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A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), acionou a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil para investigar cartazes anônimos espalhados pelo Recife (PE) com acusações de que ela teria matado o marido, o empresário Fernando Lucena, para vencer a eleição de 2022.
O material apareceu no domingo (30) em muros do Bairro do Recife e provocou reações de candidatos ao governo e de outras lideranças políticas.
Segundo a coligação Pernambuco de Coração, Raquel registrou boletins de ocorrência nas duas polícias e também levou o caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE). As peças não apresentam identificação de autoria, financiamento ou distribuição.
Em um dos cartazes, a imagem da governadora aparece acompanhada da frase “ela matou o marido para ganhar a eleição”.
Outro material coloca Raquel ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis, com a expressão “matadoras de maridos”.
Fernando Lucena morreu em 2022, aos 44 anos, na véspera do primeiro turno das eleições daquele ano, após sofrer um infarto. Na ocasião, Raquel disputava o governo de Pernambuco e avançou para o segundo turno.
Raquel se emociona e pede respeito à família
Após tomar conhecimento dos cartazes, no domingo (30), Raquel publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece emocionada. A governadora afirmou que os ataques começaram nas redes sociais e chegaram às ruas do Recife.
“Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite a minha dor”, afirmou.
Raquel classificou o episódio como uma manifestação de ódio e disse que não pretende recuar da campanha. “Na política, como na vida, não vale tudo”, declarou.
Em outra manifestação durante um evento do setor da construção civil, nesta segunda-feira (31), a governadora afirmou que não pretende usar o episódio para se colocar como vítima.
João Campos repudia cartazes e nega envolvimento
Principal adversário de Raquel na disputa, o candidato João Campos (PSB) também condenou os cartazes.
Ele afirmou que o material é apócrifo e negou qualquer relação de sua campanha com a produção ou distribuição.
Em vídeo publicado na redes sociais, Campos disse que pretende recorrer à Justiça para identificar os responsáveis e afirmou que qualquer tentativa de atribuir o material à sua candidatura terá consequências judiciais.
O candidato também lembrou que perdeu o pai, o ex-governador Eduardo Campos, durante a campanha presidencial de 2014. Segundo João, tanto ele quanto Raquel sabem o impacto da perda de um familiar durante uma eleição.
“Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável”, afirmou.
A Frente Popular de Pernambuco, coligação de João Campos, acionou o Ministério Público Eleitoral para pedir a investigação da autoria e da divulgação dos panfletos.
O candidato do PSOL ao governo, Ivan Moraes, também pediu a identificação e responsabilização dos autores.
Diversos políticos ... Túlio Gadelha (PSD), Mendonça Filho (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) se manifestaram em solidariedade à governadora.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e a senadora Damares Alves também criticaram os ataques.
TRE-PE manda retirar publicações que ligavam João Campos aos cartazes
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a retirada de três publicações que atribuíam a João Campos, à Frente Popular e ao PSB a produção ou distribuição do material.
A liminar, assinada pelo desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, considerou que não havia, naquele momento, elementos suficientes para sustentar a atribuição de autoria dos panfletos ao grupo político de João Campos.
Os cartazes, segundo a decisão, não tinham identificação de quem os produziu, financiou ou distribuiu.
A decisão atingiu publicações do candidato a deputado estadual Ni do Badoque (PSD), do candidato ao Senado Mendonça Filho (PL) e do jornalista Ricardo Antunes.
A Meta recebeu prazo de duas horas, após a intimação, para retirar os conteúdos, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
Os autores das publicações ficaram sujeitos a multa individual de R$ 25 mil em caso de descumprimento.
O TRE-PE ressaltou que a liminar não representa uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade eleitoral ou criminal.
Os envolvidos continuam autorizados a repudiar os ataques, pedir investigação e fazer críticas políticas, mas não podem atribuir a João Campos, ao PSB ou à Frente Popular a autoria dos cartazes sem elementos que sustentem essa afirmação.
A decisão foi tomada um dia após o TRE-PE determinar, em outra liminar, a remoção de publicações que associavam Raquel Lyra a um suposto “gabinete do ódio” criado para atacar João Campos.
O tribunal considerou que os conteúdos transformavam suspeitas apresentadas em uma reportagem em conclusões sobre a suposta participação da governadora no "gabinete do ódio".
Disputa eleitoral é marcada por acusações sobre “gabinetes do ódio”
O episódio envolvendo os cartazes ocorre em meio a uma escalada de acusações entre os dois principais candidatos ao governo de Pernambuco sobre supostas estruturas digitais usadas para atacar adversários.
A discussão ganhou força depois que uma reportagem da TV Record apontou a participação de um servidor comissionado do governo estadual, Amisadai Andrade da Silva, em um suposto esquema para produzir conteúdos contra João Campos.
Ele foi exonerado após a divulgação do caso. As suspeitas ainda são objeto de apuração.
A campanha de Raquel nega envolvimento com qualquer estrutura desse tipo. O TRE-PE, por sua vez, já determinou a retirada de conteúdos que apresentavam como comprovada a ligação da governadora com o suposto esquema.







