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Perfil

Quem é André do Prado, senador eleito que presidiu a Alesp com votos do PT ao PSDB

André do Prado, de cabelo castanho na altura do pescoço e barba, fala diante de microfones com a mão erguida. Ele veste terno escuro, camisa branca e gravata.
André do Prado, considerado "pupilo de Valdemar", foi eleito para o Senado (Foto: Rodrigo Romeo/ Divulgação Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo)

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O deputado estadual André do Prado (PL) foi eleito senador por São Paulo no último dia 4 com 12.703.089 votos, ou 29,28% dos válidos. Ficou com a segunda vaga paulista, atrás de Guilherme Derrite (PL), que recebeu 13.273.880 votos e se tornou o senador mais votado da história do país.

A eleição leva a Brasília um político que está no partido de Valdemar Costa Neto desde 1992 — primeiramente o Partido Liberal (PL), depois o Partido da República(PR) e novamente o PL a partir de 2019 — e que preside a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) desde 2023. Na campanha, ele se apresentou como "o braço direito de Tarcísio", em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como cabo eleitoral de Prado.

Os adversários usaram outro rótulo. Ricardo Salles (Novo), que disputou a mesma vaga até desistir a seis dias da eleição, chamava André do Prado de "pupilo do Valdemar". "Ele é Centrão. Nunca foi, jamais será de direita", disse em maio. Em resposta, o presidente da Alesp afirmou que foi "o escolhido do grupo bolsonarista".

Ex-prefeito de Guararema chegou à Alesp em dobradinha com Valdemar

André Luis do Prado nasceu em 7 de junho de 1969 em Guararema, no Alto Tietê, e se formou em análise de sistemas pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). A entrada na política veio em 1992, aos 23 anos, a convite de Marcio Alvino (PL), hoje deputado federal, que namorava a irmã de Prado.

Eleito vereador, foi reeleito em 1996 e presidiu a Câmara Municipal. Entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito e secretário de Saúde de Guararema. Em 2004, elegeu-se prefeito do município para o mandato de 2005 a 2008 e não tentou a reeleição.

Em 2010, André do Prado se elegeu deputado estadual com 86.346 votos, como único representante do PR na Alesp na época. Fez campanha em dobradinha com Valdemar, que disputava a Câmara dos Deputados. Juntos, percorreram mais de 300 municípios.

Foi reeleito em 2014, 2018 e 2022, quando teve 216.268 votos. Nesse período, o PR integrou a coligação de Dilma Rousseff (PT), em 2010 e em 2014, e André do Prado apoiou Márcio França (PSB) contra João Doria (PSDB) em 2018. Em 2022, ficou com Rodrigo Garcia (PSDB) no primeiro turno e aderiu a Tarcísio no segundo.

Entre 2013 e 2016, o gabinete dele teve como assessor especial Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Renato foi exonerado em abril de 2016, no mesmo dia em que reportagem do SBT Brasil apontou ausências dele na Alesp. À época, André do Prado negou que Renato fosse funcionário fantasma.

Votos do PT ao PSDB levaram André do Prado à presidência da Alesp

André do Prado chegou à presidência da Alesp em 15 de março de 2023, com 89 votos, contra cinco de Carlos Giannazi (PSOL). O pedido para que ele comandasse a Casa teria partido de Valdemar, em jantar com Tarcísio durante o segundo turno de 2022. A eleição encerrou cerca de três décadas de presidências do PSDB na assembleia legislativa do estado.

O PT votou nele em um acordo que deu ao partido de esquerda a Primeira Secretaria. "Em favor da proporcionalidade e da unidade da oposição a Tarcísio, voto André do Prado", disse na ocasião o deputado Paulo Fiorilo (PT). Questionado se era bolsonarista, André do Prado se definiu como um deputado "que tem um trabalho não de costumes ou ideologia, mas que trabalha na ponta".

Coube a ele conduzir a votação da privatização da Sabesp. Na sessão de 6 de dezembro de 2023, houve confronto entre manifestantes e a Polícia Militar dentro da Assembleia, a votação foi suspensa e as galerias, esvaziadas. Após a retomada da sessão, na mesma noite, o projeto foi aprovado por 62 a 1, sem a participação da oposição. Os representantes do PT, PCdoB, PSOL, Rede e PDT deixaram o plenário por causa do gás de pimenta.

Em setembro de 2024, o líder do PL na Alesp, Carlos Cezar, protocolou com 53 assinaturas uma proposta de emenda à Constituição paulista para permitir a reeleição do presidente da Casa.

Em 29 de outubro, o texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça em segundos e foi aprovado em plenário, nos dois turnos, por aclamação (votação simbólica), em menos de dois minutos. Só a bancada do PSOL, com cinco deputados, se posicionou contra.

Em 15 de março de 2025, foi reeleito com 88 votos, contra quatro de Paula da Bancada Feminista (PSOL). Foi o primeiro deputado reconduzido à presidência da Alesp em um mesmo mandato desde 1969.

Senador eleito defende impeachment de ministros do STF e anistia ao 8 de janeiro

Durante sua campanha ao senado, abordou pautas defendidas pela direita. No ato de 7 de setembro na Avenida Paulista, André do Prado defendeu o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "Eu não vou ser covarde [...] Votarei SIM pelo impeachment de ministro do Supremo", escreveu no Instagram.

Também se posicionou a favor da "anistia ampla, geral e irrestrita" aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, mandato de 15 anos para ministros do STF, com idade mínima de 50 anos, e limite a decisões monocráticas.

Ele ainda se define como "senador municipalista" e lista como prioridades "saúde, segurança, agro, proteção às mulheres, atenção às famílias e combate às bets".

Depois de eleito, disse à Rádio Senado que quer estar "ao lado do governador Tarcísio de Freitas, no Senado Federal, defendendo o estado de São Paulo".

No lançamento da pré-candidatura, em junho deste ano, prometeu cumprir os oito anos de mandato. "Eu vou ficar no Senado [...] Vou ficar no Senado pra ajudar o presidente Flávio Bolsonaro", disse, em referência ao então pré-candidato do PL à Presidência.

André do Prado deixa a presidência da Alesp ao tomar posse no Senado, em 1º de fevereiro de 2027. Ele discute a sucessão na Alesp com Tarcísio, segundo a CNN Brasil. Parlamentares ouvidos pelo Painel, da Folha de S.Paulo, afirmam que ele tem simpatia por Rogério Franco (PL), ex-prefeito de Cotia eleito deputado estadual para o primeiro mandato.

O deputado Tenente Coimbra (PL), candidato declarado ao cargo, reagiu: "É desrespeitoso quem chegou agora cogitar isso". Em maio, deputados mais alinhados à família Bolsonaro já articulavam um sucessor próprio para André do Prado.

Agora, a bancada do PL quer acabar com a reeleição para a presidência da Casa, aprovada em 2024. Ainda segundo a Folha, foi André do Prado quem manobrou pela mudança naquele ano, com ajuda de Tarcísio.

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