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Brasileiro

Além da honra, cofre rubro-negro também está em jogo com permanência na Série A

Atlético evita falar do assunto, mas risco de queda faz o clube se preocupar também com os prejuízos fora de campo

Antônio Lopes, técnico do Atlético, tenta acertar o time para as últimas seis rodadas | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
Antônio Lopes, técnico do Atlético, tenta acertar o time para as últimas seis rodadas (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

Além da honra dos torcedores de permanecer há 16 anos na elite do futebol brasileiro, o Atlético luta nas seis últimas rodadas do Nacional para permanecer com o cofre cheio em 2012.

Um dos quatro clubes que tiveram superávit em 2010 – ao lado de Cruzeiro e Corinthians e São Paulo –, o Furacão corre em campo para não comprometer a saúde financeira na deficitária Segundona.

De acordo com a empresa de consultoria esportiva BDO RCS, o Coritiba, por exemplo, teve uma queda de 30% de receita entre 2009 e 2010, quando caiu à Série B. O endividamento do Coxa, neste período, também teve um acréscimo na mesma porcentagem.

Para o Rubro-Negro, se o pior ocorrer, há pelo menos um atenuante inédito. A partir de 2012, conforme o acordo selado com a Rede Globo, o time rebaixado não terá um decréscimo nos valores da cota de tevê no primeiro ano de segundo escalão nacional. Melhor: o valor atual do contrato (R$ 15 milhões) saltaria para R$ 29 milhões.

Com isso, calcula-se que o principal problema será mesmo a ‘desvalorização’ do clube: despencam, por exemplo, os valores de patrocinadores – tanto de camisa quanto de placas no estádio.

Estudos ainda mostram que a venda de produtos com a marca do rebaixado diminui, principalmente nos seis primeiros meses fora da elite – havendo uma recuperação no segundo semestre se o desempenho da equipe em campo ajudar.

Segundo Rodrigo Barros, gerente da Informídia, empresa especializada em marketing esportivo, o fato de as transmissões da Série B – em rede nacional – saírem da emissora líder de audiência deprecia os times. "Per­de em prestígio e isso implica no valor de patrocínio", diz.

A diminuição do número de sócios-torcedores é outro problema a ser administrado. O que se­­rá especialmente ruim para o Rubro-Negro, pois uma redução já é prevista por causa das obras de adequação da Baixada para a Copa de 2014.

"A saída da Arena vai gerar um certo decréscimo [de sócios com pagamento em dia], o que é normal. É só ver o quanto o Cruzeiro e o Atlético-MG perderam com a saída do Mineirão", diz o vice-presidente atleticano, Henrique Gaede.

O dirigente também não se ilude com a fidelidade de alguns parceiros. "Não tem mais patrocinador amigo do clube", admite.

Quanto a valores, Gaede conta que isso é relativo e que nem foi discutido dentro da diretoria, diante da confiança de uma recuperação no Brasileiro. No entanto, um cálculo preliminar feito no clube prevê uma perda de até 40% de receita. Número melhor que o do Vitória, por exemplo. Segundo o diretor de futebol da equipe baiana, Beto Silveira, houve 60% menos dinheiro neste ano do que quando o clube estava na Série A em 2010.

"É complicado, jogador não quer vir disputar a Série B. É uma barra", afirma o dirigente do atual quinto colocado na Segudona. Ele ainda lembra algo que não pode ser colocado em uma planilha: "O pior é a insatisfação do torcedor. Aqui a organizada virou as faixas de ponta cabeça, qualquer coisa eles estão reclamando".

Insatisfação que, com certeza, também afetará os atleticanos. Mas ainda restam seis rodadas para evitá-la.

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