Publicidade
Eleições 2026

Votação recorde de Tarcísio revela perfil do eleitor no maior colégio do país

O governador Tarcísio de Freitas, de terno azul-marinho, camisa branca e gravata verde estampada, fala em um púlpito com dois microfones e aponta com a mão direita para a frente. Ao lado dele, sobre a bancada, há um martelo de madeira apoiado em uma base. Ao fundo, um painel azul com letras brancas, em leilão na B3.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito no primeiro turno com a maior votação já registrada para governador de São Paulo. (Foto: Sebastião Moreira/EFE)

Ouça este conteúdo

Em mais uma eleição marcada pela polarização, os números que deram a Tarcísio de Freitas (Republicanos) mais quatro anos no cargo de governador com votação recorde apontam para um eleitor paulista voltado a resultados práticos e à aprovação da gestão pública estadual em curso.

No domingo (4), o governador paulista venceu no primeiro turno com 14.491.874 votos, o correspondente a 62,65% dos votos válidos, contra 8.423.656 (36,42%) de Fernando Haddad (PT). É a maior votação e o maior percentual para governador de São Paulo desde 1998, primeiro ano da série histórica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Tarcísio bateu o próprio recorde, de 13.480.643 votos no segundo turno de 2022, e superou a maior votação em primeiro turno, de José Serra (PSDB) em 2006, e o maior percentual, de Geraldo Alckmin, então no PSDB, que teve 58,64% dos votos válidos no segundo turno de 2002.

Os votos atravessaram os dois lados da polarização. Tarcísio venceu na capital, cidade que Haddad governou entre 2013 e 2016, com 52,76% dos votos válidos contra 46,09% do petista, e ganhou em 38 das 57 zonas eleitorais. No estado, o governador reeleito superou os 12.922.023 milhões de votos que o aliado Flávio Bolsonaro (PL) recebeu para presidente.

Consultor atribui votação de Tarcísio às entregas da gestão

Para Felipe Alves, sócio da Idealis Comunicação, consultoria de marketing político, o resultado mostra um eleitor que escolhe pelo que o governo entregou. "O eleitor de direita que não é bolsonarista quer um cara que tenha trajetória e resultado", afirma.

Alves observa que a vitória não se explica só pelo antipetismo nem apenas pelo apoio de Jair Bolsonaro (PL), que lançou Tarcísio na política. "Ele não é um cara que precisa do Bolsonaro para poder governar. Ele é muito grato ao presidente Bolsonaro, sempre será, mas conseguiu governar São Paulo de uma forma muito qualificada e com projetos estruturantes", explica.

O consultor cita as obras, concessões e privatizações que viraram vitrine do primeiro mandato. "Entregar metrô, fazer a privatização da Sabesp (a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), o trem de Sorocaba, o trem de Campinas", exemplifica.

Ele também vê na reeleição um sinal da força política do governador, que se candidatou com o apoio de mais de dez partidos na coligação. "Trouxe o MDB, o Podemos, os partidos de centro e centro-direita para estar junto na sua estrutura", lembra.

Tarcísio manteve tom moderado da gestão durante a campanha

De acordo com aliados de Tarcísio ouvidos pela Gazeta do Povo, ao longo do mandato, a moderação fez parte do perfil do governador, que prefere o caminho técnico ao embate ideológico. A trajetória de Tarcísio ajuda a explicar esse perfil.

Engenheiro formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e oficial do Exército, fez carreira técnica no setor de infraestrutura. Trabalhou no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em governos do PT e depois foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro.

A moderação apareceu em diversos movimentos que mexeram com o país e foi novamente percebido no caso do Banco Master. Quando o escândalo chegou a aliados políticos, Tarcísio concentrou declarações na defesa da investigação. Já na campanha, ao ser perguntado se a cobrança por transparência valia também para Flávio Bolsonaro, respondeu que sim.

"Tudo tem que ser passado a limpo. Eu defendo transparência absoluta", disse o governador, que procurou ficar distante do caso no auge das denúncias e na sessão histórica sobre a abertura de julgamento para investigar o ministro Alexandre de Moraes.

"O Tarcísio é um cara de direita moderada, ele mede muito o que vai fazer, o que vai falar, quais os passos que vai dar. Não é a todo custo que as coisas têm que acontecer", diz Felipe Alves.

Tarcísio supera Flávio Bolsonaro em votos no estado e na capital

Um sinal de que o voto em Tarcísio foi além do eleitorado da família Bolsonaro está na comparação com a disputa presidencial. No estado, o governador ultrapassou em 1,5 milhão a votação que Flávio recebeu para presidente.

Na capital, a diferença foi de 472.949 votos. Tarcísio superou Flávio em todas as 57 zonas eleitorais da cidade, inclusive naquelas em que perdeu para Haddad na disputa pelo governo. Na última segunda-feira (5), Tarcísio se reuniu com Flávio em Brasília para acertar a participação na campanha do segundo turno da eleição presidencial, cuja votação ocorre em 25 de outubro.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.