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Propaganda eleitoral

Lula terá mais tempo de TV em 2026, mas histórico mostra limite da vantagem

Tempo de TV será maior para Lula do que para Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Tempo de TV será maior para Lula do que para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Carlos Moura/Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR))

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A propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio começa em 28 de agosto. Lula (PT) terá a maior fatia da propaganda eleitoral na televisão em 2026, mas a vantagem não garante, por si só, uma vitória nas urnas. Desde 1994, o candidato com mais tempo de TV venceu cinco das oito eleições presidenciais em que a comparação é possível. Em três disputas, o vencedor tinha menos espaço que o principal adversário.

Lula terá cerca de 5 minutos e 32 segundos por bloco de propaganda, segundo estimativa baseada na representatividade partidária divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado em tempo de exposição, deverá ter cerca de 4 minutos e 20 segundos. Juntos, os dois devem concentrar aproximadamente 79% dos 12 minutos e 30 segundos disponíveis em cada bloco.

A vantagem de Lula também aparecerá nas inserções, os comerciais de 30 ou 60 segundos exibidos ao longo da programação das emissoras. A estimativa é de que o petista tenha 433 inserções de 30 segundos durante o primeiro turno, contra 340 de Flávio.

Isso significa que Lula começará a campanha com uma vantagem objetiva de exposição. A experiência das últimas eleições, porém, mostra que o tempo de televisão é um recurso eleitoral importante, mas está longe de determinar sozinho quem chegará ao Palácio do Planalto.

Cinco vitórias em oito eleições

Desde 1994, quando as eleições para presidente, governador, senador e deputados passaram a ser realizadas simultaneamente, cinco candidatos que lideravam o horário eleitoral também terminaram eleitos, de acordo com levantamento feito pelo Poder360. Foram Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998; Dilma Rousseff, em 2010 e 2014; e Lula, em 2022.

Nos outros três pleitos, o candidato com maior tempo de propaganda não venceu.

Em 2002, José Serra (PSDB) tinha 10 minutos e 23 segundos de propaganda, enquanto Lula dispunha de 5 minutos e 19 segundos. O petista, porém, venceu a eleição no segundo turno e chegou pela primeira vez à Presidência.

Quatro anos depois, Geraldo Alckmin (PSDB) novamente tinha vantagem expressiva sobre Lula. O tucano contava com 10 minutos e 22 segundos de propaganda, contra 7 minutos e 21 segundos do petista. Lula venceu novamente no segundo turno.

O caso mais emblemático ocorreu em 2018. Geraldo Alckmin tinha 5 minutos e 32 segundos de horário eleitoral, enquanto Jair Bolsonaro, então no PSL, dispunha de apenas oito segundos. Mesmo com uma diferença de exposição de centenas de vezes, Bolsonaro chegou ao segundo turno e venceu Fernando Haddad (PT).

Como funciona a conta para definir o tempo de TV e de rádio

O cálculo que determina o tempo de TV e de rádio é resultado da composição partidária da disputa e das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados em 2022.

O TSE considera 510 deputados federais de partidos e federações que atenderam aos critérios da cláusula de desempenho. Pela legislação, 90% do tempo são distribuídos proporcionalmente ao tamanho das bancadas, enquanto os 10% restantes são divididos igualmente entre as legendas e federações que cumprem os requisitos.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, tem 81 deputados considerados no cálculo. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, tem 98. A diferença na disputa presidencial ocorre porque Lula reúne outras legendas em torno de sua candidatura, enquanto Flávio não conseguiu agregar partidos à sua chapa nacional.

Na prática, o tamanho da bancada transforma alianças partidárias em minutos de propaganda.

O resultado é que apenas quatro candidatos à Presidência terão direito ao horário eleitoral gratuito em 2026: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Candidatos como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não terão tempo de propaganda por não atenderem aos critérios exigidos pelo TSE.

E se houver segundo turno?

No segundo turno, a lógica muda. O tempo de propaganda em bloco é dividido igualmente entre os dois candidatos que avançarem na disputa, independentemente do tamanho das alianças partidárias construídas no primeiro turno.

A Lei das Eleições estabelece que, onde houver segundo turno, o horário destinado à propaganda presidencial será repartido de forma igual entre os dois concorrentes. As inserções também seguem regras específicas para essa etapa.

Assim, a vantagem obtida no primeiro turno pela maior estrutura partidária deixa de existir na divisão dos blocos de propaganda caso Lula e Flávio, por exemplo, sejam os dois candidatos que avancem.

Até lá, porém, o cenário é de uma eleição em que Lula parte com a maior estrutura de propaganda na televisão e no rádio. A situação é especialmente significativa porque, pela primeira vez desde a redemocratização, apenas um candidato à Presidência — Lula — chega à disputa com alianças nacionais além do próprio partido, enquanto os demais concorrentes com acesso ao horário eleitoral estão em chapas de uma única legenda.

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