
Ouça este conteúdo
O ex-ministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro (PL), Paulo Guedes, afirmou que o baixo crescimento econômico do Brasil deve favorecer a oposição nas eleições de outubro. Para ele, a atual política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compromete o desempenho do país e impacta diretamente o cenário político.
Em sua primeira aparição pública após um período afastado, Guedes atribuiu a desaceleração da economia ao aumento de gastos do governo e disse que, sem essa política, o país poderia estar crescendo em ritmo mais acelerado.
“Quando você gasta mais, emite mais moeda, gera inflação, aumenta o juro, reduz o crescimento. O Brasil vai crescer menos e eleitoralmente isso vai empurrar para o outro lado”, declarou durante palestra no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, na quinta-feira (9).
Ao defender sua gestão no governo anterior, Guedes afirmou que deixou o cargo com uma previsão de inflação de 3,2% para o ano seguinte, além da expectativa de um superávit em 5 mil municípios, no governo federal e nas estatais. “Para tudo que é lado”, afirmou.
A fala contradiz com o que é normalmente alardeado por Lula em seus discursos, de que pegou um governo altamente endividado e que precisou fazer aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para furar o teto de gastos antes mesmo de assumir o cargo no começo de 2023. Na época, a chamada “PEC fura-teto” permitiu ao governo gastar R$ 168,9 bilhões além do permitido pelo marco fiscal em vigor na época.
Guedes também comparou o cenário político brasileiro ao vivido no Chile, em que o último governo de esquerda foi derrotado nas eleições presidenciais do ano passado. O então presidente Gabriel Boric perdeu o pleito para o direitista José Kast, que demonstrou explicitamente sua desaprovação em relação a Lula.
“No Chile, primeiro turno deu Boric 30%. No segundo turno, deu Boric 30%. Aqui vai acontecer igualzinho", afirmou sugerindo uma possível repetição do movimento no Brasil.
VEJA TAMBÉM:
Ainda durante o discurso no Fórum da Liberdade, Guedes analisou o momento político global e apontou uma aproximação entre liberais na economia e conservadores nos costumes como tendência crescente. Segundo ele, essa combinação reflete o “espírito do tempo” e tem ganhado espaço em diferentes países.
“O importante é os socialistas fora do caminhão”, disse sendo aplaudido pela plateia.
Apesar de ser visto como um nome influente no campo da direita, Guedes evitou declarar apoio a qualquer candidatura presidencial e afirmou que, no momento, está focado na iniciativa privada. Ainda assim, manteve diálogo com possíveis presidenciáveis presentes no evento, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Aldo Rebelo (DC).











