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Eleições 2026

PSD sai menor da eleição e neutralidade pode garantir espaço com Flávio ou Lula

Gilberto Kassab, de terno azul-marinho e camisa branca sem gravata, aparece em foco no centro da imagem, com expressão séria. Ao redor dele há outras pessoas, a maioria desfocada. Em primeiro plano, também desfocado, um homem de cabelos brancos e terno cinza aparece de perfil: é Ronaldo Caiado. Ao fundo, uma parede clara com uma faixa laranja.
Para analista, vitória de Lula deve favorecer PSD, apesar da neutralidade anunciada por Kassab. (Foto: EFE/ Isaac Fontana)

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O PSD chega ao fim das eleições 2026 tendo mais motivos para lamentar do que para comemorar. O partido comandado por Gilberto Kassab dobrou o número de governadores eleitos no primeiro turno em relação a 2022, mas sofreu revezes em áreas estratégicas: ficou com menos da metade das cadeiras que ocupava no Senado, perdeu espaço na Câmara dos Deputados e teve desempenho inexpressivo na disputa presidencial. Além disso, a legenda perdeu a eleição em estados de peso como Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O balanço expõe os limites do projeto nacional do presidente da sigla e também coloca em questão a capacidade de converter a presença regional em influência política para negociação com o vencedor do segundo turno na disputa presidencial.

Nos últimos anos, Kassab repetiu que o PSD é um partido de centro-direita, contudo, o partido esteve ao lado do PT em coligações de dez estados, incluindo as que reelegeram Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; e Rafael Fonteles (PT), no Piauí. Ou seja, a estratégia da sigla inclui apoios à direita e à esquerda, dependendo do contexto estadual.

"Numa eleição polarizada, quem não tem marca nacional não transfere voto para os candidatos regionais, que acabam disputando sob a bandeira de quem polariza", disse Lucas Fernandes, coordenador de análise política federal na BMJ Consultoria.

"Ainda existe espaço para uma legenda de centro que negocie com os dois lados, mas ele depende de bancada e de governos estaduais, e o PSD sai da eleição menor do que entrou", acrescentou.

No segundo turno, no próximo domingo (25), o PSD decidiu ficar neutro e liberou os diretórios estaduais. Para Fernandes, a decisão preserva a possibilidade de negociar com qualquer um dos dois candidatos, mas em condições diferentes.

Procurado pela Gazeta do Povo, o PSD afirmou que "segue sua trajetória de crescimento e já se consolida como a principal legenda de centro do país".

PSD encolhe no Senado e Câmara dos Deputados

Na Câmara, o PSD elegeu 43 deputados, contra 42 em 2022, apesar de ter tido 13% mais votos para deputado federal, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a filiação de novos parlamentares na última janela partidária, a sigla chegou a 48 deputados federais.

Nos Executivos estaduais, foram quatro governadores eleitos no primeiro turno, contra dois em 2022. O partido pode aumentar essa diferença, caso o senador Omar Aziz (PSD) vença a disputa pelo governo do Amazonas. 

No Senado, a bancada cai de 14 para cinco senadores a partir de 2027. A legenda também perdeu uma de suas principais vitrines estaduais: o governo do Paraná. O ex-secretário estadual Sandro Alex (PSD), candidato do governador Ratinho Junior (PSD), perdeu ainda no primeiro turno para Sergio Moro (PL).

Em São Paulo, o afastamento entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Kassab tende a reduzir a presença do PSD na gestão estadual. O espaço angariado junto ao governador foi central para que o presidente da legenda pudesse filiar prefeitos e transformar o partido em uma potência municipalista.

Um fator que contribuiu para a queda na representatividade no Congresso Nacional foi o avanço do PL. O partido conquistou as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado, fenômeno que não afetou apenas o PSD.

"O PL cresceu, ocupando espaço do Centrão, e outras siglas deste espectro ideológico também sentiram os mesmos efeitos", afirmou o analista Lucas Fernandes. União Brasil, PP, Republicanos e MDB anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL), ao contrário do PSD que optou pela neutralidade.

Para Fernandes, a reeleição de Lula poderia ampliar o poder de barganha do PSD. Diante de um Congresso mais à direita, o petista dependeria de alianças para formar maioria e teria de negociar ministérios, cargos e espaço no orçamento. O analista também considera provável que o PT apoie nomes do Centrão para as presidências da Câmara e do Senado, em uma tentativa de conter o avanço do PL.

Se Flávio vencer, Fernandes avalia que o cenário é menos favorável ao partido de Kassab. Segundo ele, mesmo com as maiores bancadas do PL nas duas Casas, o novo presidente precisaria negociar apoio parlamentar, mas tenderia a privilegiar as siglas que aderiram à candidatura dele. “O PSD teria acesso, mas em posição secundária”, analisou.

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