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O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) o desenvolvimento de armas nucleares pelo Brasil e o descumprimento de decisões judiciais que considerar ilegais.
Renan deu as declarações durante entrevista aos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, da Globo.
Ao tratar da relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), Renan afirmou que não pretende desobedecer indiscriminadamente às decisões da Corte, mas sustentou que cidadãos e autoridades não devem cumprir determinações que considerem ilegais.
“Qualquer cidadão, diante de uma decisão ilegal, pode não cumprir. Na verdade, ele tem um dever de não cumprir”, afirmou.
Segundo o candidato, ninguém deveria cumprir uma decisão judicial que considere ilegal e que coloque pessoas em situação de grande risco.
Renan prevê nova reforma da Previdência
Na área econômica, Renan Santos afirmou que pretende promover uma nova reforma da Previdência se vencer a eleição. Segundo ele, a medida será necessária para evitar um desequilíbrio das contas públicas.
“Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência. Vai quebrar em três anos, você não tem aposentadoria”, disse.
O candidato também citou cortes de gastos e investimentos em infraestrutura entre as medidas que pretende adotar no governo.
Renan afirmou que não pretende fazer campanha com promessas que, segundo ele, as contas públicas não comportam.
Candidato defende armas nucleares
Renan também defendeu que o Brasil desenvolva armas nucleares. Para ele, o país precisaria desse tipo de armamento para ampliar sua capacidade de defesa e seu peso geopolítico.
“Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania”, afirmou.
O candidato reconheceu que o Brasil não teria condições de desenvolver armas nucleares militares nos próximos dez anos, mas disse que a discussão deveria fazer parte de um projeto de longo prazo.
Renan também defendeu a saída do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Ele citou a Coreia do Norte como exemplo de país que deixou o acordo e afirmou que o armamento nuclear garantiria maior capacidade de defesa diante de outras potências.
“Se a gente quiser ser uma nação séria e respeitada nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares”, declarou.
Plano prevê dez presídios federais
Na segurança pública, Renan Santos afirmou que pretende construir dez novos presídios federais e criar entre 30 mil e 40 mil vagas em cada unidade. Segundo ele, o projeto exigiria cerca de R$ 6 bilhões.
Atualmente, o sistema penitenciário federal possui cinco unidades de segurança máxima, com capacidade conjunta de 1.040 vagas, destinadas principalmente a lideranças de organizações criminosas.
O candidato também propôs mudanças na Lei de Execução Penal para endurecer o tratamento dado a integrantes de facções. De acordo com Renan, não seria suficiente prender criminosos se eles forem rapidamente libertados.
Ele afirmou ainda que pretende recuperar, em até um ano, áreas dominadas pelo crime organizado. Para o candidato, o Brasil vive uma “guerra declarada unilateralmente” contra as facções.
Renan cita modelo de Bukele
Renan Santos também defendeu medidas inspiradas no governo de Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
O candidato afirmou que pretende adotar medidas semelhantes às implementadas pelo país no combate ao crime organizado.
Ao justificar a proposta, Renan mencionou casos de violência e defendeu uma atuação mais dura do Estado contra criminosos.
“Cabe ao presidente da República liderar as pessoas nessa guerra”, afirmou.
Críticas à política externa de Lula
Na política externa, Renan criticou o governo Lula e afirmou que o Brasil estaria excessivamente alinhado aos interesses da China.
“O Brasil, hoje, é um vassalo da China, de acordo com a ação política do Lula, no cenário global”, declarou.
O candidato também criticou manifestações do governo brasileiro sobre conflitos internacionais, como as tensões entre Israel e Irã.
Segundo Renan, o Brasil se posiciona em disputas internacionais sem obter ganhos para o país.
Para o candidato, o cenário internacional caminha para uma reorganização das relações de poder, com aumento das tensões entre Estados Unidos e China.
Ele defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de defesa e adote uma postura mais independente.
“O mundo vai mudar muito, o mundo vai se reconfigurar”, afirmou. Segundo Renan, “a ordem mundial pacífica acabou” e o Brasil precisará estar preparado para se defender nas próximas décadas.
Renan comenta áudio de Arthur do Val
Renan também foi questionado sobre o áudio enviado por Arthur do Val, aliado do candidato e ex-deputado estadual, durante uma viagem à Ucrânia em 2022.
Na gravação, do Val fez comentários de teor sexual sobre mulheres ucranianas e disse que a pobreza causada pela guerra as tornaria “fáceis”.
Renan classificou as declarações como inadequadas e afirmou que gostaria de ter evitado que o áudio fosse enviado caso tivesse essa possibilidade.
“O áudio é muito ruim”, disse. Ao mesmo tempo, destacou que a gravação foi feita em um ambiente privado e lembrou que Arthur do Val perdeu o mandato em decorrência do episódio.







