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Caso "Dark Horse"

Mendonça autoriza inquérito para apurar repasses a filme sobre Bolsonaro

Dark Horse
Cena do trailer do filme "Dark Horse", cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: reprodução/X @paulofigueiredo08)

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o repasse de recursos para bancar o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão atende a um pedido da própria corporação com parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que apontou a existência de elementos suficientes para a instauração formal da investigação.

A apuração terá como foco repasses atribuídos ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, após a revelação de que o senador  Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez diversas cobranças ao empresário para pagar parcelas de um investimento de R$ 134 milhões na produção. Anteriormente, o parlamentar afirmou que a solicitação foi feita exclusivamente para custear o filme e que não houve qualquer irregularidade.

As primeiras informações apontam que Mendonça determinou a apuração referente ao repasse de R$ 61 milhões feito por Vorcaro a pedido do senador, a eventual destinação de parte dos recursos para bancar a estadia do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, e a indicação de emendas parlamentares de aliados a entidades ligadas à produtora do filme.

Segundo a Polícia Federal, também será apurado se os recursos foram empregados em outras ações de aliados de Bolsonaro junto ao governo do presidente Donald Trump. Ao defender a abertura da investigação, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou que “há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”.

De acordo com as informações reunidas pela Polícia Federal, os recursos teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. Os investigadores buscam confirmar se a movimentação financeira correspondeu à finalidade declarada ou se parte dos valores foi destinada a outras despesas.

Quando o caso veio a público, após a divulgação de um áudio pelo site The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro negou que o dinheiro tivesse qualquer relação com seu irmão. Em nota, o senador afirmou ser “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro” e acrescentou que “os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”.

Flávio Bolsonaro afirmou, em meados de maio, que pediria à produtora do filme uma prestação de contas para mostrar que o dinheiro repassado por Vorcaro através de um fundo de investimentos foi totalmente utilizado na produção. No entanto, o detalhamento do uso dos recursos ainda não foi apresentado.

O caso também motivou um pedido de investigação apresentado ao STF pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinou pelo arquivamento dessa solicitação. Em junho, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, definiu que André Mendonça seria o relator responsável pelo caso.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, afirma que se mudou para os Estados Unidos em 2025 alegando perseguição do ministro Alexandre de Moraes e nega ter recebido recursos do projeto cinematográfico. O ex-deputado também é réu no STF em uma ação por suposto crime de coação, sob relatoria de Moraes.

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