriam havia recebido dinheiro para participar do programa. Ela negou.

Lula respondeu levando Lurian, então com 15 anos, para seu programa eleitoral. A menina não falou, mas apareceu ao lado do pai em uma tentativa de mostrar a relação entre os dois e rebater as acusações que haviam atingido diretamente sua família.

O episódio acabou entrando para a história da campanha de 1989 e é apontado por integrantes da própria campanha de Lula como um dos fatores que contribuíram para a derrota do petista para Collor no segundo turno.

Anos depois, Míriam voltou a falar sobre o relacionamento com Lula e afirmou que sua disputa era pessoal, não política. Em 1994, chegou a anunciar um livro sobre sua vida e a relação com o petista.

Como Lula e Collor passaram de adversários a aliados

Em 2019, Collor reconheceu o excesso da campanha e disse se arrepender de ter levado Míriam Cordeiro à televisão para atacar Lula. “Me arrependo. Poderia ter sido uma campanha num outro nível”, afirmou em entrevista à BBC. Antes disso, em 1998, já havia declarado que votaria em Lula caso ele chegasse ao segundo turno contra Fernando Henrique Cardoso e se definido como “companheiro” do adversário de 1989.

A aproximação se consolidou. Em 2007, já senador pelo PTB, Collor foi recebido por Lula no Palácio do Planalto, em uma reunião que durou quase duas horas.

A bancada do PTB declarou apoio ao governo, e Collor disse não guardar mágoas do presidente. Dois anos depois, os antigos adversários já dividiam palanque em Alagoas e Collor passou a atuar como aliado do governo no Senado.

A aliança, no entanto, não foi permanente. Em 2022, Collor estava novamente no campo oposto ao PT e apoiava Jair Bolsonaro (PL), para quem fez campanha em Alagoas.

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