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Renan Santos diz que é o “Milei brasileiro”, mas argentino subirá no palanque de Flávio

Milei sobe no palanque de Flávio Bolsonaro e círculo doutrinário do argentino rejeita comparação com Renan Santos.
Javier Milei e Flávio Bolsonaro durante encontro; presidente argentino confirmou presença na convenção nacional do PL no sábado (24) (Foto: Reprodução/Presidência da Argentina)

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Se Renan Santos é o "Milei brasileiro", alguém esqueceu de avisar Javier Milei. O presidente argentino desembarca no Brasil no próximo sábado (25) para o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) na convenção nacional do partido. Na agenda do líder argentino, contudo, não consta nenhum encontro com o pré-candidato do partido Missão à Presidência.

Renan, cofundador do MBL, tem se apresentado como o espelho brasileiro do presidente argentino e é fato que as semelhanças de superfície existem: discurso de corte radical de gastos, reformas concentradas no início do mandato e retórica de confronto com a classe política. Para quem está dentro do círculo de Milei, no entanto, a comparação não se sustenta.

Por trás da escolha de Milei para apoiar Flávio há uma articulação pouco conhecida no Brasil: o Foro Alberdiano Internacional. Trata-se da estrutura criada para dar sustentação, na América Latina, ao La Libertad Avanza, partido cofundado por Milei que o levou à presidência da Argentina em 2023. O presidente de honra do Foro é Sebastián Pareja, presidente da legenda na província de Buenos Aires e próximo a Milei.

O embaixador-geral do Foro no Brasil, por sua vez, é Rodrigo Andolfato, fundador do Instituto Liberal da Alta Noroeste (Ilan), em Araçatuba, no interior de São Paulo, e um dos criadores do grupo ativista Confederação 9 de Julho. "Dos candidatos à presidência da República, quem mais representa a política liberal-minarquista é Flávio Bolsonaro", diz Andolfato.

Milei tem ideias distintas do MBL e Missão

Para entender a distinção, é preciso entender o que Milei de fato defende. O presidente argentino é um liberal-minarquista. A corrente aceita o Estado apenas no seu custo marginal mínimo e deixa tudo mais ao livre mercado, sem concessões e modulação de discurso. O minarquismo, vale lembrar, é a corrente "possível" do anarcocapitalismo, defensor do fim de todo tipo de governo.

É justamente aí que o MBL e, consequentemente, o Missão não passam no teste. Andolfato acompanha o movimento desde a fundação. Quando criou o Ilan, cerca de cinco fundadores eram ligados ao MBL e deixaram o Brasil Livre pouco tempo depois. "Não considerava absolutamente nenhuma correlação de semelhança entre eles, a não ser narrativa", diz Andolfato.

Ele considera a pandemia o exemplo mais claro disso. Naquele momento, o MBL adotou posições favoráveis a medidas estatais que os minarquistas consideram incompatíveis com a liberdade individual, como a obrigatoriedade da vacina, por exemplo.

"Quando você vê alguém que sobe em um banquinho para fazer discurso pró-coletivismo, é a hora que você separa quem é de verdade de quem se finge ser", diz Andolfato.

Flávio x Renan: o que cada um propõe

Como pré-candidato do Missão, Renan Santos propõe corte radical de gastos inspirado em Milei, mas combina isso com nacionalismo tecnológico. Por exemplo, defende a Petrobras como ativo estratégico, propõe reindustrialização com foco em semicondutores e terras raras, e aposta na aproximação com Estados Unidos, União Europeia e Japão para inserir o Brasil nas cadeias globais de alta tecnologia.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, segue um caminho mais pragmático. A equipe econômica, ainda em formação, propõe substituir as metas fiscais atuais por um mecanismo baseado na trajetória da dívida pública, ampliar privatizações e concessões, e desregulamentar setores como mineração e infraestrutura, sem romper com programas sociais.

Para o Foro Alberdiano, nem Renan Santos nem Flávio Bolsonaro representam fielmente os valores de Milei. Mesmo assim, consideram Flávio mais alinhado a seus princípios. "Estou apoiando o Flávio porque é o que há de melhor hoje", diz Andolfato.

Em resposta à Gazeta do Povo, Renan Santos afirmou que não se importa com a opinião do grupo e questionou as ações do opositor político Flávio Bolsonaro.

"Eu estou pouco me lixando pra opinião deles. Gostaria de saber se eles endossam a relação de Flávio com Vorcaro, os crimes que ele cometia em seu gabinete, a agenda feminista em seu mandato e sua relação com o comando vermelho via TH Joias. Será que eles tem uma opinião sobre isso?", questionou.

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