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Comunicação digital

O papel de Janones e do Exército de Lula na vitória petista

André Janones ganhou destaque na campanha de Lula com mobilizações digitais.
André Janones ganhou destaque na campanha de Lula com mobilizações digitais. (Foto: Ricardo Stuckert/Campanha PT)

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O deputado federal André Janones (Rede-MG) recebeu um agradecimento público do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela atuação na campanha de reeleição. Durante o discurso após a confirmação da vitória, no domingo (25), Lula destacou o papel do parlamentar na mobilização dos apoiadores. “Quero agradecer ao Janones, nosso general, que teve um papel exponencial, de levantar todo dia a moral da nossa tropa”, afirmou.

À frente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne cerca de 10,9 milhões de participantes, Janones coordenou iniciativas digitais para engajar apoiadores durante a disputa presidencial de 2026.

Antes mesmo do encerramento da apuração, o deputado já havia preparado os integrantes do grupo para o momento do resultado. Em uma mensagem intitulada “Última missão”, orientou os seguidores a resgatar publicações em que havia previsto a vitória de Lula e a diferença de votos entre os candidatos.

A mobilização também evidenciou a importância que Janones atribuiu à própria atuação nas redes sociais. Após a confirmação da vitória, ele voltou a cobrar reconhecimento pelo trabalho em uma publicação no X. “Onde tá sendo formada a fila para os que duvidaram de mim pedirem desculpas?”, escreveu.

Lula terminou a disputa com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL).

"Exército do Lula" transforma WhatsApp em central de mobilização

A estrutura do “Exército do Lula” ampliou seu alcance após o primeiro turno — o grupo foi criado em abril de 2026. No WhatsApp, os administradores compartilhavam textos, áudios, vídeos e links, acompanhados de orientações para disseminar os materiais em outras redes sociais.

Entre as tarefas propostas aos participantes estavam publicar vídeos no Instagram, impulsionar hashtags no X e convidar amigos e conhecidos para integrar a mobilização. O grupo também disponibilizava mensagens prontas para facilitar a divulgação dos conteúdos em conversas privadas e grupos.

No mesmo período, o perfil pessoal de Janones no Instagram registrou forte crescimento. Segundo dados do SocialBlade, o deputado saiu de 2.781.320 seguidores no primeiro turno para 6.876.228 em consulta realizada em 23 de outubro. A diferença foi de 4.094.908 seguidores, um avanço de 147,2%.

Canal "Exército de Lula" enfrenta impasses na Justiça Eleitoral

Após uma intensa disputa, a própria campanha do PT chegou a pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o cancelamento do registro do canal de WhatsApp “Exército do Lula” como ferramenta vinculada à candidatura do presidente. Os advogados do PT argumentaram que o espaço foi criado e administrado por Janones como uma iniciativa pessoal de apoio político, sem receber recursos financeiros, estrutura ou suporte técnico e humano da campanha.

Antes disso, a discussão havia começado quando a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou ao TSE a suspensão do canal, sob a alegação de divulgação de informações falsas. Em 11 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão, mas Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, suspendeu a ordem no mesmo dia e determinou a reativação.

Uma análise técnica da Corte não encontrou conteúdos falsos entre as publicações examinadas e, em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou a continuidade do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral como canal oficial da campanha, decisão cumprida pelo PT.

Janones mobiliza apoiadores para verde e amarelo e pressão nas redes

A projeção do canal também acompanha a importância que Lula atribui à comunicação digital para o próximo mandato. No discurso após a vitória, o presidente prometeu ampliar a participação popular nas decisões e afirmou que “a comunicação digital vai ganhar muito espaço”.

Uma das iniciativas de Janones buscou incentivar os apoiadores a voltar a usar verde e amarelo. Em 17 de outubro, participantes publicaram fotos com roupas nas cores nacionais e fizeram com as mãos o gesto da letra “L”.

Lula aderiu à mobilização e compartilhou nas redes sociais uma foto em que aparece com a camisa da seleção brasileira e um adesivo com a frase “o Brasil é dos brasileiros”.

O deputado também convocou apoiadores a intensificar as manifestações contra Flávio Bolsonaro. Durante uma entrevista do senador à TV Globo, na sexta-feira (16), Janones incentivou a realização de um panelaço e a publicação de mensagens com a hashtag “#lulagigantenaglobo”.

Lula aderiu à campanha pelo uso do verde e amarelo, incentivada por Janones nas redes sociais.Lula aderiu à campanha pelo uso do verde e amarelo, incentivada por Janones nas redes sociais. (Foto: Ricardo Stuckert/Campanha PT)

Lula e aliados participam de live de 24 horas na reta final da campanha

Na fase final da campanha, Janones organizou uma transmissão ao vivo de 24 horas, iniciada após o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo, na sexta-feira (23).

A programação reuniu Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), as ministras Margareth Menezes (Cultura) e Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos), o humorista Gregório Duvivier, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), além do candidato ao governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT), o humorista Ed Gama e a ativista Luisa Mell.

Ao convocar o público, Janones anunciou uma nova fase da mobilização nas redes. “Agora que a brincadeira vai começar. Podem tentar censurar, podem fazer o que quiser. Eles vão aprender que ninguém cala a voz do povo”, declarou.

A transmissão avançou pela madrugada, e o próprio deputado chegou a dormir em um saco de dormir no chão do estúdio. Pouco depois das 4h de sábado, o humorista Marcelo Adnet assumiu a apresentação para que Janones pudesse descansar.

Horas antes, na madrugada de sábado (24), Lula já havia participado da mesma live com o parlamentar e elogiado sua atuação. Na ocasião, afirmou que Janones “vai subir de patente” e o chamou de “general vitorioso”.

O canal Exército do Lula reúne cerca de 10,9 milhões de participantes no WhatsApp e compartilha conteúdos da campanha petista.O canal Exército do Lula reúne cerca de 10,9 milhões de participantes no WhatsApp e compartilha conteúdos da campanha petista. (Foto: Ricardo Stuckert/Campanha PT)

Janones encena retratação a Nikolas e ironiza quem acreditou no vídeo

No início de setembro, Janones publicou um vídeo em que encenava uma retratação pública dirigida ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Na gravação, simulava corrigir informações falsas que teria divulgado sobre o colega e negava acusações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Com postura formal, Janones leu um suposto documento e deu à gravação a aparência de cumprimento de uma determinação judicial. Parte dos internautas interpretou a cena como um pedido de desculpas verdadeiro. Aliados de Nikolas também compartilharam o conteúdo. No dia seguinte, Janones ironizou quem acreditou na retratação.

A farsa foi exposta pelo próprio deputado, que mostrou que as folhas usadas durante a leitura estavam em branco. “Eu fiz o bolsonarismo de idiota mais uma vez, igual na eleição passada”, declarou.

Janones justificou a estratégia com uma analogia às artes marciais, que, segundo ele, ensinam a aproveitar a força do adversário em benefício próprio. Ao comentar a repercussão do episódio, antecipou que a iniciativa era apenas uma amostra de sua atuação na campanha. “É só um aperitivo do que eu vou fazer”, publicou.

PT leva mãe de vítima a debate e PL chama ex de Janones sob medida protetiva

Os dois debates do segundo turno presidencial tiveram episódios de tensão envolvendo André Janones (Rede-MG). Na madrugada de segunda-feira (19), horas depois de acompanhar o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na Rede Bandeirantes, o deputado foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo. Ele apresentou arritmia cardíaca e falta de ar, deu entrada por volta das 2h e permaneceu no hospital até o dia seguinte, quando recebeu alta após os médicos descartarem complicações mais graves.

Antes de ser internado, Janones havia anunciado nas redes sociais que Flávio enfrentaria uma surpresa no debate da TV Globo, realizado na sexta-feira (23). Para o encontro, a campanha de Lula levou ao estúdio Cristiane Gomes, mãe de Ana Clara, menina de cinco anos morta por uma bala perdida na porta de casa, na comunidade de Monan Pequeno, em Niterói (RJ).

O caso ganhou dimensão política após a série “Revelando”. No episódio “O julgamento que nunca aconteceu”, apresentado pela atriz Camila Pitanga, a produção apontou que Flávio atuou como advogado de defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, suspeito de efetuar o disparo que matou a criança.

Cristiane acompanhou o debate na primeira fileira do estúdio, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Durante o confronto, Lula questionou Flávio sobre sua atuação na defesa do policial. O senador afirmou acreditar na inocência de Delaroli. Depois do debate, a mãe de Ana Clara declarou que não houve confronto entre policiais e criminosos no dia em que a filha morreu.

A equipe de Flávio, por sua vez, levou ao estúdio Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba (MG) e ex-mulher de Janones, contra quem obteve uma medida protetiva. Ela acusa o deputado de chantageá-la com ameaças de divulgar fotos e vídeos íntimos gravados sem autorização. Leandra também afirma que Janones exigiu a exoneração de secretários municipais sob ameaça de tornar o material público.

Janones chega à campanha após saída de Marcola

Formado em Direito, André Luis Gaspar Janones começou a trajetória profissional como cobrador de ônibus, enquanto cursava a graduação. Depois, trabalhou como assessor jurídico antes de ingressar na política nacional. Deputado federal em segundo mandato, foi reeleito em 2026 para mais um período na Câmara dos Deputados.

A projeção nacional de Janones cresceu a partir de 2018 e ganhou força durante a pandemia. Em 2022, ele anunciou uma pré-candidatura à Presidência da República, mas retirou o nome da disputa para apoiar Lula e passou a coordenar iniciativas nas redes sociais.

Nas eleições de 2026, Janones ingressou oficialmente na campanha de Lula em agosto, quando Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, anunciou sua saída da equipe de campanha de Lula. O desligamento do ex-chefe de Gabinete da Presidência veio após a repercussão de investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

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