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Voto útil

Flávio aposta em debate da Globo para tentar vencer Lula no 1º turno

Flávio Bolsonaro debate Globo Lula
Flávio Bolsonaro aposta no debate da Globo para atrair votos da direita e buscar vantagem sobre Lula antes do primeiro turno (Foto: EFE/ Antonio Lacerda)

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Anunciada no último fim de semana, a participação de Flávio Bolsonaro (PL) no debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º) faz parte da estratégia da campanha para tentar derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno. A expectativa é de que o candidato aproveite a visibilidade da emissora para atrair eleitores que sinalizam voto em outros candidatos de centro e centro-direita nesta reta final da disputa.

O movimento ocorre depois de uma aproximação numérica entre os dois principais candidatos nas pesquisas de intenção de voto. Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24), Lula aparece com 40%, contra 36% de Flávio na sondagem estimulada de primeiro turno.

No pelotão de trás, Augusto Cury (Avante) tem 5%; Ronaldo Caiado (PSD), 4%; Renan Santos (Missão), 3%; e Romeu Zema (Novo), 1%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Diante desse cenário, a campanha do PL passou a concentrar o discurso no chamado voto útil e a pedir que eleitores que ainda apoiam outros candidatos de direita reconsiderem a escolha. A avaliação da cúpula da campanha é de que essas candidaturas representam a principal reserva de votos disponível antes da eleição.

Ao confirmar a presença no debate durante uma agenda em Goiânia no último fim de semana, Flávio afirmou que pretende “desmascarar” o atual presidente. “Vou no debate da Globo. Está confirmado. Ele que lute. Eu quero ir para lá debater com ele”, disse Flávio.

A decisão representa uma mudança de postura do candidato do PL em relação ao debate. Até então, Flávio vinha condicionando sua participação à presença de Lula no encontro. A campanha trabalhava com a possibilidade de o senador priorizar agendas de rua caso o presidente não confirmasse presença.

Integrantes do PL ouvidos pela Gazeta do Povo, no entanto, admitem que a campanha passou a tratar o debate como uma oportunidade de exposição eleitoral independentemente da participação do petista. A estratégia também permite à campanha explorar o eventual não comparecimento de Lula como parte do discurso de confronto entre os dois candidatos na reta final.

“Eu estou chamando o Lula para o debate: ‘Lula, eu quero você no debate da Globo, vem debater comigo porque eu vou esfregar a verdade na sua cara e vou mostrar que o meu projeto de Brasil é melhor que o seu’”, afirmou Flávio.

Flávio tenta atrair votos de candidatos de direita na reta final

A campanha de Flávio Bolsonaro acredita que a presença no debate pode fortalecer a estratégia de atrair parte dos eleitores que ainda pretendem votar em outros candidatos de direita. A aposta é que a proximidade entre o senador e Lula nas pesquisas aumente a disposição desse eleitorado a mudar de escolha para evitar que os votos fiquem pulverizados entre diferentes candidaturas.

No Datafolha, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) somaram 13% das intenções de voto. Para o PL, esse grupo representa o principal espaço de crescimento da candidatura nos últimos dias antes da votação.

A ofensiva já aparece nas redes sociais e nos discursos de Flávio, que passou a pedir diretamente que eleitores da direita reconsiderem a escolha. A campanha também orientou apoiadores a reforçar a mensagem de que, diante da proximidade entre os dois primeiros colocados, seria necessário concentrar os votos em uma candidatura para tentar decidir a eleição já no primeiro turno.

O movimento começou a receber apoio de lideranças de outros partidos. Nesta segunda-feira (28), o senador Carlos Viana (PSD-MG), cujo partido tem Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, declarou apoio a Flávio para o primeiro turno.

“A Bíblia já ensina: ou quente ou frio. O morno não serve. Então, vamos botar quente. Nessa reta final, meu apoio é a Flávio Bolsonaro no primeiro turno para varrermos a esquerda do nosso país”, afirmou.

A campanha também pretende levar esse esforço para as últimas agendas do candidato, com concentração de compromissos no Sudeste. A região é considerada importante para ampliar a votação de Flávio e alcançar eleitores que ainda não definiram a escolha ou que permanecem com outras candidaturas de oposição.

“Você que está escolhendo uma candidatura diferente de Flávio, está pensando em votar no Flávio no segundo turno, eu peço humildemente: considere já votar em mim no primeiro turno, para a gente resolver logo e começar a resgatar o país o mais rápido possível”, disse Flávio.

Flávio mira eleitorado católico no debate da Globo; PT ainda discute ida de Lula

A campanha de Flávio também pretende aproveitar o debate para reagir à repercussão da falsa informação que associou o candidato a uma suposta iniciativa para retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O episódio ganhou força nas redes sociais na reta final e passou a ser tratado pelo PL como um dos temas que exigem resposta direta do candidato antes do primeiro turno.

Mesmo após Flávio negar a informação, a avaliação da campanha é de que o assunto continuou mobilizando perfis de esquerda e alcançou repercussão relevante nos últimos dias. A equipe do candidato considera que o debate pode ser uma oportunidade para esclarecer sua posição diante de um público amplo e falar diretamente com o eleitorado católico.

Na preparação para o debate, Flávio deve concentrar as falas em segurança pública e custo de vida, segundo informações da campanha. O candidato também pretende criticar Lula pelo uso da estrutura do governo e pela adoção de medidas na reta final que, na avaliação do PL, têm caráter eleitoral.

A preparação está sendo conduzida pelo marqueteiro Duda Lima, e a equipe também se prepara para eventuais questionamentos sobre o Banco Master, tema que vem sendo explorado pelos adversários. A orientação interna é manter o foco no desgaste do governo e no antipetismo, mas evitar declarações improvisadas sobre temas sensíveis que possam criar um novo foco de desgaste para a candidatura.

Enquanto Flávio confirmou que participará do debate independentemente da presença de Lula, o petista ainda não definiu se irá ao encontro. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda que Lula quer confrontar o candidato do PL, mas que a participação dependerá das regras estabelecidas pela emissora.

“O presidente Lula quer muito confrontar o Flávio Bolsonaro. É o que ele mais quer. Agora, ele quer um modelo de debate onde ele possa confrontar o que ele defende para o Brasil com aquilo que a família Bolsonaro defende”, afirmou Edinho em entrevista à TMC.

Segundo o dirigente petista, Lula pretende participar desde que o formato permita uma contraposição direta entre os dois candidatos. “O presidente Lula quer, sim, ir aos debates, desde que seja um debate onde ele possa confrontar o que ele pensa, o que ele defende, o modelo que ele defende para o Brasil e com aquilo que o Flávio Bolsonaro representa. Mas ele só poderá fazer isso se as regras do debate permitirem”, disse.

O debate da TV Globo está marcado para esta quinta, às 21h30, depois do Jornal Nacional, e será o último confronto entre os presidenciáveis antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Além de Lula e Flávio, a emissora convidou Ronaldo Caiado e Augusto Cury.

Pela legislação eleitoral, têm participação garantida nos debates transmitidos por emissoras de rádio e televisão os candidatos filiados a partidos, federações ou coligações que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional.

Os demais candidatos podem ou não ser convidados pelas emissoras e pelos organizadores dos debates. Para o debate da Rede Globo, nomes como Romeu Zema e Renan Santos não foram convidados.

Metodologia da pesquisa citada na reportagem

O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas nos dias 22 e 23 de setembro de 2026. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00304/2026.

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