
Planos de fidelização de torcedores ainda é um assunto que passa longe do futebol paranaense. Prova disso são as estratégias de captação de bilheteria de nove dos 12 participantes exceção feita a Atlético, Coritiba e Paraná do torneio que começa amanhã.
Fãs na arquibancada têm sido o ponto fraco da competição. No ano passado, a média de público nas praças esportivas do interior foi de 1.470/jogo dado da Federação Paranaense de Futebol . A partida entre Engenheiro Beltrão e Toledo, por exemplo, teve penas 4 pagantes, totalizando uma renda de R$ 40. Em 2009, para endossar os números, foi de 1.168.
Diante de tal quadro, a maioria das equipes conta com pacotes promocionais de venda de ingressos para todas as rodadas como mandante do regional, no entanto só o Cianorte com o pacote Amigos do Leão consegue fazer a contribuição de parte dos torcedores permanecer ativa após a competição.
"O programa começou em 2010, cobra R$ 60 por mês e tem cerca de 200 membros. Além dessa renda, temos os bilhetes avulsos e a venda de um pacote fechado de cadeiras para o campeonato: quem compra a entrada desta forma ganha uma camisa oficial do clube", relata Adir Kist, gerente de futebol da equipe nortista.
Na capital, Furacão e Alviverde saem na frente com a capitalização de seus fãs, pois somam 19.285 e 17 mil sócios, respectivamente. O Tricolor é o que menos possui associados, 3 mil no total.
Fora da cidade, a falta de um calendário anual para muitos clubes, que dependem do desempenho no Estadual para garantir disputas pelos 12 meses, além das limitações em infraestrutura nos estádios, explicam a inexistência e até a extinção dessas iniciativas como aconteceu no Operário, de Ponta Grossa.
"Tínhamos o Fantasma Torcedor ano passado, mas não conseguimos mantê-lo: o programa era bem feito, foi projetado em 2009 com base no que fazia o Atlético, mas faltava um atrativo que chamasse a atenção dos nossos torcedores. Precisamos melhorar a estrutura disponível no estádio para que ele seja lançado novamente", diz Dorli Michels, gestor do representante dos Campos Gerais.
Para garantir a presença de público em casa, e assim ajudar o orçamento, os clubes têm feito o que podem dentro do preço mínimo do ingresso (R$ 20), definido em setembro do ano passado, no arbitral do Paranaense, pois nem mesmo uma boa campanha em campo é capaz de encher as arquibancadas.
"A renda que vem da bilheteria é imprevisível. Em 2003, no vice-campeonato do Paranavaí, tivemos pico de 18 mil torcedores, já em 2007, quando conquistamos o campeonato estadual, nossa máxima foi de 12 mil pessoas em casa. A torcida ficou exigente depois que nos classificamos duas vezes para a Copa do Brasil. Ela esperava que continuássemos assim, mas as conquistas diminuíram e a presença das pessoas no estádio também", conta Lourival Furquin, diretor de futebol do Vermelhinho.
Há ainda quem considere o valor mínimo para assistir às partidas do estadual um tanto quanto salgado para os padrões das cidades menores.
"Cada clube deveria estipular o valor do próprio ingresso levando em consideração o poder aquisitivo da maioria. Em Cascavel, muitas pessoas que não moram no centro deixam de ir ao estádio porque, além da entrada, ainda têm os gastos de ida e volta da lotação, a pipoca ou algo a mais que consomem. Juntando tudo fica pesado para um trabalhador", observa Ney Vitor, presidente da Serpente.
"Às vezes temos mais de três jogos por mês, o que pesa no bolso de quem ganha um salário baixo, mas para o clube o valor é razoável, pois a renda dos ingressos ajuda em algumas despesas. Não se trata de um dinheiro a mais: é uma parte integrante do orçamento do Roma", pontua Sérgio Kowalski presidente da equipe que lançou o pacote Torcedor Fiel como forma de garantir uma renda fixa mensal durante o Paranaense.



