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Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Paraná no primeiro turno das eleições 2026. Ao vencer nas urnas, ele deixou para trás não só a esquerda, representada por Requião Filho (PDT), mas também o grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior (PSD), que ficou no poder estadual por dois mandatos e que não conseguiu fazer Sandro Alex (PSD) sucedê-lo no Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.
Com o resultado das urnas, Sergio Moro mudará de trajetória na política local, deixando a vaga no Senado Federal para seu suplente Luis Felipe Cunha (União Brasil) e assumindo pela primeira vez um cargo eletivo no Poder Executivo. Antes de ser senador, Moro foi ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro (PL).
No Palácio Iguaçu, ele colocará à prova sua habilidade de articulação política, muito criticada pelos adversários e até mesmo por aliados de outros momentos, como ex-companheiros de União Brasil, partido que deixou para se filiar ao PL e viabilizar a candidatura ao governo do Paraná.
O governador eleito Sergio Moro terá pela frente uma Assembleia Legislativa (Alep) que ficou acostumada com a presença de Ratinho Junior e que embarcou em praticamente todos os planos do governador prestes a encerrar o mandato. Os primeiros meses de mandato, a partir de 2027, vão mostrar se ele terá uma Alep do seu lado ou ressentida pela derrota de Sandro Alex, aliado de primeira ordem de Ratinho Junior.
Ratinho Junior tentou inviabilizar candidatura de Sergio Moro
Sergio Moro foi o primeiro a se lançar pré-candidato a governador do Paraná, ainda em 2025 e pelo União Brasil. Uma jogada do grupo político de Ratinho Junior, porém, quase inviabilizou a candidatura dele ao Palácio Iguaçu.
O Progressistas, aliado de primeira ordem e liderado por Ricardo Barros, votou contra a candidatura de Moro dentro da Federação União Progressista. Sem alternativa, o senador aproveitou a indefinição de Ratinho Junior sobre a corrida presidencial para se aproximar de Flávio Bolsonaro e oficializar a filiação ao PL.
Além de se tornar palanque de Flávio no Paraná, Sergio Moro abriu caminho para uma campanha praticamente sua, sem precisar de destreza nas articulações partidárias — juntou apenas o Novo e o Podemos. Tanto que o candidato a vice, Edson Vasconcelos, saiu do próprio partido.
Sandro Alex entrou na disputa sem consenso de aliados
Os dois mandatos e o alto nível de aprovação deixaram o governador Ratinho Junior em uma posição confortável para tentar viabilizar um sucessor. Mas a demora para definir um nome e a falta de consenso dentro de seu grupo político catapultaram a candidatura de Sergio Moro.
O governador tentou viabilizar Guto Silva (PSD) como candidato, mas pressões internas implodiram o plano. Outros nomes foram cotados, como o do deputado estadual Alexandre Curi, que chegou a deixar o PSD e foi para o Republicanos, para tentar ser candidato a governador.
Da mesma forma, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca saiu do partido de Ratinho Junior e se filiou ao MDB. Até mesmo o prefeito da capital paranaense, Eduardo Pimentel, chegou a ser cogitado para entrar na disputa estadual.
No fim, o governador paranaense bateu o pé e definiu que Sandro Alex seria candidato, mesmo não sendo nome de consenso, inclusive de partidos da base aliada, como o Progressistas, que ameaçou deixar a aliança.
Depois disso, e após ter desistido de concorrer a presidente, Ratinho Junior precisou reparar os danos e colocar todos novamente na aliança. O trunfo final foi convencer Greca a ser o candidato a vice, o que lhe garantiria mais tração em Curitiba.
Requião Filho saiu do PT para ser candidato ao lado do PT
Deputado estadual eleito pelo PT em 2022, Requião Filho buscou outro caminho para ser candidato a governador. O partido do presidente Lula não cogitou lançar candidato ao governo estadual e, nesse cenário, não havia espaço. Quem abriu as portas foi o PDT, que o levou, assim como o pai, Roberto Requião.
Apesar de criticar fortemente o PT em sua saída, Requião Filho buscou o ex-partido para formar uma aliança de esquerda no estado, garantindo também palanque para Lula.
Na composição, o PT ficou com duas vagas na disputa ao Senado — Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha foram os candidatos — e o Solidariedade ficou com a vaga de vice, na figura de Michele Caputo.





