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Eleições 2026

Petistas condenados no Mensalão e na Lava Jato preparam retorno às urnas

Condenados do PT no Mensalão e na Lava Jato
Lula apoia volta de companheiros beneficiados por indultos e anulações no Mensalão e na Lava Jato. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Lula Marques/Agência Brasil; JBatista/Câmara dos Deputados; EFE/Ana Nascimento e Ivonaldo Alexandre/Arquivo Gazeta do Povo))

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Velhos companheiros do PT envolvidos nos maiores escândalos de corrupção que sacudiram os governos Lula e Dilma planejam retornar a Brasília, por meio do voto popular, nas eleições de 2026. Pré-candidatos a deputado federal, José Dirceu (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Delúbio Soares (PT-GO) e André Vargas (PT-PR) cumpriram parte das penas em regime fechado após investigações nos casos do Mensalão e da Lava Jato, mas acabaram beneficiados por indultos ou pela anulação dos processos da operação contra os desvios na Petrobras.

O retorno dos nomes dos antigos companheiros tem o apoio do presidente Lula (PT), que conta com a eleição dos petistas e de aliados de esquerda para ocupar o Congresso, na briga com a direita pela maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Para isso, o PT deve recorrer a líderes históricos do partido, que tiveram protagonismo nas gestões passadas, apesar dos emblemáticos casos de corrupção.

Outra estratégia é lançar os ministros do primeiro escalão do governo Lula na arena eleitoral para fazer frente ao movimento da direita conservadora, que também ameaça a reeleição do presidente petista ao quarto mandato.

Um dos principais nomes da militância histórica petista e figura influente nos primeiros mandatos de Lula, José Dirceu esteve no centro das acusações nos escândalos do Mensalão e da Lava Jato. Em 2005, o delator do Mensalão, o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB à época), afirmou que Dirceu era o responsável pelo esquema de compra de deputados em troca de apoio político para aprovação de projetos. O petista foi chefe da Casa Civil no primeiro mandato presidencial de Lula e teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados no final de 2005.

Em 2013, Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses e cumpriu pena em regime fechado na Papuda, em Brasília, por quase um ano antes de ser beneficiado pela prisão domiciliar. Ele voltou a ser preso em 2015 durante a operação Lava Jato e acabou condenado a mais de 30 anos pelo envolvimento nos desvios da Petrobras.

Em 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes anulou todos os atos processuais contra Dirceu conduzidos pelo ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil. O nome de Dirceu chegou a ser cotado ao Senado pelo estado de São Paulo, mas o ex-ministro do governo Lula e ex-deputado federal por três mandatos deve concorrer a uma cadeira na Câmara.

A pré-candidatura foi confirmada à Gazeta do Povo pela assessoria de imprensa de Dirceu. Com 79 anos e a “ficha limpa”, ele passou a ter presença ativa nas redes sociais com críticas frequentes ao governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi outro que esteve no centro das acusações do Mensalão. Ele foi um dos pivôs do escândalo ao lado do operador Marcos Valério, que, segundo as investigações, irrigava o esquema para pagamentos a parlamentares, o que ficou conhecido como “Valerioduto”.

Soares foi condenado a seis anos e oito meses pelo esquema do Mensalão, cumpriu 10 meses no regime semiaberto e foi beneficiado pela prisão domiciliar em 2014. Dois anos depois, o STF concedeu o perdão da pena ao ex-tesoureiro petista.

Assim como Dirceu, Delúbio Soares entrou na mira da operação da Lava Jato, foi condenado pelo juiz Sergio Moro, mas teve os processos anulados por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2023, o que possibilitou o retorno do ex-tesoureiro à esfera política e eleitoral.

Em outubro do ano passado, ele anunciou durante um evento do partido no estado de Goiás que deve disputar as eleições de 2026. “Estou colocando meu nome à disposição do meu partido, da Federação Brasil da Esperança, para que em julho ele seja aprovado. O que estou pedindo é apoio político para que a gente possa, em 2026, vencer as eleições no Brasil”, discursou Soares, que é cotado como pré-candidato a deputado federal.

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Preso no Mensalão, ex-presidente da Câmara é convidado por Lula para voltar à política

Mais de 20 anos após o escândalo do Mensalão, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha é um advogado influente no governo petista e pode consolidar o retorno a Brasília. Ele comandou a Casa durante o primeiro mandato de Lula.

O presidente da República convocou o antigo companheiro para voltar à política durante um evento em Osasco, em julho do ano passado, berço eleitoral do advogado petista. “João Paulo, você trate de voltar para a política. Pare de ganhar dinheiro como advogado em Brasília. Pare de querer ganhar dinheiro em Brasília, venha para a porta de fábrica fazer comício”, disse Lula no palanque.

No final do ano, Cunha confirmou que aceitou o convite e deve disputar as eleições de 2026 como candidato a deputado federal, reforçando o retorno de antigos aliados que vão trabalhar pela reeleição do presidente petista. “Foram anos de trabalho, reflexão e dedicação à advocacia, mas o momento do país pede responsabilidade, diálogo e gente preparada para reconstruir caminhos. Se eu puder ajudar o Lula a governar, fortalecer nossa região e melhorar a vida da população, estarei presente”, declarou o ex-deputado federal, que também foi beneficiado com perdão da pena pelo STF, em 2016, com base em um indulto de Natal concedido pela então presidente Dilma Rousseff.

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Condenado na Lava Jato, ex-deputado petista diz que foi preso ilegalmente

Primeiro parlamentar condenado por corrupção pela operação Lava Jato, o ex-deputado federal André Vargas confirmou que é pré-candidato nas eleições de outubro. O paranaense chegou a ocupar a vice-presidência da Câmara dos Deputados antes da cassação do mandato em 2014. No ano seguinte, ele foi preso e condenado pelo ex-juiz Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, totalizando uma pena de 24 anos e 10 meses.

Em 2014, o então deputado chegou a pedir a desfiliação do PT durante a crise do governo Dilma, imposta pelos desdobramentos da Lava Jato. Mas Vargas voltou ao partido depois de mais de três anos preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. 

Beneficiado pela anulação dos processos pelo STF, o ex-deputado federal afirma que a operação foi “mais política do que jurídica” e disse que a “perseguição” tinha o objetivo de atingir o PT e a liderança de Lula. “Fui vítima de uma prisão ilegal que durou 42 meses. Sofri todo tipo de pressão para fazer a delação, objetivo real da prisão, mas resisti, pois o que queriam era que eu confirmasse invenções mentirosas para atingir o Lula e o PT”, declarou Vargas em entrevista à Gazeta do Povo.

O petista afirma que está elegível após a anulação das condenações entre 2022 e 2023 e que voltou ao PT para trabalhar com a organização partidária nos últimos anos. “Volto a disputar uma vaga na Câmara para reforçar o campo político democrático e popular. Hoje, a classe trabalhadora e o presidente Lula sofrem reveses em uma Câmara conservadora e antipopular. Medidas simples como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a cobrança de impostos de jogos [bets] têm muitas dificuldades de serem aprovadas”, disse Vargas.

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