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Guerra no Irã, Banco Master, eleições na Hungria, ministros do STF, prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, escala 6x1, inflação, homofobia... Nas últimas semanas, os principais pré-candidatos à Presidência da República falaram de assuntos os mais variados – menos do tema que se tornou a principal preocupação do eleitor brasileiro: violência e segurança pública.
De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (15), a violência é o principal problema do Brasil para 27% dos entrevistados. A corrupção aparece em segundo lugar, com 19% das menções, seguida por problemas sociais (16%) e saúde (14%). A economia aparece com 9% e a educação fecha a lista, com 7% das respostas.
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O levantamento foi realizado entre 9 e 13 de abril e reflete a opinião de 2.004 eleitores com 16 anos ou mais. A sondagem foi feita com questionários telefônicos e entrevistas presenciais, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A taxa de confiança do levantamento é de 95%.
Na série histórica da Genial/Quaest sobre o tema, a violência vem se mantendo no topo da lista das preocupações das pessoas desde o início de 2025 — o ápice ocorreu em novembro de 2025, quando os números chegaram a atingir quase 40%. O movimento coincide com a ascensão das facções criminosas e seu alastramento pelo território nacional.
Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) estão longe de ser as únicas facções a aterrorizar o dia a dia dos cidadãos, principalmente nas periferias das grandes cidades. Inspiradas pelo "modelo de negócios" das duas principais, surgiram nas últimas décadas nada menos que 88 facções criminosas espalhadas por todos os estados.
É o que revelou levantamento sigiloso da Diretoria de Inteligência Penitenciária da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) do Ministério da Justiça e Segurança Pública. "Bonde dos Maluco", "Os Mano", "Comando Classe A" e "Comboio do Cão" são apenas alguns dos exemplos do mapa das facções.
No entanto, um passeio rápido pelas redes sociais dos principais postulantes ao posto de presidente e a revisão de declarações à imprensa e em eventos públicos recentemente demonstra, da direita à esquerda, uma desconexão com este anseio dos eleitores de todas as classes sociais, pelo menos neste momento da pré-campanha.
Lula, Flávio Bolsonaro e Caiado têm falado pouco sobre violência e segurança
Chama atenção que, enquanto mantêm relativo silêncio sobre a violência, os três principais pré-candidatos à Presidência como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) têm “martelado” repetidamente assuntos relacionados a temas como economia, educação, corrupção e relações internacionais, entre outros.
Depois de sinalizar que abraçaria o tema como central na campanha, aproveitando as megaoperações da Polícia Federal contra o crime organizado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem focado postagens e discursos na economia.
As bolas da vez são a fila do INSS e o endividamento das famílias, que têm dado a tônica dos discursos do presidente, e as indicações de novas ações e programas por parte do governo federal — como um eventual “Desenrola 2” ou extinção daquela que ficou conhecida como "taxa das blusinhas".
No Instagram, por exemplo, onde acumula 14,5 milhões de seguidores, Lula tem falado de tudo nos últimos dias, menos de violência. Houve postagens sobre programas de educação; o impacto da guerra no Irã sobre o preço dos combustíveis; a inflação e ações do governo para mitigar o problema; o SUS; a licença-paternidade ampliada; o Pix e outros assuntos, alguns repetidamente, como o fim da escala 6x1.
Sobre violência ou segurança pública, nem uma única postagem nas últimas semanas. A última vez que o presidente tocou no tema em sua rede social foi em 24 de março, e de forma isolada, em vídeo sobre a sanção da Lei Antifacção, aprovada após acordo entre governo e oposição no Congresso Nacional. Nas declarações à imprensa feitas por Lula, o assunto também sumiu.
Pelo lado da oposição, o tema também tem sido relegado ao segundo plano neste momento da pré-campanha. Bandeira histórica da direita e centro-direita, o combate ao crime e a segurança pública aparecem de forma acanhada nos discursos dos pré-candidatos destes campos políticos até agora.
Dentre diversas postagens diárias, o senador Flávio Bolsonaro tocou no tema pela última vez em 14 de março. "Precisamos libertar a população e prender o criminoso”, disse o senador para seus 9,8 milhões de seguidores. "Não dá para tolerar um governo que faz lobby pró-bandido, como tem feito Lula nos Estados Unidos.”
Tratava-se de menção a uma entrevista sua ao portal Metrópoles, onde acusava o governo Lula de trabalhar para evitar que o governo dos Estados Unidos classificasse as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas – o que não ocorreu até agora. Ao longo da semana anterior, Flávio Bolsonaro fez diversas postagens sobre o assunto, sempre com teor crítico ao governo Lula. Porém, desde então abandonou, pelo menos por enquanto, o tema que não abandona a cabeça dos eleitores.
Até Ronaldo Caiado — que tem números robustos para exibir em termos de redução de criminalidade em seus dois mandatos no governo de Goiás — tem relegado a violência e a segurança pública a um segundo plano. Em seu Instagram, onde é seguido por 2,1 milhões de pessoas, Caiado tocou no tema pela última vez em 31 de março.
"Dar condições para a polícia trabalhar é proteger o cidadão de bem. E é assim, com coragem e responsabilidade, que vamos devolver o Brasil aos brasileiros”, afirma o candidato no texto de uma publicação.
“Nós devolveremos o Brasil aos brasileiros de bem”, afirma Caiado no vídeo que acompanha o texto — um corte de uma entrevista sua à GloboNews. De lá para cá, nada mais sobre o tema. Antes disso, também é difícil encontrar uma postagem sobre violência ou segurança.










