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Delegado Felipe Curi vai da operação Contenção à consagração nas urnas

Delegado Felipe Curi (à esquerda), ao lado do ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL)
Delegado Felipe Curi (à esquerda), ao lado do ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) (Foto: Ernesto Carriço/Governo RJ)

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A vitória nas urnas do Delegado Felipe Curi — eleito deputado federal pelo Progressistas do Rio de Janeiro — explicita um fenômeno recorrente na política fluminense: a transformação da atuação policial em capital político-eleitoral. Ex-secretário de Estado de Polícia Civil do governo Cláudio Castro (Republicanos), Curi pavimentou sua ida para Brasília na votação do último dia 4.

O pilar central de sua projeção pública recente foi o comando da operação Contenção, deflagrada no final de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A ação deixou mais de 120 mortos, sendo mencionado como o episódio policial mais letal da história do Brasil, superando a contagem de vítimas do que ficou conhecido como "Massacre do Carandiru" no ano de 1992, que deixou 111 presos mortos em uma penitenciária na capital paulista.

Em um estado no qual a falência da segurança pública se converteu em ativo político, a trajetória do delegado do combate ao crime ao Planalto Central ocorre calcada nas ações ostensivas que promoveu. Curi foi eleito com 133.626 votos, o equivalente a 1,51% dos votos válidos no estado, e faz parte do grupo político do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).

Aos 50 anos, Delegado Felipe Curi foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com mais de 133 mil votos. Ele foi o 14º candidato mais votado do Rio de Janeiro para o cargo.

A capital fluminense foi o município em que ele obteve o maior número de votos: 83.257. Este será o primeiro mandato de Delegado Felipe Curi na Câmara dos Deputados.

Felipe Curi acumula experiência em grupos de elite da polícia fluminense

Nascido na cidade do Rio de Janeiro em agosto de 1976, Felipe Lobato Curi ingressou na Polícia Civil fluminense após se formar em Direito e atuar na iniciativa privada. Ao longo de duas décadas na corporação, percorreu os degraus clássicos da hierarquia policial: chefiou a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), dirigiu o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e comandou o Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP). 

Essa bagagem acumulada nas divisões de elite permitiu a Curi construir uma imagem de policial inflexível. A carreira dele é pautada por operações de confronto direto nas favelas cariocas.

Em setembro de 2024, Curi assumiu o topo da máquina ao ser nomeado por Cláudio Castro como Secretário de Estado de Polícia Civil. À frente da pasta, expandiu mecanismos como as promoções por bravura.

O divisor de águas da gestão do então delegado Felipe Curi ocorreu em 28 de outubro de 2025, com a deflagração da operação Contenção. Apresentada pelo governo como uma investida contra a cúpula da facção criminosa Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, a operação mobilizou centenas de agentes e resultou em um saldo de 121 mortos em apenas 24 horas — incluindo quatro policiais.

Candidatos e apoiadores alinhados à linha dura do governo do estado usaram explicitamente o balanço da ação policial na busca pela aprovação de um eleitorado amedrontado pelo descontrole das facções criminosas e milícias em amplas porções do território do Rio de Janeiro. Em março deste ano, Felipe Curi saiu do cargo de Secretário de Polícia Civil para se filiar ao Progressistas e formalizar na sequência a candidatura à Câmara dos Deputados.

Durante a campanha, o delegado defendeu que a segurança pública não deve ser tratada apenas como responsabilidade dos governos estadual e federal. Curi apontou a chamada desordem urbana como uma das etapas que podem anteceder o avanço de crimes mais graves e a ocupação de territórios por grupos criminosos.

Assim, seria necessário agir mais, inclusive por meio das guardas municipais e dos setores responsáveis pela fiscalização de posturas e pela segurança urbana. Segundo Curi, o controle de problemas que até podem ser considerados "menores" tem o potencial de impedir que áreas sejam gradualmente ocupadas pelo crime organizado.

Delegado eleito defende redução da maioridade penal para 14 anos

Para Delegado Felipe Curi, a legislação penal, processual e de execução penal precisa ser revista para evitar que o trabalho das polícias seja seguido pela rápida liberação de criminosos. Enquanto candidato, também defendeu a redução da maioridade penal.

A proposta apresentada por ele prevê que a idade seja reduzida para 14 anos, acompanhada de uma ampliação do período de internação de adolescentes envolvidos em crimes graves.

Na campanha, Curi foi criticado por representantes da categoria policial por não oferecer planos de reestruturação das carreiras policiais ou investimentos em inteligência e tecnologia. A plataforma dele foi a própria operação que comandara, apresentando-a como prova de coragem e eficiência contra o crime, em um cálculo político que se mostrou vencedor nas urnas.

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