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Caserna

A farda, o fardo e a glória

Policiais precisam estar preparados para situações inusitadas do dia a dia em comunidade

José Reina: “controle emocional faz parte do nosso treinamento” | Gilberto Abelha/Jornal de Londrina
José Reina: “controle emocional faz parte do nosso treinamento” (Foto: Gilberto Abelha/Jornal de Londrina)

No dia a dia, um policial se depara com inúmeras situações porque está sempre em contato com a população e, muitas vezes, é a única manifestação do Estado disponível. Isso leva a comunidade a requisitá-los para todo tipo de adversidade. Foi o que aconteceu com o cabo Joel Chaves, na situação que, segundo ele, foi a mais inusitada em seus 25 anos de carreira.

Na manhã do dia 27 de julho, Chaves e os colegas do destacamento do 13.º Batalhão de Curitiba foram surpreendidos pelos pedidos de socorro de um jovem que estava com a mulher no carro já em trabalho de parto. Assim que viram a situação da gestante, os policiais chamaram o Siate. "Eu percebi que não ia dar tempo. Pedi uma luva cirúrgica e tomei a frente para fazer o parto."

Apesar de não ter nenhuma experiência, a não ser o acompanhamento do parto do próprio filho, Chaves não hesitou em ajudar o casal na emergência. "Eu agi muito por instinto. Na polícia, a gente só recebe treinamento básico para prestar primeiros socorros", explica. "Eu penso que, se não for pra encarar qualquer coisa, estou na profissão errada. Não fui herói. Eu fiz o que um policial deveria fazer", diz ele.

Em situações como essa, o policial desmitifica a imagem puramente repressiva que a polícia tem. E mostra que há profissionais dedicados a exercerem bem seu trabalho, mesmo quando é preciso colocar a própria vida em risco. "Medo a gente tem, mas só pensa nele depois que cumpre a tarefa", revela Chaves.

No mesmo dia em que o parto foi realizado em Curitiba, dois policiais da 4.ª Companhia Inde­pendente de Londrina se arriscaram em uma operação que resultou na prisão de 11 pessoas que formavam uma quadrilha de roubo de carros sob encomenda.

Na rua, o sargento Francisco Rodrigues e o soldado Luiz Galvão foram informados, por rádio, do roubo de um carro. Eles localizaram o veículo e, com a prisão, souberam da existência de um barracão usado para esconder os veículos. "Nós deixamos a viatura e fomos com os três ladrões no carro. A gente não sabia quantas pessoas havia no barracão e se estavam armados", conta Rodrigues.

Depois de prender mais seis pessoas e apreender três armas e mais dois carros, os policiais descobriram, através de uma ligação feita para um dos ladrões, que dois receptadores aguardavam a entrega de um carro com placas trocadas. "Novamente, nos infiltramos entre eles e fomos ao encontro dos receptadores, que também acabaram presos."

Prevenção

Além de zelar pela segurança e tranquilidade da sociedade, às vezes colocando em risco a própria vida, policiais se dedicam a projetos sociais que visam à construção da cidadania e a prevenção da criminalidade.

Em 2002, o 5.º Batalhão da Polícia Militar de Londrina criou o Cidadão Mirim, um projeto de contraturno escolar desenvolvido com crianças de 8 a 13 anos em situação de vulnerabilidade social. "A ideia nasceu numa região bastante carente da cidade, para tirar as crianças da rua e afastá-los das drogas e da violência", conta o coordenador do projeto, subtenente Vilmar Giroldo.

Com apoio da Igreja e da própria comunidade, o projeto já atendeu a cerca de 900 crianças, com atividades esportivas, culturais, religiosas, além de palestras educativas. "Desde 2002, não tivemos mais envolvimento desses menores em delitos."

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