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Em meio à crise do STF

Com elogios a Fachin e pedidos de transparência, Tarcísio e Haddad evitam atacar ministros

De olho nas eleições, os principais candidatos a governador em São Paulo Tarcísio e Haddad evitam se manifestar sobre a crise no STF.
Tarcísio e Haddad evitam tomar lado e atacar ministros publicamente. (Foto: Imagem criada utilizando o ChatGPT com fotos de Larissa Navarro/Alesp e Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)

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Em situações eleitorais bem diferentes nesta reta final rumo ao primeiro turno das eleições 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu principal rival no pleito, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), têm adotado uma postura comum e cautelosa em relação à crise sem precedentes que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em meio a declarações de apoio ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e cobranças por transparência em todas as apurações em curso no supremo, Tarcísio e Haddad evitam tomar lado e atacar ministros publicamente, em meio ao racha no plenário do STF em torno das apurações do caso Master e da relação do banqueiro preso Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes e outros.

Até o final da manhã nesta quarta-feira (16), nenhum dos dois candidatos havia se pronunciado sobre a sessão histórica no plenário do STF ocorrida um dia antes. Uma passada pelas redes sociais dos dois também é sintomática.

No perfil de Tarcísio no Instagram, nenhuma postagem sobre a crise do STF nos últimos dias. O governador paulista em busca de reeleição tem se dedicado a publicar sobre temas da campanha, como propostas e resposta a cobranças de problemas da população.

A situação é parecida na página de Haddad na mesma rede social, apesar de ele não ter conseguido fugir do assunto: em uma postagem da terça-feira, dia do início das discussões sobre a situação de Moraes no plenário do STF, Haddad reproduz um trecho em vídeo de entrevista coletiva durante agenda de campanha na capital naquela manhã. "O país não pode conviver com informações incompletas sobre investigações com autoridades, familiares e candidatos”, afirmou aos jornalistas ao ser questionado sobre a crise.

"Por isso, defendo transparência total: abre tudo de uma vez. Eu não tenho medo da transparência. A luz do sol é o melhor caminho para corrigir os desmandos da política brasileira”, acrescentou o candidato do PT ao governo de São Paulo.

A tônica cautelosa é a mesma que Haddad já havia adotado ao falar sobre o assunto ao longo da última semana, sempre pedindo o fim de todo o sigilo em torno dos inquéritos do escândalo do Banco Master no STF. Na sexta-feira (11), o petista havia dito genericamente que era necessário corrigir as instituições brasileiras quando forem identificadas irregularidades.

“Se o STF está errado, tira do Supremo quem está criando problema para o Supremo. Se a Polícia Federal tem alguma coisa errada, tira da PF o policial que está fazendo errado. Isso vale para qualquer agremiação”, afirmou durante sabatina à Rádio Pop Aparecida.

No domingo, em ato de campanha na Avenida Paulista, Haddad destacou a atitude do presidente do STF, Edson Fachin, e afirmou que o país teria uma oportunidade de “passar o país a limpo” caso seja quebrado o sigilo dos celulares de Daniel Vorcaro. 

Mantendo o tom cauteloso, Tarcísio também havia elogiado Fachin na semana passada. "A decisão que ele tomou é, de certa forma, a decisão para botar um freio de arrumação, para botar ordem nas coisas, para trazer um pouco mais de segurança jurídica”, afirmou na quinta-feira (10).

“O Supremo tem que dar as respostas, isso tem a ver com a segunda pergunta que se fez sobre a operação [que ocorreu naquele dia, em torno do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro]. Nós temos também defendido que o esclarecimento de tudo que está ligado ao nosso tem que ser integral. Tudo tem que dar as respostas, tudo tem que ser escrutinado, tudo tem que ser investigado”, continuou o governador de São Paulo.

"A gente precisa saber exatamente cada passo que aconteceu, quem está envolvido, o que foi pago, para quem foi pago, por que que foi pago, e isso é importante”, acrescentou Tarcísio.

Estratégia eleitoral de Tarcísio e Haddad passa pelo eleitor de centro

A cautela em ambos os casos, entre outros motivos, pode se justificar pela situação eleitoral de ambos. Tarcísio tem chances de liquidar a eleição já no primeiro turno. Para isso, precisa dos votos de eleitores mais centristas, distantes do espectro tradicional dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que formam sua base dura no estado. Qualquer declaração mais à direita sobre o assunto STF pode afugentar alguns eleitores estratégicos neste momento.

A situação de Haddad, por sua vez, é bem mais delicada. Com a possibilidade de derrota ainda na primeira rodada de votações, tem de conquistar o mesmo eleitor de de centro que, hoje, está majoritariamente com Tarcísio, conforme indicam as sondagens eleitorais. Para isso, a estratégia é demonstrar distância da crise e cobrar explicações, ao lado do cidadão comum, mas sem “largar a mão” de aliados históricos e recentes envolvidos no turbilhão da crise do STF.

A pesquisa de intenção de voto do instituto Real Time Big Data divulgada na segunda-feira (14) mostra Tarcísio com 53% da preferência dos eleitores e, assim, venceria no 1º turno a eleição ao governo de São Paulo. Haddad aparece em segundo, com 36%. Brancos e nulos somaram 5%, enquanto 4% não souberam ou não responderam. Outros 2% disseram que votariam em outros nomes para o governo do Estado.

O levantamento também mediu a rejeição dos candidatos ao governo de São Paulo. Os resultados apontam que Haddad tem 40% de rejeição, enquanto Tarcísio tem 32%; 1% não soube ou não respondeu. No caso de um segundo turno entre os dois, Tarcísio aparece na frente com a preferência de 57% dos eleitores, contra 38% de Haddad — neste cenário, 3% votaria nulo ou branco e 2% dos entrevistados não respondeu.

A pesquisa entrevistou 2.000 pessoas de 9 a 12 de setembro de 2026. A margem de erro é 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O grau de confiança do levantamento é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-02794/2026. O estudo custou R$ 30.000 e foi pago com recursos próprios. 

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