
Em uma nota de menos de sete linhas, divulgada no fim da tarde de ontem, o Coritiba confirmou que encampou o movimento de esvaziamento do Clube dos 13, a entidade que até então congregava os 20 principais times do país.
Após o Corinthians anunciar seu desligamento do C13, o Coritiba se uniu a Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco na turma dos dissidentes, formando uma espécie de poder paralelo dentro do futebol brasileiro com a anuência e a participação direta da CBF nas negociações.
Grêmio, Goiás e Vitória seguem, de forma não oficial, o mesmo rumo. Cruzeiro, Santos e Palmeiras estão na iminência de optar por decisão semelhante.
Por trás do racha, que faz o C13 correr sério risco de extinção, as tratativas pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro a partir de 2012.
A Gazeta do Povo entrou em contato ontem com o presidente alviverde Jair Cirino, autor do texto que fala, entre outras coisas, em "preservar, em primeiro plano, os legítimos interesses do clube e do futebol paranaense". Cirino procurou manter um tom conciliatório. Disse que o Coritiba, seguindo o exemplo das quatro equipes do Rio de Janeiro, pretende "apenas negociar com a televisão um contrato mais vantajoso para o clube".
"Não queremos sair, não é essa a ideia. Podemos até voltar atrás na decisão [de negociar paralelamente] se o Clube dos 13 acatar as nossas reivindicações", ressaltou ele, esquecendo que o estatuto da entidade proíbe terminantemente esse tipo de artimanha.
Um dos responsáveis por gerir o futebol coxa, Ernesto Pedroso é mais contundente. Para ele, não existe meio-termo. "Foi um consenso dentro do Coritiba. Chegou o momento de definição e a tendência política é mesmo de saída", revelou. Vilson Ribeiro de Andrade, o principal dirigente alviverde, não atendeu a reportagem.
Influenciados por Ricardo Teixeira, presidente da CBF, o grupo deve iniciar conversações com a Rede Globo. A emissora carioca, impulsionada pela desistência de parte dos times mais populares do Brasil, avisou ontem que não pretende encaminhar nenhuma proposta ao C13, desistindo da concorrência que conta ainda com a RedeTV! e a Record entre as tevês abertas a formação de uma nova liga ganhou força nos bastidores.
O Atlético, contudo, preferiu se manter do outro lado da briga assim como São Paulo, Internacional, Atlético-MG, Bahia, Portuguesa, Sport e Guarani. Estes seguem apoiando irrestritamente o C13. Marcos Malucelli, mais importante dirigente rubro-negro, é também um dos vices da entidade.
"Não é bom para a unidade do Clube dos 13, mas não é por isso que a organização vai acabar. É uma perda considerável, mas o trabalho segue normalmente sem o Corinthians [único a se desligar oficialmente]", disse o dirigente, ontem à tarde, logo após ter participado de uma reunião de emergência, no escritório do C13, no Jardim Paulista, em São Paulo.
Além de Fábio Koff, presidente do grupo, representantes de São Paulo e Inter compuseram a mesa. "A expectativa é conseguir algo em torno R$ 500 milhões", emendou ele, avisando que a tendência é de que a verba destinada ao Furacão passe dos atuais R$ 12 milhões para R$ 25 milhões por temporada caso o C13 saia vitorioso do leilão.
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