
Em 2009, gangues e assassinatos cometidos por jovens assolaram a região metropolitana de Vancouver, na costa oeste do Canadá. Única exceção, Richmond resistiu à turbulência. Não por acaso. A cidade, de 180 mil habitantes, colhia os resultados de um inovador sistema de segurança iniciado sete anos antes. No período, a delinquência juvenil caiu à metade, a taxa de reincidência baixou a 5%, as reclamações contra os policiais reduziram em 70%, para citar algumas melhoras. Richmond virou case internacional, e seu método de resolução de problemas já foi estudado por 53 países.
Há um nome por trás das mudanças: Ward Clapham, primeiro comandante de polícia no Canadá escolhido diretamente pelo município, com aval da Polícia Real Montada Canadense (RCMP, na sigla em inglês). Aos 42 anos, Ward se tornou o comandante mais jovem entre todos os chefes dos maiores destacamentos do Canadá. Ele levaria a unidade a uma nova direção, rompendo com velhas mentalidades.
No início, viu a equipe com o moral baixo, diante de uma cultura de obediência rígida e políticas antiquadas. As denúncias de crimes estavam pelas dezenas de milhares e a delinquência juvenil vinha em uma alta histórica. Os oficiais de polícia estavam muito ocupados, respondendo chamadas, sem tempo para serem pró-ativos. Linhas sempre ocupadas, havia uma fila de chamadas de crime e emergência que a polícia tinha de responder.
"Minha equipe estava cansada e amargurada. Não tinha tempo para investigar os crimes nem tempo para ser pró-ativa, para se engajar em atividades que resolveriam os problemas", explica. "Estávamos operando num modelo corretivo reativo e pós-incidental, pondo curativos nos problemas e não chegando às suas raízes."
Ward sabia que teria de implantar um novo modelo. "Estávamos sendo julgados e recompensados pelo número de crimes denunciados, pelo quão rápido respondíamos aos crimes, pelo número de crimes resolvidos, de queixas prestadas, de pessoas indo para a cadeia e pelo tempo de condenação", observa. "O que se fazia em Richmond não estava errado, só estava incompleto. Precisávamos mudar para um modelo de preparação, não de reparação".
Para Ward, o peso das políticas e procedimentos de uma organização é proporcional à falta de inovação e de criatividade interna. Ele percebeu que deveria ser ríspido com os problemas, mas brando com as pessoas.
Ward começou entrevistando seu pessoal e a comunidade. "Saí da patrulha policial, me pus em seus lugares. Dava ouvidos sem expectativas, agendas políticas ou preconceitos. Deixava meu pessoal desabafar, se sentir ouvido e compreendido", explica. Para ele, dar ouvidos é como deixá-los "respirar psicologicamente".
Business
Para combater a delinquência juvenil e implementar o policiamento comunitário, Ward criou iniciativas pró-ativas chamadas "business" apoiadas em contribuições financeiras do empresariado. Dobrou o número de policiais dedicados a trabalhar com jovens. "Nossos contribuintes e empresários apoiaram a prevenção de crimes porque pudemos demonstrar a eles que isso era bom para seus negócios e para a comunidade".







