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A propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio começa em 28 de agosto. Lula (PT) terá a maior fatia da propaganda eleitoral na televisão em 2026, mas a vantagem não garante, por si só, uma vitória nas urnas. Desde 1994, o candidato com mais tempo de TV venceu cinco das oito eleições presidenciais em que a comparação é possível. Em três disputas, o vencedor tinha menos espaço que o principal adversário.
Lula terá cerca de 5 minutos e 32 segundos por bloco de propaganda, segundo estimativa baseada na representatividade partidária divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado em tempo de exposição, deverá ter cerca de 4 minutos e 20 segundos. Juntos, os dois devem concentrar aproximadamente 79% dos 12 minutos e 30 segundos disponíveis em cada bloco.
A vantagem de Lula também aparecerá nas inserções, os comerciais de 30 ou 60 segundos exibidos ao longo da programação das emissoras. A estimativa é de que o petista tenha 433 inserções de 30 segundos durante o primeiro turno, contra 340 de Flávio.
Isso significa que Lula começará a campanha com uma vantagem objetiva de exposição. A experiência das últimas eleições, porém, mostra que o tempo de televisão é um recurso eleitoral importante, mas está longe de determinar sozinho quem chegará ao Palácio do Planalto.
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Cinco vitórias em oito eleições
Desde 1994, quando as eleições para presidente, governador, senador e deputados passaram a ser realizadas simultaneamente, cinco candidatos que lideravam o horário eleitoral também terminaram eleitos, de acordo com levantamento feito pelo Poder360. Foram Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998; Dilma Rousseff, em 2010 e 2014; e Lula, em 2022.
Nos outros três pleitos, o candidato com maior tempo de propaganda não venceu.
Em 2002, José Serra (PSDB) tinha 10 minutos e 23 segundos de propaganda, enquanto Lula dispunha de 5 minutos e 19 segundos. O petista, porém, venceu a eleição no segundo turno e chegou pela primeira vez à Presidência.
Quatro anos depois, Geraldo Alckmin (PSDB) novamente tinha vantagem expressiva sobre Lula. O tucano contava com 10 minutos e 22 segundos de propaganda, contra 7 minutos e 21 segundos do petista. Lula venceu novamente no segundo turno.
O caso mais emblemático ocorreu em 2018. Geraldo Alckmin tinha 5 minutos e 32 segundos de horário eleitoral, enquanto Jair Bolsonaro, então no PSL, dispunha de apenas oito segundos. Mesmo com uma diferença de exposição de centenas de vezes, Bolsonaro chegou ao segundo turno e venceu Fernando Haddad (PT).
Como funciona a conta para definir o tempo de TV e de rádio
O cálculo que determina o tempo de TV e de rádio é resultado da composição partidária da disputa e das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados em 2022.
O TSE considera 510 deputados federais de partidos e federações que atenderam aos critérios da cláusula de desempenho. Pela legislação, 90% do tempo são distribuídos proporcionalmente ao tamanho das bancadas, enquanto os 10% restantes são divididos igualmente entre as legendas e federações que cumprem os requisitos.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, tem 81 deputados considerados no cálculo. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, tem 98. A diferença na disputa presidencial ocorre porque Lula reúne outras legendas em torno de sua candidatura, enquanto Flávio não conseguiu agregar partidos à sua chapa nacional.
Na prática, o tamanho da bancada transforma alianças partidárias em minutos de propaganda.
O resultado é que apenas quatro candidatos à Presidência terão direito ao horário eleitoral gratuito em 2026: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão tempo de propaganda por não atenderem aos critérios exigidos pelo TSE.
E se houver segundo turno?
No segundo turno, a lógica muda. O tempo de propaganda em bloco é dividido igualmente entre os dois candidatos que avançarem na disputa, independentemente do tamanho das alianças partidárias construídas no primeiro turno.
A Lei das Eleições estabelece que, onde houver segundo turno, o horário destinado à propaganda presidencial será repartido de forma igual entre os dois concorrentes. As inserções também seguem regras específicas para essa etapa.
Assim, a vantagem obtida no primeiro turno pela maior estrutura partidária deixa de existir na divisão dos blocos de propaganda caso Lula e Flávio, por exemplo, sejam os dois candidatos que avancem.
Até lá, porém, o cenário é de uma eleição em que Lula parte com a maior estrutura de propaganda na televisão e no rádio. A situação é especialmente significativa porque, pela primeira vez desde a redemocratização, apenas um candidato à Presidência — Lula — chega à disputa com alianças nacionais além do próprio partido, enquanto os demais concorrentes com acesso ao horário eleitoral estão em chapas de uma única legenda.



