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A segunda operação da Polícia Federal (PF) contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) no intervalo de 11 dias, realizada na manhã desta terça-feira (26), pode fazer com que ele desista de disputar uma vaga ao Senado, segundo aliados do político fluminense ouvidos pela reportagem. Mesmo investigado, ele era líder na pesquisa Quaest divulgada em 27 de abril.
Castro conta com o apoio da família Bolsonaro para a eleição no Rio e a decisão sobre o pleito deverá ser tomada pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL, na volta da viagem aos Estados Unidos.
Segundo o levantamento da Quaest, Castro tinha 12% das intenções de voto para o Senado, contra 10% da segunda colocada, Benedita da Silva (PT). A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 1.200 eleitores fluminenses entre 21 e 25 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número RJ-00613/2026.
Agora, no entanto, na melhor das hipóteses, Castro deverá disputar uma vaga na Câmara - a eleição para deputado federal é mais pulverizada, menos personalista, e o ex-governador seria menos criticado pelas investigações de que é alvo, avaliam aliados ouvidos pela reportagem.
Mas, mesmo se optar por disputar o cargo de deputado, Castro ainda depende da autorização da Justiça para concorrer ao pleito, já que em março foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Atualmente, o nome mais cotado para concorrer ao Senado na vaga que seria de Castro é do deputado federal Carlos Jordy (PL), que já afirmou aceitar o desafio. "Estou à disposição do partido para qualquer missão, para ajudar a eleger o nosso candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, e também para a missão do Senado, que sempre foi a minha pauta: restabelecer o equilíbrio entre os poderes", afirmou ao jornal O Globo.
Outro nome cogitado é o de Felipe Curi, ex-chefe da Polícia Civil fluminense. Mas ele é filiado ao PP e sua candidatura ao Senado só deve se consolidar se o outro pré-candidato lançado pelo grupo, Márcio Canella (União Brasil), desistir da disputa, o que tem sido até cogitado em função do mau desempenho em pesquisas. Segundo a mesma sondagem da Quaest, Canella tinha de 4% a 6%, conforme o cenário.
O PL não deixaria as duas vagas ao Senado nas mãos de partidos aliados - a vaga de Castro deve ser preenchida por outro integrante do PL.
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As decisões sobre mudanças na chapa, no entanto, só acontecerão a partir de quinta-feira (28), quando Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pré-candidato a presidente, volta dos Estados Unidos. Foi ele que definiu a chapa no Rio de Janeiro e caberá a ele bater o martelo quanto a mudanças.
Até a publicação desta reportagem, Flávio não havia se manifestado sobre a operação desta terça-feira contra Castro.
O ex-governador construiu sua carreira política na esteira da família Bolsonaro. Em 2016, Castro foi eleito pela primeira vez, para vereador no Rio de Janeiro, com 10.262 votos, "puxado" pelos 106.657 votos de Carlos Bolsonaro. Ambos eram então filiados ao PSC.
A operação desta terça-feira partiu da constatação de que o RioPrevidência, instituto dos aposentados do setor público estadual do Rio, investiu R$ 3,7 bilhões no Master, mesmo diante de alertas a respeito do risco dessa aplicação. Mensagens encontradas em um celular de Vorcaro, apreendido em outra ocasião, indicam que a transferência de recursos do RioPrevidência dependia de um "alinhamento político" de Castro com Vorcaro.
Ao g1, o advogado de Castro, Carlo Luchione, afirmou que o ex-governador acompanhou as buscas "com serenidade".
A reportagem pediu o posicionamento do ex-chefe do Executivo fluminense sobre a operação da PF e com relação à candidatura ao Senado e aguarda o retorno.
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A reportagem consultou cinco aliados de Castro na tarde desta terça-feira e nenhum deles quis se pronunciar oficialmente a situação do ex-governador.
Sem se identificar, no entanto, a avaliação geral foi de que, se Castro concorrer ao Senado, pode atingir a pré-candidatura de Flávio a presidente - por causa das revelações sobre as ligações de ambos com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
"Uma candidatura ao Senado é mais personalizada, as pessoas são mais expostas. Não dá para alguém que está no olho do furacão de várias investigações disputar uma eleição assim, vai ser bombardeado o tempo todo. Além dessa questão [do RioPrevidência], tem a investigação sobre ajuda ilegal ao Grupo Refit e mesmo a cassação por abuso de poder, o caso que se arrasta desde a eleição", afirma um dos pré-candidatos à eleição deste ano pelo PL no Rio.
"Se for candidato a senador, essas acusações vão ser lembradas o tempo todo, e o Flávio vai ser ligado a tudo isso também, porque o Cláudio é pupilo dele", afirmou.
O principal concorrente do grupo de Bolsonaro no Rio, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato a governador, usou o mesmo termo para ligar Castro a Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio e seu provável adversário direto na corrida pelo governo do Estado:
"O nível de vagabundagem dessa máfia é sem limites. Quer ganhar por eleições diretas e lançar um pupilo de Castro governador", publicou Paes na rede social X, ex-Twitter, após a operação desta terça-feira.
Consultado pela reportagem por meio de sua assessoria, Ruas não se pronunciou sobre a operação contra Castro nem sobre o comentário de Paes.
Para a cientista política Mayra Goulart, professora de Ciência Política e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleição e Política Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Castro está perdendo os elementos que lhe davam poder e corre o risco de ser preso.
"Se for impedido de renovar o mandato, provavelmente ele vai ser preso, e, uma vez preso, os aliados se afastarão dele completamente, assim como aconteceu com [o ex-governador do Rio] Sérgio Cabral, que tinha um patrimônio eleitoral e entre as elites muito superior a Cláudio Castro", afirma.
"Quando chegou ao poder, Castro não tinha nem base eleitoral nem entre as elites, então ele usou a estrutura do Estado para atrair essas elites. Mas estão acabando os recursos que ele tinha para que as investigações não fossem adiante", avalia.







