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Campanha eleitoral

Quem é Adolfo Sachsida, ex-braço direito de Paulo Guedes que entra para equipe de Flávio

Adolfo Sachsida passa a integrar coordenação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro ao lado da economista Daniella Marques
Adolfo Sachsida passa a integrar coordenação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro ao lado da economista Daniella Marques (Foto: Edu Andrade/Ascom/ME)

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A escolha de Adolfo Sachsida para reforçar a coordenação do plano econômico de Flávio Bolsonaro (PL) coloca no entorno do candidato um dos nomes mais identificados com a agenda liberal do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Servidor de carreira do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) desde 1997, Sachsida participou das discussões econômicas do grupo de Bolsonaro desde a campanha eleitoral de 2018 e integrou sua equipe de transição.

Com o início do mandato, tornou-se um dos auxiliares de confiança do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, no comando da Secretaria de Política Econômica (SPE).

Em maio de 2022, assumiu o Ministério de Minas e Energia (MME) em meio a uma forte pressão sobre o governo provocada pela alta dos combustíveis, que acabou derrubando seu antecessor, Bento Albuquerque.

Logo em seu primeiro pronunciamento como ministro, anunciou que pediria estudos para a desestatização da Petrobras. Na passagem pelo MME, o principal marco de sua gestão foi a conclusão do processo de capitalização da Eletrobras, que passou o controle da empresa à iniciativa privada.

Com o ingresso na campanha de Flávio, ele reforçará a coordenação do plano econômico ao lado da economista Daniella Marques, outra importante aliada de Guedes no Ministério da Economia.

Na discussão da estratégia econômica do senador do PL, Adolfo Sachsida manterá a defesa dos princípios do liberalismo econômico, fundamentando-se, segundo ele, “nas políticas mais modernas e bem-sucedidas já testadas no mundo”.

O plano seguirá três pilares, segundo explicou à Gazeta do Povo. O primeiro é a consolidação das contas públicas, "por meio do controle dos gastos e sem aumento de impostos”.

O segundo é o aumento da produtividade, o estímulo a investimentos e a geração de mais empregos e renda, por meio de desburocratização, desregulamentação, digitalização de serviços públicos, redução de tributos e reformas pró-mercado.

Por último, ele cita a inclusão social produtiva, “garantindo a cada brasileiro uma verdadeira rampa de ascensão social, baseada na qualificação, no trabalho, no empreendedorismo e na liberdade de construir o próprio futuro”.

Adolfo Sachsida critica LulaAdolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro, (Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)

Adolfo Sachsida foi braço direito de Paulo Guedes

Nascido em Londrina, no Paraná, Sachsida é formado em Ciências Econômicas e em Direito. Tem mestrado e doutorado em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-doutorado pela Universidade do Alabama, nos Estados Unidos. Foi ainda professor em instituições brasileiras e na Universidade do Texas.

É autor de livros como Fatores determinantes da riqueza de uma nação, A crise de 2007-09: uma explicação liberal e A política econômica brasileira no período 2019-2022 , este último escrito com Paulo Guedes.

À frente da Secretaria de Política Econômica, Sachsida esteve envolvido na formulação e divulgação de boa parte da agenda econômica do governo Bolsonaro. Seu trabalho era concentrado na avaliação de medidas e projeções macroeconômicas, mas sua atuação ganhou dimensão política na defesa de reformas pró-mercado e do diagnóstico liberal adotado pela equipe liderada por Guedes.

Em entrevista à Gazeta do Povo em abril de 2022, pouco antes de assumir o MME, Sachsida destacou que a equipe econômica já havia conseguido elevar o Brasil ao status de “porto seguro do investimento internacional” com o avanço de uma ampla agenda de reformas microeconômicas.

Na época, 23 projetos já haviam sido total ou parcialmente aprovados, incluindo a Lei de Falências, o novo marco do saneamento, a nova Lei de Licitações, a autonomia do Banco Central, o marco cambial, o marco do gás e a legislação sobre agências reguladoras.

Além disso, mesmo sem a aprovação de uma reforma administrativa, uma série de medidas ajudou a levar o gasto federal com pessoal ao menor nível em pelo menos 25 anos, o que passou a ser chamado de “reforma administrativa silenciosa”.

Os princípios são os mesmos que norteiam a estratégia que será adotada agora na campanha de Flávio. Para o economista, o equilíbrio das contas públicas cria as condições para a redução de juros e a expansão sustentável da economia, enquanto reformas microeconômicas aumentariam a eficiência e a segurança para investimentos.

Sachsida defende regra fiscal baseada na trajetória da dívida pública

Depois de deixar o governo Bolsonaro, Adolfo Sachsida manteve atuação pública como economista e passou a escrever regularmente sobre política econômica. Na Gazeta do Povo, assinou uma coluna entre julho de 2023 e abril de 2026. Sua posição permanece fortemente associada à responsabilidade fiscal e à redução da intervenção estatal na economia.

Seu ingresso na campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro ajuda a indicar a direção da política econômica pretendida pelo candidato do PL. O programa de Flávio já previa um “tesouraço” nas despesas públicas, redução do número de ministérios, combate a supersalários e penduricalhos, revisão de benefícios tributários, privatizações e concessões, além de uma nova regra fiscal destinada a controlar a trajetória da dívida, embora não detalhasse como seria esse limitador.

Para Sachsida, uma âncora fiscal crível e reformas microeconômicas são condições necessárias para elevar o crescimento potencial do país.

Em março deste ano, ele escreveu que não existe política social sustentável sem responsabilidade fiscal e criticou o que considera uma substituição de reformas estruturais por aumento de impostos e expansão de gastos.

Ele defende uma nova regra fiscal baseada na trajetória da dívida pública em relação ao PIB, em vez de simplesmente estabelecer limites para determinadas despesas. Essa ideia também aparece no conjunto de propostas econômicas que passou a ser chamado de “Projeto Brasil”.

Trata-se de 200 medidas legislativas, entre propostas de emenda à Constituição (PECs), projetos de lei, medidas provisórias e outros instrumentos. Sachsida afirma que o conjunto foi elaborado para enfrentar quatro frentes: consolidação fiscal, aumento da produtividade, geração de emprego e renda e inclusão social produtiva.

A proposta começou a ser estruturada muito antes da formalização de seu ingresso na equipe de Flávio e, segundo o economista, não foi originalmente concebida para um candidato específico, embora ambos já mantivessem conversas antes do anúncio de sua participação na campanha.

Na semana passada, em uma publicação em suas redes sociais, Sachsida afirmou que um eventual quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levaria o Brasil a uma crise fiscal profunda, com consequências “econômicas, sociais e institucionais difíceis de reverter”.

A tendência, nesse cenário, seria haver um aumento nos gastos públicos federais e um ambiente mais hostil para o mercado, com uma “blindagem” do Supremo Tribunal Federal (STF).

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