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Em agenda de campanha na capital paranaense nesta terça-feira (20), o candidato a vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSB), cumpriu compromissos pela manhã com empresários locais e se reuniu à tarde com o arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo. Em entrevista para a Gazeta do Povo, Alckmin apontou a Reforma do Judiciário como parte do projeto da chapa, além de abordar pautas econômicas, governabilidade e saúde pública.
O candidato defendeu que o país precisa enfrentar mudanças estruturais na Justiça para aprimorar os critérios de nomeação, controle e transparência dos tribunais superiores. Confira os principais pontos da entrevista:
Reforma do Judiciário
“O Judiciário precisa passar por uma reforma. Isso o presidente Lula já falou. Ele fez a primeira reforma quando Márcio Thomaz Bastos era ministro da Justiça e Nelson Jobim era presidente do STF, que foi a criação do CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público] e do CNJ [Conselho Nacional de Justiça], órgãos de controle externo. O que nós estamos propondo para o futuro? Mudança no critério de nomeação. Em vez de ser uma escolha pessoal do presidente, haverá um conselho envolvendo a sociedade civil para buscar os melhores nomes", disse Alckmin.
O candidato afirmou que a adequação dos modelos de mandato e a conduta ética dos magistrados são passos fundamentais para a modernização do setor. “Faz sentido uma coisa vitalícia? Se pegar a Europa inteira, é de 10 ou de 12 anos o mandato de um ministro do Supremo. Também é necessário ter um código de ética. Como nós fizemos reforma tributária, acho que uma outra reforma que deveria ser feita é a do Judiciário”, defendeu.
Imposto de Renda, cesta básica e reforma tributária
No campo econômico, Alckmin detalhou os impactos das medidas tributárias sobre a produção e o consumo. O candidato destacou a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil e a redução de alíquotas para a faixa de até R$ 7.350, além de zerar a cobrança de impostos sobre produtos de primeira necessidade.
“Com a reforma tributária, que é uma reforma estruturante, que traz eficiência econômica, a partir do primeiro de janeiro zera o imposto da cesta básica. Zera, não terá imposto. E é uma cesta básica, nem é só alimento, tem escova de dente, sabonete, pasta de dente, enfim. Governar é escolher”, pontuou.
Alckmin disse que a transição completa do sistema tributário ocorrerá em etapas até 2032, unificando tributos na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir do próximo ano e fundindo ICMS e ISS entre 2028 e 2032. O objetivo, segundo ele, é simplificar processos e desonerar investimentos e exportações. Ele ressaltou estudos do Ipea que projetam, em um ciclo de 15 anos, um crescimento de 12% no PIB, 14% nos investimentos e 17% nas exportações do país.
Congresso conservador
Ao ser questionado sobre como, em caso de vitória, seria a relação com um Congresso de perfil majoritariamente conservador, Alckmin rechaçou o risco de paralisia política, afirmando que a articulação democrática se faz por meio da construção de consensos e negociações programáticas.
“É diálogo e convencimento. Esse equilíbrio das coisas faz parte da democracia. Na última eleição, todos os partidos que apoiavam o governo Lula somavam 120 deputados dentre 513, e aprovamos até a reforma tributária. Então é diálogo, é conversa”, avaliou.
Transição demográfica e descentralização da saúde
Alckmin também falou sobre a mudança no perfil demográfico brasileiro e os reflexos do envelhecimento populacional sobre o orçamento e a prestação de serviços públicos de saúde.
“Mudou a demografia. Você tinha um país jovem, hoje você tem um país maduro, caminhando para ser um país idoso. Então, você vai ter uma demanda exponencial por saúde”, afirmou o candidato, defendendo o uso da saúde digital.
Como meta para a área, propôs a descentralização do atendimento oncológico: “Nossa meta, por exemplo, é que toda cidade com mais de 150 mil habitantes tenha um serviço completo de tratamento do câncer, para que a pessoa não precise fazer grandes deslocamentos.”
Estratégia na reta final
O candidato explicou que a prioridade da campanha nesta fase final é dialogar diretamente com diferentes segmentos sociais e mobilizar o eleitorado para reduzir a abstenção nas urnas.
“Convidar as pessoas para que compareçam no segundo turno. A votação vai ser mais rápida, na maioria dos estados é um voto só, sem fila. Quem não votou no primeiro turno não tem multa, não tem nada, pode votar no segundo turno. E em política não se obriga, se conquista. Então conversar com os eleitores é o que a gente tem feito”, declarou Alckmin.
Resultado das eleições
O candidato cobrou o acatamento estrito aos resultados eleitorais e a transparência total dos agentes públicos. “Na democracia, quem ganha governa, trata de governar bem; quem perde fiscaliza, trata de fiscalizar bem. O que não pode é o que aconteceu, nós ganhamos a eleição e aí você tem uma tentativa de golpe de Estado”, afirmou Alckmin.






