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Eleições 2026

Apoio antecipado a Flávio Bolsonaro deixa sequelas no Novo na reta final para o 1º turno

Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, de óculos e terno escuro, fala a jornalistas diante de microfones de emissoras, com um homem ao fundo.
Mesmo pressionado, Romeu Zema (Novo) mantém a candidatura à Presidência, mas perdeu a última vitrine antes do primeiro turno com o cancelamento do debate da Globo. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

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Mesmo pressionado por integrantes do próprio Novo a abandonar a disputa pela Presidência, Romeu Zema decidiu seguir candidato e impôs uma condição para uma eventual desistência: só deixaria a corrida se outros nomes da direita fizessem o mesmo movimento.

A resistência ocorre enquanto uma parcela majoritária do partido defende a união em torno de Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno. A avaliação é do presidente do Novo em São Paulo, Fernando Henrique Meira de Castro.

Em entrevista à Gazeta do Povo, ele afirmou que o principal argumento dentro da legenda é "aproveitar qualquer chance de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sem correr o risco de um segundo turno". Meira de Castro declarou ainda que: "Esse é o grande argumento de uma parte relevante dentro do partido. Talvez majoritária, eu não diria unanimidade, mas uma parte grande do partido [acredita nisso].

"Não é apoiar o Flávio em si, é tirar o Lula. Se fosse o Caiado, se fosse qualquer outro candidato com chance de tirar o Lula, esse raciocínio seria o mesmo", complementou.

Zema condiciona desistência à saída em bloco da direita

A condição foi apresentada pelo próprio Zema na terça-feira (29), em jantar do grupo Esfera Brasil. O ex-governador de Minas Gerais argumentou que a desistência de um único candidato não mudaria o quadro, já que a eleição caminha para ser decidida em dois turnos.

Se um bloco de candidatos da direita abrisse mão em favor de Flávio, ponderou Zema, "aí muda de figura". Ele mesmo, porém, tratou o cenário como improvável. E foi direto sobre o primeiro turno, ao dizer que não se aliou a Flávio até neste momento e que não irá se aliar antes da votação em primeiro turno.

Zema admitiu ter recebido "diversos pedidos" para deixar a disputa, inclusive de integrantes do Novo e do PL, e disse que vai anunciar seu apoio no segundo turno ainda na noite de domingo (4), contra o PT.

"Fica, na minha opinião, muito feio para um time sair de campo antes do jogo acabar", afirmou. "Eu nunca desisti de nada na vida, por que agora depois de velho que eu vou desistir?" Na pesquisa Quaest mais recente, publicada nesta segunda-feira (28), Zema somou 1% das intenções de voto no cenário estimulado.

Novo liberou apoio a Flávio com aval de Zema

A pressão sobre Zema cresceu depois que Ricardo Salles (Novo) desistiu da eleição ao Senado por São Paulo para apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Não que a candidatura de Salles tivesse empolgado até então: pesquisa Quaest divulgada alguns dias antes mostrava que ele somava 8% das intenções de voto.

A liberdade para apoiar Flávio, no entanto, não é nova dentro do partido Novo. Segundo o presidente da sigla em São Paulo, a decisão foi tomada entre junho e julho, quando o Novo confirmou a candidatura de Zema, em reunião em Brasília.

"Já estava autorizado aos candidatos, com o conhecimento do Zema, que tínhamos candidatos que iriam apoiar o Flávio e nós daríamos essa liberdade. Isso é uma coisa pacificada dentro do partido", afirmou. O dirigente citou candidatos paulistas a deputado federal que, segundo ele, condicionaram sua filiação à possibilidade de apoiar Flávio desde o início, como o ativista político Pedro Pôncio e o vereador de Bauru Eduardo Borgo.

A única linha vermelha, disse Fernando Henrique Meira, é a esquerda: "É muito diferente se alguém for apoiar o Lula. Aí isso não está autorizado, isso geraria problemas".

Voto útil em Flávio divide o partido de Zema na reta final

A novidade desde a semana passada é a migração de quem estava com Zema. Meira de Castro descreve o movimento como adesão ao voto útil, motivada pela leitura de que Flávio poderia crescer na última semana e vencer Lula ainda no primeiro turno.

Em São Paulo, de acordo com o presidente estadual do Novo, a maior parte dos candidatos apoia Zema. Os que foram para Flávio, afirmou, são sobretudo os mais antigos e mais conhecidos da legenda, o que ajuda a explicar o peso do movimento mesmo sendo minoritário na chapa paulista.

Meira de Castro preferiu não revelar a própria posição. Ele lembrou que comanda 164 candidaturas no estado, entre 94 candidatos a deputado estadual e 70 a deputado federal, além do candidato ao Senado até a desistência de Salles e do candidato a presidente. Sobre Zema, disse que a decisão é exclusivamente dele.

Apoios antecipados a Flávio incomodam parte do Novo

Nem todos no partido receberam bem as adesões feitas a Flávio tendo Zema ainda na disputa. Nos grupos de WhatsApp da legenda, o apoio antecipado de nomes históricos do Novo ao candidato do PL pegou mal, segundo um integrante que se manifestou em caráter reservado.

Na avaliação dele, a atitude soou oportunista no sentido de tentar ganhar votos e constrangedora para o candidato à presidência da própria sigla. A crítica mira principalmente quem tem trajetória construída dentro do Novo, como Marina Helena, candidata do partido à prefeitura de São Paulo em 2024. Ela disputa uma vaga para deputada federal é um dos nomes citados internamente que passou a apoiar Flávio Bolsonaro.

Em nota, Marina Helena afirmou que Zema recebeu "com serenidade" seu apoio a Flávio. "Ele sabe a importância do Novo eleger uma bancada relevante de deputados e de tirar o Lula do poder. Ele está pensando no Novo e no Brasil, não nele", disse. Ela também afirmou que a campanha de Zema "não empolgou" e que "essa é a hora de a direita se unir, criando uma onda que leve à vitória no primeiro turno".

Metodologia das pesquisas citadas

  • Quaest presidente: 2.004 entrevistados pela Quaest de 24 a 27 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-06520/2026.
  • Quaest Senado São Paulo: 1.800 entrevistados pela Quaest de 19 a 22 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A - TV/Rede/Globo.com/canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº SP-02456/2026.

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