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Eleição em São Paulo

Tarcísio cria frente ampla para isolar PT e Haddad

Tarcísio e Haddad voltam a trocar farpas
PT tenta convencer Márcio França (PSB) a aceitar o posto de vice na chapa de Haddad, pela análise de que o político agregaria mais votos à campanha do PT do que qualquer outro nome. (Foto: Diego Zacarias/Ministério da Fazenda)

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O governador e candidato à reeleição em São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) não quer assumir risco na disputa contra o ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao cargo, Fernando Haddad — mesmo com a ampla vantagem indicada pelas pesquisas eleitorais: de acordo com dois levantamentos mais recentes, dos institutos Real Time Big Data e Paraná Pesquisas, a diferença entre Tarcísio e Haddad é de 13 pontos percentuais.

Para tanto, o governador paulista vem se esforçando para fechar um amplo arco de apoio partidário do centro à direita, com o intuito de isolar e restringir o teto de crescimento do petista, o segundo colocado nas intenções de voto — principalmente no interior do estado, que justamente garantiu a vitória de Tarcísio sobre Haddad no segundo turno em 2022, como indica o mapa de votação final divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O último movimento deste xadrez eleitoral aconteceu na última sexta-feira (12), com a declaração de apoio à reeleição de Tarcísio feita pela federação das siglas Solidariedade-PRD. No vídeo de anúncio aparecem lado a lado o governador de São Paulo; o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB); o presidente estadual do Solidariedade, Paulinho da Força; e os presidentes do diretório paulista e nacional do PRD, Alexandre Pereira e Ovasco Resende.

"Nós viemos aqui para dizer que estamos com o senhor no seu palanque e vamos dar todo apoio necessário à sua reeleição neste grande projeto para São Paulo. São Paulo não pode parar, precisa avançar", afirma Resende no vídeo. "Tarcísio, viemos aqui trazer todo apoio a você. São Paulo precisa continuar contigo e a nossa federação estará junto contigo”, declara o deputado federal Paulinho da Força, ao lado do governador. 

Além do Solidariedade e do PRD, o palanque da reeleição do Republicanos conta com PL, União, MDB e Podemos confirmados oficialmente. No último dia 9, Tarcísio reuniu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo na capital paulista, para o anúncio de R$ 801 milhões destinados à área da Saúde dos 645 municípios paulistas, o presidente da Assembleia Legislativa do estado, André do Prado (PL); o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o vice-governador, Felício Ramuth (MDB) — no início de maio, Tarcísio confirmou a permanência de Ramuth como vice na chapa.

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PSD segue firme na coalisão em torno de Tarcísio

O anúncio ocorre no momento em que a atual gestão à frente do estado reorganiza a articulação política para disputar a reeleição em 2026: desde março, quando Gilberto Kassab (PSD) deixou a Secretaria de Governo e Relações Institucionais para se dedicar à própria sigla, a função está concentrada nas mãos de Roberto Carneiro (Republicanos), que já havia assumido a Casa Civil em janeiro com a missão de melhorar a relação com aliados.

O PSD reúne entre 207 e 212 prefeitos entre os 645 municípios paulistas e, após uma onda de filiações, passou a deter a maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). De acordo com o que afirma à Gazeta do Povo um integrante do PSD em São Paulo próximo tanto de Kassab quanto de Tarcísio, apesar do afastamento entre os dois após Kassab não ter sido escolhido como vice na chapa do governador, o que provocou a saída de Ramuth da sigla, o PSD segue firme oficialmente na coalisão. 

No início de maio, o partido Progressistas, presidido pelo senador Ciro Nogueira, adiou um evento no qual declararia o apoio oficial da sigla à reeleição de Tarcísio. O adiamento aconteceu depois que Nogueira foi alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga as relações do senador com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

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Cancelamento de evento com pompa para anunciar apoio do Progressistas foi decisão conjunta com Tarcísio

Integrantes do Progressistas em São Paulo afirmam à Gazeta do Povo que a decisão foi tomada em conjunto, depois de uma conversa entre o governador e o senador. A avaliação foi de que um evento com pompa oficial poderia ser motivo de desgaste para os dois naquele momento.

Apesar disso, o apoio do Progressistas à reeleição de Tarcísio é dado como certo, assim como o dele à candidatura ao Senado do ex-secretário estadual da Segurança Pública e deputado federal Guilherme Derrite. Junto com Prado, Derrite forma a chapa majoritária do governador ao Senado.

Na pesquisa Real Time Big Data divulgada na última terça-feira (16), Tarcísio segue na liderança nas intenções de voto para o governo paulista. No primeiro cenário de pesquisa estimulada — quando uma lista de nomes é apresentada aos participantes –, Tarcísio tem 46% das intenções de voto contra 33% de Haddad.

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) aparece com 8% das intenções de voto, enquanto o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) foi escolhido por 6% dos eleitores. Os votos nulos e brancos representam 4% dos participantes; outros 3% não sabem ou não responderam.

No segundo cenário estimulado pela pesquisa eleitoral, o governador de São Paulo marca 49% das intenções de voto. Haddad aparece com 33% e Paulo Serra com 10%. Nulos e brancos são 4%, mesmo índice dos que não sabem ou não responderam.

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Concorrência direta entre Tarcísio e Haddad acirra embate direto entre os dois

Sem adversários à vista retrovisor, pelo menos neste momento da pré campanha, o candidato à reeleição e o candidato petista centram fogo um no outro. Na segunda-feira (15), por exemplo, ambos trocaram farpas sobre o legado do terceiro mandado no governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto Tarcísio afirmou que Lula será lembrado pela “perda de oportunidade”, Haddad reagiu dizendo que o país vive um período de crescimento econômico com responsabilidade fiscal e social. 

“A gente deixou de aproveitar uma grande oportunidade. Ela está passando embaixo dos nossos olhos”, declarou Tarcísio durante um evento da revistaVeja em São Paulo.

“Nós não estamos perdendo oportunidade. O Brasil está crescendo com sustentabilidade fiscal e social”, rebateu Haddad no mesmo evento.

Com o palanque restrito aos partidos de esquerda tradicionalmente aliados ao PT, como PSOL, PCdoB e PSB — e com poucas chances de expansão do arco partidário para uma campanha com mais capilaridade no interior do estado, onde os partidos de centro e de direita têm mais força — Haddad ainda enfrenta dificuldades para organizar a própria chapa.

São três nomes para duas vagas na disputa do Senado por São Paulo. Os ex-ministros de Lula Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) estão no páreo e já demonstraram que não pretendem abrir mão.

A decisão caberá a Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), disse Haddad a jornalistas no evento da Veja em São Paulo. Conforme um petista próximo à campanha do ex-ministro disse à Gazeta do Povo, o PT tenta convencer França a aceitar o posto de vice na chapa de Haddad, pela percepção interna de que o político do PSB paulista agregaria mais votos à campanha de Haddad do que qualquer outro nome.

Metodologia das pesquisas citadas

  • Real Time Big Data: 2.000 entrevistados no estado de São Paulo, nos dias 13 a 15 de junho de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Registro no TSE nº SP-09734/2026.
  • Paraná Pesquisas: 1.640 entrevistados entre os dias 18 e 20 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,5 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº SP-02706/2026.

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