Publicidade
Dificuldades eleitorais

Projeto da oposição de controlar Senado em 2027 enfrenta crises no Rio e em São Paulo

Projeto transforma crimes em hediondos e inclui menção a deepfakes como causa de aumento de pena.
PL e apoiadores de Bolsonaro querem Senado de direita em 2027 (Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)

Ouça este conteúdo

Berço político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Estado do Rio de Janeiro pode não eleger nenhum candidato a senador apoiado por seu grupo político na eleição de outubro. Exatamente 40 dias depois que o principal pré-candidato, o ex-governador Cláudio Castro (PL), anunciou que desistia da corrida pelo Senado, após ser alvo de investigação, nesta terça-feira (7) foi a vez do outro pré-candidato, Márcio Canella (União Brasil), ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Investigado por lavagem de dinheiro, ele acabou preso por porte ilegal de arma.

São Paulo é outro cenário de risco para a oposição, não por turbulências ligadas a investigações criminais, mas porque as duas pré-candidatas da chapa do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - as ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet - lideram as pesquisas de intenção de voto.

No Rio, as três cadeiras atuais no Senado são ocupadas por parlamentares vinculados a Bolsonaro, todos do PL. O ex-jogador Romário foi eleito em 2022 e está garantido no cargo até 2030, mas em outubro estarão em disputa as vagas ocupadas por Flávio Bolsonaro, o filho de Jair que será candidato a presidente da República, e por Carlos Portinho.

O grupo político de Bolsonaro planejava que essas vagas fossem ocupadas por Castro e Canella, mas o primeiro já desistiu e a situação do segundo ficou mais frágil após ter sido alvo de operação da PF.

A vaga de Castro está aberta desde que ele anunciou a desistência, em 28 de maio. Quem vai decidir o novo candidato são Jair e Flávio Bolsonaro, mas até agora eles não bateram o martelo. Disputam a indicação o deputado federal Carlos Jordy e o atual senador Carlos Portinho, que só assumiu a cadeira porque Arolde de Oliveira, senador de quem era suplente, morreu em 2020, aos 83 anos, vítima de covid-19. Ambos são do PL.

Mais estridente na defesa das pautas ligadas a Bolsonaro, Jordy começou na frente, mas Portinho tornou-se favorito depois de conquistar o apoio do pastor Silas Malafaia.

Mesmo antes da operação policial desta terça-feira (7), alguns aliados de Bolsonaro já defendiam a substituição de Canella, temendo um mau desempenho na eleição e que ele acabasse atingido pelas investigações sobre Rodrigo Bacellar, ex-deputado estadual fluminense e correligionário de Canella preso em março.

O futuro de Canella vai depender do que indicarem as próximas pesquisas eleitorais, dizem aliados. O pré-candidato tem como suplente a primeira ex-mulher de Bolsonaro, Rogéria, mãe de Flávio, de Eduardo e de Carlos Bolsonaro, e a substituição de Canella evitaria o risco de opositores envolverem a suplente em eventuais acusações contra o pré-candidato.

Canella é presidente estadual do União Brasil no Rio de Janeiro e, caso seja substituído, a escolha do novo candidato caberá principalmente ao seu partido e à federação composta pelo União Brasil com o PP. A coligação eleitoral reúne o União Brasil, com um candidato ao Senado, o PL, com o outro candidato ao Senado e o candidato a governador (Douglas Ruas), e o PP, que tem o candidato a vice-governador, Rogério Lisboa.

A pesquisa mais recente para o Senado no Estado do Rio foi feita pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgada em 2 de julho. Dois cenários foram testados. Benedita da Silva, pré-candidata do PT, lidera em ambos, enquanto Márcio Canella figura em segundo ou terceiro, conforme o cenário, sempre tecnicamente empatado com alguém.

No cenário com Crivella, Benedita soma 33% das intenções de voto e é seguida por Crivella (25,9%), Canella (21,9%) e Pedro Paulo, do PSD (21,9%), os três tecnicamente empatados. Sem Crivella, Benedita tem 34,9%, Canella soma 25,3% e Pedro Paulo, 25% - ambos empatados tecnicamente. Carlos Portinho, testado no cenário sem Crivella, somou 10,7%, e Jordy foi testado no cenário com Crivella e obteve 12,1% das intenções de voto.

O Paraná Pesquisas entrevistou 1.600 eleitores fluminenses em 60 municípios entre os dias 29 de junho e 1º de julho. A margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. O registro na Justiça Eleitoral é RJ-04259/2026.

Pesquisas mostram cenário desfavorável em São Paulo

Em São Paulo, as vagas ao Senado a serem preenchidas são atualmente de Giordano (Podemos) e Mara Gabrilli (PSD). Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 6 de julho indicou Simone Tebet (PSB) com 18% das intenções de voto, Marina Silva (Rede) com 16% e Ricardo Salles (Novo) com 13%.

Em seguida figuram os dois candidatos de Bolsonaro, André do Prado (PL), com 11%, e Guilherme Derrite (PP), com 10%, seguidos por Paulinho da Força (Solidariedade), com 8%; 7% não sabem e 17% pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum deles.

O levantamento ouviu 1.608 eleitores em 71 municípios do Estado entre 1º e 3 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-01703/2026.

Cenário eleitoral preocupa apoiadores de Bolsonaro em todo o Sudeste

No Espírito Santo, as vagas do Senado em disputa são ocupadas por Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante). Pesquisa divulgada em 9 de junho pelo Instituto Real Time Big Data indicou Renato Casagrande (PSB) com 28%, Paulo Hartung (PSD) com 15%, Sérgio Meneguelli (PSD) com 13% e só então a candidata de Bolsonaro, Maguinha Malta (PL), com 10%.

Na sequência aparecem Rose de Freitas (MDB), com 9%, Fabiano Contarato com 7%, Marcos do Val com 6%, Evair de Melo (Republicanos) com 3% e Callegari (DC) e Leonardo Monjardim (Novo), com 1%. Pretendem votar em branco ou nulo 4% dos eleitores consultados e 3% não sabem ou não responderam.

Em Minas Gerais o cenário está mais incerto, mas a pré-candidata petista Marília Campos lidera numericamente as pesquisas. As cadeiras em disputa são ocupadas por Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, ambos do PSD. Pesquisa IPAN/Panorama divulgada em 24 de junho mostra Marília Campos (PT) numericamente em primeiro, com 12,13%, mas em empate técnico com Domingos Savio (PL), que registrou 10,22%, e Carlos Viana (PSD), que obteve 9,25% das intenções de voto.

Depois figuram Marcelo Arto (PP), com 4%, tecnicamente empatado com Áurea Carolina (PSOL), que tem 3,28%, e Vanessa Portugal (PSTU), com 3%. Os eleitores que não souberam ou não responderam somam 58,13%.

A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 17 e 23 de junho. A margem de erro é de 2,45 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo PL de Minas Gerais e está registrado no TSE sob o protocolo MG-01303/2026.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.