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Eleições 2026

PT criticou “PEC do desespero” de Bolsonaro, mas Lula reajusta Bolsa Família a 17 dias da eleição

Bolsa Família Eleição
Lula e o PT chamaram Auxílio Brasil de "eleitoreiro" e "Pec do desespero"; agora, reajusta Bolsa Família a 17 dias da eleição. (Foto: André Borges - EFE)

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O anúncio de um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, a 17 dias do primeiro turno da eleição presidencial, coloca em contraste o discurso que o PT adotou em 2022, quando o governo Jair Bolsonaro (PL) ampliou benefícios sociais às vésperas da eleição.  

Há quatro anos, Lula disse que Bolsonaro estava tentando “comprar o povo” com a ampliação dos benefícios promovida pela Proposta de Emenda Constitucional que visava a ampliação do Auxílio Brasil no pós-pandemia. “Se Bolsonaro pensa que vai ganhar o voto do povo dando isso por três meses, terá uma grande lição. O povo vai pegar o dinheiro e não vai votar nele”, disse Lula.

Gleisi Hoffmann (PT-PR) reforçou: “Bolsonaro acha que aumentando o Auxílio Brasil, vale-gás e dando auxílio aos caminhoneiros às vésperas das eleições vai salvar sua pele. Engana-se! O povo sabe quem se preocupa com ele e quem é oportunista e cara de pau. Se fosse preocupado com o povo, tinha tomado medidas antes. Não fez.”

O líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (PT-MG), também questionava a coincidência entre a criação do estado de emergência e o calendário eleitoral: “Não justifica reconhecer Estado de Emergência com data para iniciar e data para terminar. A data é dentro do processo eleitoral.” 

Em agosto de 2022, quando o Auxílio Brasil de R$ 600 começou a ser pago, Carlos Zarattini (PT-SP) reforçou a acusação: “O governo só lembrou do povo brasileiro faltando 90 dias para eleição. Aí eles resolveram ampliar o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, com objetivo claramente eleitoreiro.” 

Pacote de bondades de Lula soma R$ 187 bi; "PEC Kamikaze" de Bolsonaro previa R$ 41 bi

O pacote de Bolsonaro, aprovado em julho de 2022, autorizou R$ 41,25 bilhões em despesas excepcionais. A decretação de estado de emergência permitiu que as despesas excepcionais não ficassem sujeitas às principais regras fiscais, como o teto de gastos.  

O PT classificou as medidas como “PEC do desespero eleitoral”, “pacote de bondades” e “PEC Kamikaze”. A crítica não se restringia ao aumento do benefício, mas questionava a decretação do estado de emergência com vigência coincidente com o período eleitoral e a criação de despesas extraordinárias fora do teto de gastos.

Agora, o governo Lula afirma que o reajuste anunciado nesta quinta-feira é uma reposição da inflação acumulada desde a reformulação do programa, e não uma medida criada especificamente para o período eleitoral.

O novo valor, porém, será pago a partir de 19 de outubro, uma semana antes do segundo turno, e acrescentará R$ 5,8 bilhões às despesas deste ano e R$ 22,7 bilhões por ano a partir de 2027.

O reajuste se soma a um conjunto maior de medidas adotadas pelo governo Lula em 2026. Levantamento citado pela Gazeta do Povo estima em R$ 187,2 bilhões o volume do chamado “pacote de bondades” ou “kit reeleição” lançado neste ano.

O levantamento mostra ainda que R$ 176,7 bilhões, ou 94,4% do total, ficam fora do limite de crescimento das despesas previsto pelo arcabouço fiscal, regra que foi criticada pelo PT no passado.

Mesmo fora do limite, essas medidas podem pressionar a dívida pública, que já subiu 9,4 pontos percentuais do PIB desde janeiro de 2023, passando de 73,1% para 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central. 

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