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Eleições 2026

O confronto que tem potencial para antecipar a disputa para presidente em 2030 

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad são apontados como possíveis sucessores para disputar a Presidência em 2030. (Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)

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A disputa pelo governo de São Paulo nas eleições deste ano é considerada uma possível antecipação do cenário que vai brigar pela Presidência da República em 2030. No confronto estadual direto entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), o estado de São Paulo é palco com potencial de "prévia", com os nomes considerados como sucessores nas alas de esquerda e direita, respectivamente.

No primeiro embate eleitoral promovido pela TV Band no último dia 9, o discurso de Haddad e de Tarcísio foi nacionalizado, dando o tom do que seria uma espécie de porta-vozes do presidente Lula (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Junto ao debate de assuntos específicos do estado de São Paulo, como obras locais, a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ou do serviço de trens da empresa CPTM, Haddad e Tarcísio ampliaram as falas para questões nacionais, como risco fiscal, gastos públicos e atração de investimentos.

“O posicionamento de Haddad e Tarcísio no debate eleitoral mostra que ambos não estão apenas focados em São Paulo, mas já estão de olho na disputa presidencial em 2030”, analisa o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino.

Fim da reeleição entra em negociação

O futuro político de Haddad e de Tarcísio depende diretamente do desdobramento das eleições majoritárias que se decidirão em outubro. Haddad é apontado como possível sucessor de Lula tendo em perspectiva a possibilidade de o presidente ser reeleito em 2026, já que, neste caso, o líder do PT não poderia disputar a reeleição pela terceira vez consecutiva em 2030.

Do lado de Tarcísio, não é segredo que muitos setores, como o Centrão político nacional e o mercado financeiro, o preferiam como candidato representante do espectro da direita já neste ano. Flávio Bolsonaro (PL) concedeu declarações de que, se eleito presidente, não tentaria um segundo mandato e a promessa está incluída em plano de governo do candidato.

No documento, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) propõe uma reforma política na qual defende o fim da reeleição. O documento cita a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 4/2026, de autoria do senador, que visa acabar com um segundo mandato consecutivo.

De acordo com apuração da Gazeta do Povo junto a pessoas próximas à família Bolsonaro, no momento, a prioridade da campanha é a eleição de Flávio, ainda que seja necessário negociar a PEC em troca de apoio político.

Candidatura em 2030 começa a tomar corpo a partir do resultado em outubro

Além dos desdobramentos de 2026, o fato de Tarcísio e Haddad chegarem a 2030 credenciados para uma eventual disputa a presidente depende das articulações e preferências de muitas lideranças políticas. Tarcísio nunca foi apontado como herdeiro nacional do espólio político do sobrenome Bolsonaro, sendo que o ex-presidente sempre preferiu transferi-lo a seu núcleo familiar.

“Precisamos esperar para ver o que acontecerá, mas talvez a família Bolsonaro perca relevância nos próximos anos. Jair pode continuar preso e Flávio se encrencar mais com os desdobramentos do Banco Master”, avalia o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino. “Tarcísio terá mais facilidade em disputar 2030 sobretudo se Lula vencer, porque o governador de São Paulo conta com a simpatia dos partidos do Centrão”, complementa o analista.

Para Rogério Lins Barbosa, autor do livro "Eleições 2026: uma bifurcação na história do Brasil", chama a atenção o fato de Lula não ter deixado um sucessor. "Como Tarcísio deve ser reeleito em 2026 e não poderá se reeleger uma terceira vez em São Paulo, é um nome que com certeza estará na mesa para 2030. Ele é uma das figuras mais completas em termos de política e sempre enaltece a capacidade do Bolsonaro projetar seus indicados, o que contrasta com Lula, que sempre quer ser a estrela maior e não projeta seus auxiliares", diz Barbosa.

Lula aponta condições para liderança de Haddad

O ex-ministro de Lula, por sua vez, oscila para ser apontado por Lula como herdeiro político. No último dia 14, Lula afirmou, em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, que Haddad "precisa de um pouco mais".

"Para ser líder, [Haddad] precisa ter um pouco mais disso. Tem que ser o primeiro a chegar no lugar, tem que ser o último a sair. Tem que carregar as cadeiras para sentar, ser disposto a repartir com as pessoas as coisas. Tem que ir pra luta e tem que ter coragem de dizer as coisas boas", afirmou o presidente.

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