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Eleições no RJ

Zanin cobra TSE sobre ação do PSD para contestar eleição de Ruas no RJ

Cristiano Zanin
Ministro do STF dá cinco dias para Tribunal Superior Eleitoral explicar decisão que anulou 274 mil votos de Anthony Garotinho. (Foto: Carlos Moura/STF)

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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) preste informações sobre a ação do PSD que tenta forçar um segundo turno na eleição para o governo do Rio de Janeiro. O partido contesta a exclusão dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) do cálculo dos votos válidos, procedimento que permitiu declarar Douglas Ruas (PL-RJ) eleito no primeiro turno.

Após a manifestação do TSE, o processo deverá ser encaminhado à Advocacia-Geral da União (AGU) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Garotinho participou da votação com o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), enquanto recursos sobre o caso ainda aguardavam análise do TSE.

Os votos de Garotinho foram inicialmente computados, o que levou à convocação de um segundo turno entre os candidatos mais votados. No entanto, uma semana depois em meio ao vai-e-vem de decisões judiciais, o político desistiu de recorrer e seus votos foram anulados, abrindo margem para a eleição de Ruas em primeiro turno – passou de 49,27% para 50,88%.

O PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes, porém, sustenta que os votos de Garotinho não poderiam ser excluídos retroativamente para definir se a disputa deveria ter sido encerrada no primeiro turno. A legenda argumenta que os eleitores puderam votar no candidato e que a retirada posterior dos votos afeta a segurança jurídica e a confiança no processo eleitoral.

“A medida liminar, pelo relator, ad referendum do Plenário, para suspender, até o julgamento do mérito desta ADPF, os efeitos do acórdão prolatado pelo Colendo Tribunal Superior Eleitoral, no julgamento do Recurso Ordinário Eleitoral [...] determinando-se ao TSE e ao TRE/RJ que restabeleçam a convocação do segundo turno para eleição ao cargo de Governador do Estado do Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 2026”, diz pedido do PSD.

Esta não é a primeira vez que a eleição para o governo fluminense chega ao Supremo neste ano, após outra disputa judicial envolvendo a possibilidade de uma eleição suplementar em razão da renúncia e da inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). Agora, o impasse se concentra na validade do cálculo eleitoral que garantiu a vitória de Ruas sem segundo turno.

Zanin já havia analisado uma primeira iniciativa de Paes para suspender os efeitos da decisão do TSE, mas negou o pedido naquele momento. O ministro apontou a ausência de um recurso extraordinário necessário no tribunal eleitoral e a falta do acórdão do julgamento no processo, sem decidir definitivamente o mérito da ação.

Na semana passada, o PSD voltou ao STF com uma nova ação para contestar a interpretação adotada pelo TSE sobre os votos de Garotinho. A solicitação de informações determinada por Zanin dá sequência à análise do caso, mas não representa, por si só, uma decisão favorável à realização de um segundo turno.

O mérito da disputa ainda depende da tramitação no Supremo e das manifestações solicitadas aos órgãos envolvidos. Até que haja uma decisão sobre a contestação, permanece em discussão a interpretação jurídica que levou à proclamação de Douglas Ruas como vencedor no primeiro turno.

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