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Fórmula 1

Acelerar a recuperação é o novo desafio de Massa

São Paulo - "E aí?", indaga Felipe Massa na che­­gada para a entrevista no salão de festas do apartamento dele em São Paulo. Veste uma camiseta polo branca com o símbolo da Fer­­rari no peito. No rosto, as marcas do acidente ainda são visíveis. Cicatriz grossa, vermelha, seguindo da sobrancelha à têmpora, pálpebra inchada e a parte inferior do olho ligeiramente roxa. Massa pouco lembra do acidente na Hungria. E nem quer. A intenção agora é acelerar a recuperação.

Volta às pistas

Tenho de esperar mais um pouco, o que é chato. Mas não me sinto ainda 100% em condições de voltar. Não suportaria a vibração dentro do carro. Sinto também a cicatriz. Minha vista esquerda não está 100%. Continua melhorando rápido, mas começou com 40%, passou para 80% e semana passada chegou a 95%. Em setembro vou fazer mais uma tomografia e depois pensar em fazer os testes para voltar a correr.

Acidente

Achei um acidente ridículo, um acidente tonto. Não via mola. Eu apaguei na batida, não vivi aqueles momentos na pista. Deu para enxergar no capacete como foi forte. Um impacto de uns 200 quilos. Houve um grande efeito no meu cérebro, mas não senti dor. Quando acordei parecia um ele­­fan­­te. Imagina acordar no hospital e não saber que havia batido no treino? Como todo piloto, eu voltaria ontem a correr, sempre foi mi­­nha paixão.

Consequências

Do ponto de vista psicológico o acidente não gerou efeito em mim. Já sofri acidente muito mais feio. Perdi o freio, bati forte e sai do carro com o botão do volante no capacete. Quero voltar a pilotar já, mas não depende apenas de mim. Não vou regressar às corridas sem estar 100%, mas tirar o pé (do acelerador), no kart ou na Fór­­­mula 1, não vai acontecer co­­migo. Es­­pe­­ro voltar mais forte. Medo eu não tenho!

Raikkonen

Me mandou um cartão postal. É o jeito do Kimi. Não consigo imaginá-lo fazendo coisa diferente.

Schumacher

O Michael Schumacher foi me ver no hospital, conversamos bastante, me contou que deu al­­­­gu­­mas voltas com o carro de 2007, mas que sentia dores no pes­­coço quando passava nas on­­dulações e perdia um pouco a visão. Estava preocupado. De­­pois fez o exame e deu que não poderia correr. Falei por telefone com ele, estava bastante chateado.

Recuperação

Não posso fazer atividades fí­­sicas, por ser o jeito mais rá­­pido de melhorar. Não sou de comer muito, me alimento normalmente, está dando para manter o peso. Em casa assisto a filmes, fico no computador. É a parte cha­­ta, não poder fazer muita coisa. Acho que terei ainda de fa­­zer uma cirurgia plástica na ci­­catriz, que é meio grande, mas pode ser depois do cam­­peo­nato.

Hospital

Foi engraçado. Teve momento de eu levantar da cama e di­­zia "estou indo embora". Mas acabava voltando. Quem estava lá do meu lado dizia "o cara é louco". Foi muito difícil.

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