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Entrevista

“A Copa não pode ficar com a CBF”

O deputado federal Sílvio Torres (PSDB-SP), 60 anos, reeleito com 131.197 votos na eleição do dia 1.º, tem tudo para se tornar figura central no debate envolvendo política esportiva no Congresso. Atuante na área, foi o relator da CPI Nike-CBF (instaurada em 2000 e 2001), chega cotado para ser o próximo ministro da pasta, caso ocorra a vitória do tucano Geraldo Alckmin.Por que o sr. defende uma intervenção na candidatura brasileira à Copa de 2014?Trata-se de um evento importante, que envolve muitos interesses. Algo milionário. Não pode ficar na mão da CBF, pois ela está longe de possuir idoneidade e competência. Seus dirigentes mal conseguem administrar a própria entidade, imagine algo desse porte...O sr. cogita até a criação de um grupo parlamentar para fiscalizar?Eu vou fiscalizar. Mas seria bom ter um comitê organizador formado por gente honesta e competente da sociedade. Caberia à CBF apenas a parte institucional.O PSDB também pensa em criar uma ajuda interministerial para o Pan. Como funcionaria?O Pan será o nosso cartão de visitas para a Copa e a Olimpíada de 2016. Se o evento não for bem-sucedido, teremos dificuldades. Hoje existe o Co-Rio, mas que enfrenta dificuldades pelas diferenças políticas entre o poder municipal, estadual e federal. Eles não mantêm diálogo.E o Estatuto do Desporto? Vai sair do papel?Estamos debatendo esse tema desde 2001. Em cinco anos, houve duas comissões especiais discutindo o Estatuto. Ele está pronto para ir ao plenário. Pode até não atender a todo mundo, mas é o que temos. Eu acho que ele deve ser votado no próximo ano. Esse Congresso não tem moral diante de tantos escândalos. Não seria conveniente. Afinal de contas, o Estatuto será o ponto de partida para qualquer mudança no esporte.Como o senhor analisa a implantação da Timemania?Gostaria de vincular esse benefício aos clubes que se tornassem sociedade empresarial esportiva. O que seria isso? Os diretores respondendo pela administração das equipes. Traria assim modernidade e transparência. Mas ninguém seria obrigado a seguir esse modelo. Teríamos dois estilos de gestão: o antigo, com gente que não deixa o poder, acumulando dívidas e fracassos; e o moderno, com competência, transparência e profissionalismo.Em uma eventual vitória do candidato Geraldo Alckmin, o senhor assume o Ministério do Esporte?Isso é especulação. Meu compromisso é fazer o Geraldo presidente. Com ele, estarei bem em qualquer lugar, especialmente na Câmara.§ Rodrigo Fernandes

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