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Caso avança

TSE admite ação de Flávio contra Lula por desfile da Acadêmicos de Niterói

Senador pede cassação do registro de candidatura. Petista terá cinco dias para se defender.
Senador pede cassação do registro de candidatura. Petista terá cinco dias para se defender. (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu uma ação do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e de seu vice, Alfredo Gaspar (PL), contra o presidente Lula (PT), pelo desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que decidiu homenagear o petista. A decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Antonio Carlos Ferreira, é desta sexta-feira (18).

Além de Lula, são incluídos no polo passivo o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), a primeira-dama, Janja da Silva, o presidente da Embratur à época dos fatos, Marcelo Freixo, e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves Barreto (PDT).

Ainda não é o momento de definir se houve de fato alguma irregularidade eleitoral. Nesta fase, Ferreira reconheceu que Flávio e Gaspar têm legitimidade para apresentar a ação e entendeu que a petição inicial descreve de forma suficiente fatos que podem, em tese, caracterizar abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Agora, os investigados serão citados para apresentar defesa no prazo de cinco dias. A decisão sobre os pedidos de produção de provas ficará para depois das manifestações das defesas.

Flávio pede inelegibilidade de Lula

Flávio Bolsonaro alega que o financiamento público do desfile foi indevido, uma vez que Lula concorre à reeleição. O senador aponta a exibição na TV e internet comprometeu a igualdade de oportunidade entre os candidatos.

Com isso, pede a cassação do registro de candidatura da chapa Lula/Alckmin, bem como a declaração de inelegibilidade até 2034. Para tentar convencer os magistrados, solicita os depoimentos de Janja, Freixo e Barreto.

A Gazeta do Povo entrou em contato com as assessorias do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Janja da Silva, com o PT, com a Embratur, para manifestação de Marcelo Freixo, e com a Prefeitura de Niterói, para manifestação do prefeito Rodrigo Neves. O espaço segue aberto para manifestação.

Novo terá que explicar por que Alckmin está em ação semelhante

Em agosto, Ferreira aceitou outra ação com o mesmo tema, movida pelo partido Novo. O partido lançou a candidatura à Presidência do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Para o presidente da legenda, a admissibilidade indica a necessidade de investigação.

O processo do Novo, porém, é mais enxuto, focando apenas em Lula e Alckmin. Cita, porém, o mesmo núcleo factual e as mesmas atribuições de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

No mesmo dia em que avançou com o processo de Flávio, o ministro avançou no processo do Novo. Lula já havia se defendido, alegando que a homenagem faz parte da tradição carnavalesca e que apenas autorizou o uso de seu nome, sem interferir, além de argumentar que os repasses públicos foram isonômicos entre as escolas.

O que o Novo terá de defender em cinco dias, porém, é que Alckmin realmente deveria estar na ação. O vice-presidente alegou ilegitimidade passiva, uma vez que não há nenhuma conduta voltada a ele. Além disso, questionou as provas que o partido precisa produzir, classificando como amplos e genéricos os pedidos de envio de ofício. Assim, a sigla terá de justificar, uma a uma, as testemunhas e diligências pretendidas.

TSE já negou liminares sobre o assunto

O TSE já havia rejeitado medidas relacionadas ao desfile, mas sem julgar o mérito das acusações atuais. Em fevereiro, o plenário negou pedidos para barrar preventivamente a apresentação, sob o argumento de que a medida poderia representar censura prévia.

Em março, o corregedor Antonio Carlos Ferreira rejeitou um pedido do PL para antecipar a produção de provas, por entender que a legenda não demonstrou a necessidade da medida judicial.

O caso já havia chegado ao TSE antes mesmo do desfile. Em fevereiro, duas representações por propaganda eleitoral antecipada ficaram sob relatoria da ministra Estela Aranha, indicada ao tribunal por Lula. O plenário rejeitou por unanimidade os pedidos para impedir previamente a apresentação, mas ressalvou que eventuais ilícitos poderiam ser apurados depois.

O que foi o evento

O desfile de Acadêmicos de Niterói ocorreu em 15 de fevereiro de 2026, a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A escola foi a primeira a desfilar, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

Nas alas, mostravam-se trechos da história de vida do petista e representações críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado como um palhaço preso e com tornozeleira eletrônica.

Lula acompanhou a apresentação de um camarote ao lado de Janja, Geraldo Alckmin e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e chegou a descer à pista para cumprimentar integrantes da escola. Janja estava prevista para participar do último carro alegórico, mas desistiu e foi substituída pela cantora Fafá de Belém.

A Acadêmicos de Niterói terminou na 12ª e última colocação, com 264,6 pontos, e foi rebaixada para a Série Ouro de 2027.

Financiamento público é o centro da controvérsia

O núcleo das acusações é o uso de dinheiro público para financiar uma homenagem a Lula em ano eleitoral. A Embratur disponibilizou R$ 12 milhões para as 12 escolas do Grupo Especial, sendo R$ 1 milhão a cada escola.

Na Prefeitura de Niterói, Rodrigo Neves já havia prometido, antes do anúncio de julho de 2025 de que Lula seria homenageado, que continuaria apoiando financeiramente as escolas. A lei que permitiu os repasses, porém, veio em outubro de 2025. Com ela, a Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 4 milhões.

Já a Prefeitura do Rio de Janeiro destinou R$ 2,15 milhões para cada uma das 12 escolas, por meio da Riotur. O valor é o mesmo que já era praticado em 2023 e 2024. Para o Novo, mesmo sem aumento ou beneficiamento específico, deve ser apurado o uso de dinheiro público para financiamento de um benefício eleitoral a Lula.

O governo do Rio de Janeiro patrocinou o desfile por meio de um contrato de R$ 40 milhões entre a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Cada escola recebeu R$ 2,5 milhões. Os R$ 10 milhões restantes financieram a operação e a infraestrutura da sapucaí. À época, o Executivo era chefiado por Cláudio Castro (PL), que autorizou a liberação do investimento.

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