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Disputa pelo Senado

Carlos Bolsonaro enfrenta desafio de converter apoio de Bolsonaro em votos em SC

Carlos Bolsonaro Santa Catarina Quaest
Carlos Bolsonaro e o governador Jorginho Mello defendem a união da direita em Santa Catarina. (Foto: Leo Munhoz/Governo de SC)

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A candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado pelo estado de Santa Catarina expõe o desafio de transformar o peso do sobrenome em votos próprios. Na primeira pesquisa Quaest após a definição das candidaturas, divulgada nesta segunda-feira (24), o ex-vereador do Rio aparece com 16%, tecnicamente empatado com Esperidião Amin (PP), com 19%, e Caroline de Toni (PL), com 12% — a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Caroline de Toni é seguida por Décio Lima (PT), que aparece em quarto lugar, com 9%. A deputada federal e o petista também estão tecnicamente empatados. Os números são referentes ao cenário estimulado, aquele em que o instituto apresenta aos eleitores os nomes dos candidatos concorrentes. Mais do que a posição de cada candidato, o levantamento mostra uma disputa ainda bastante aberta pelas duas cadeiras.

O grau de indefinição aumenta quando os eleitores não recebem uma lista de nomes. Na pesquisa espontânea, 84% não souberam ou não quiseram indicar um candidato, enquanto Carlos aparece com 3%, e Amin e Caroline de Toni têm 4% cada.

A Quaest mensurou ainda o potencial de voto e a rejeição dos candidatos entre o eleitorado catarinense neste momento da campanha. Segundo o levantamento, 45% dos entrevistados dizem que “conhecem e não votam” no candidato do PT.

Carlos Bolsonaro aparece em seguida, com 40% de rejeição do eleitorado. Outros 34% dos entrevistados dizem que “conhecem e votam” no candidato, enquanto 26% afirmam que “não conhecem” o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em meio à campanha, integrantes do PL ouvidos pela Gazeta do Povo admitem que a candidatura ganhou contornos mais complexos desde que Carlos deixou o Rio de Janeiro. O filho do ex-presidente renunciou ao mandato de vereador na capital fluminense no final do ano passado, após sete mandatos consecutivos na Câmara Municipal.

Em seguida, transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina. Ao anunciar a mudança, o então vereador afirmou que a decisão não representava uma saída de seu reduto político. “Não é uma fuga, é a continuidade de uma luta”, disse.

Fora do PL, Amin tenta preservar espaço no eleitorado de direita

A estratégia da migração de estado por Carlos Bolsonaro, anunciada dentro do PL como uma decisão para dar continuidade à atuação política da família, alterou o arranjo que vinha sendo construído para a disputa ao Senado no estado. Antes da entrada de Carlos, a composição previa a candidatura de Caroline de Toni pelo PL e Esperidião Amin pelo PP.

O arranjo político no estado catarinense daria apoio à candidatura de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A chegada do filho do ex-presidente ao estado, no entanto, levou Amin a deixar a chapa e migrar para a aliança de João Rodrigues (PSD), enquanto o PL acabou formando uma chapa pura com Carlos e Caroline.

Segundo a Quaest, o atual senador aparece com o maior nível de conhecimento e potencial de voto entre os candidatos ao Senado. A pesquisa aponta que 47% dos catarinenses entrevistados dizem que conhecem e votariam no candidato do PP, enquanto 31% afirmam que o conhecem, mas não votariam nele. Outros 22% dizem não o conhecer.

Já Caroline de Toni, que também disputa o eleitorado de direita, ainda apresenta um nível maior de desconhecimento do eleitorado: 65% dos entrevistados dizem não a conhecer, enquanto 23% afirmam que conhecem e votariam na candidata do PL e 12% dizem conhecê-la, mas não votariam.

Nesse cenário, Amin tem buscado reforçar a própria identificação com Santa Catarina como principal argumento para se diferenciar dos adversários da direita. Em peças de campanha, o senador passou a se apresentar como “catarinense raiz” e destaca conhecer o estado “de ponta a ponta”, em referência à trajetória como governador e senador por dois mandatos.

A pesquisa Quaest ouviu 804 eleitores de Santa Catarina entre os dias 20 e 23 de agosto de 2026. O levantamento foi contratado pela NC Comunicações S.A., tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SC-00517/2026.

Chapa de Jorginho Mello busca mostrar unidade dentro do PL

Depois de meses de divergências em torno da candidatura de Carlos Bolsonaro, os aliados do governador Jorginho Mello passaram a reforçar publicamente a imagem de unidade da chapa. Além da reeleição ao Executivo estadual, o grupo trabalha para conquistar as duas vagas ao Senado.

Em evento em Florianópolis, Carlos defendeu a união da direita catarinense e fez um aceno a Jorginho Mello, a quem atribuiu parte do trabalho realizado no estado. “Esse cara aqui à minha direita fez em quatro anos o que os outros governadores não fizeram em 30”, disse Carlos.

Na sequência, disse que Jorginho deveria ter mais quatro anos para “cumprir sua missão” e completou: “A gente tem uma Santa Catarina para tornar linda ainda e um Brasil para resgatar.”

Carol de Toni também adotou o discurso de unidade e afirmou que “somos um só time e uma só direção em favor do Brasil”. Segundo ela, a mesma mensagem tem sido repetida em outros eventos do partido pelo país.

Mello, por sua vez, tentou reforçar a imagem de coesão da chapa. “A nossa chapa é chapa perfeita. Não temos que explicar nada para ninguém. A nossa coligação é de gente que se gosta e se respeita.”

Flavio cobrou deputada estadual por apoio ao nome de Carlos Bolsonaro

A tentativa de unificar o discurso do PL em torno da chapa ao Senado acontece dias depois de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, cobrar publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) por um vídeo de apoio à candidatura de seu irmão. A manifestação ocorreu nos comentários de uma publicação feita pela parlamentar no Instagram, na qual ela havia compartilhado um vídeo gravado em maio em que aparece ao lado do senador.

“Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Messias Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão Carlos Bolsonaro”, escreveu Flávio. O senador acrescentou que, caso Campagnolo não pudesse fazer o vídeo, iria compreender, mas pediu que ela também compreendesse se ele solicitasse que ela não usasse mais sua imagem nem a de Jair Bolsonaro.

A cobrança ocorreu depois de manifestações anteriores da deputada sobre a candidatura de Carlos. Em março, Campagnolo havia defendido que um candidato ao Senado deveria conhecer o estado que pretende representar e buscar apoio em Santa Catarina “com gentileza” e “convencimento”, e não “com imposição”.

Em novembro de 2025, durante uma live com a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), Campagnolo já havia questionado a escolha de Carlos. “A única coisa que eu fiz foi discordar de uma estratégia ruim [Carlos como candidato ao Senado de SC]”, afirmou.

Na semana passada, ela também havia criticado a escolha de Rafael Caleffi, ex-prefeito de São Lourenço do Oeste, como suplente de Carlos, cobrando explicações sobre declarações anteriores do político a respeito de Jair Bolsonaro. Após a cobrança de Flávio, Campagnolo respondeu que está comprometida com os objetivos definidos pelo partido no estado.

A deputada indicou ainda estar “à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha” e afirmou não ter recebido novas solicitações da legenda.

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