
Entrevista com Aquilino Romani, presidente do Paraná.
Nos sonhos de ser presidente do Paraná, Aquilino Romani via o clube na Primeira Divisão, duelando com as grandes potências do Brasil, amparado por uma Vila Capanema lotada. Eleito para o mais alto cargo do time do coração em novembro, a situação real do Tricolor é bem diferente.
Na abertura de seu biênio à frente da instituição, o Paraná passa por grave dificuldade financeira e jogará em 2010 seu terceiro ano de Segunda Divisão. Mas está nesse contraste do imaginário com a realidade a chave de Romani para a sobreviência do Tricolor.
ENQUETE: Qual o fato mais marcante do Paraná em 2009?
"Temos de trabalhar com coisas palpáveis e dentro de um novo conceito. O Paraná mudou muito". Na véspera do aniversário de 20 anos do clube, Romani concedeu entrevista à Gazeta do Povo na sala da presidência, na sede da Avenida Kennedy.
Oportunidade para lembrar dos 20 anos que se passaram muitos de glórias , reavaliar o presente de insucessos e projetar um novo caminho para o Tricolor.
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Na condição de atual presidente, qual o balanço dos 20 anos de Paraná?
Uma história bonita. Uma fusão em uma época diferente, em que os atletas praticamente não trocavam de clube. Não existiam os grandes condomínios, os clubes sociais eram poucos. Assim, o Paraná aproveitou a estrutura do Pinheiros e largou sendo pentacampeão. Mas talvez não acompanhou algumas coisas.
Quais as perspectivas reais de crescimento do clube?
Temos de trabalhar em coisas palpáveis e dentro de um novo conceito. O Paraná mudou muito. Queremos construir o estacionamento para a sede da Av. Kennedy, que revitalizaria o social, preparar a estrutura do Paraná para a Olímpiada no Brasil. Temos de fazer atletas dentro de casa, dois a três por ano, só assim poderemos competir.
Como estão as finanças? O clube deve fechar o ano com cerca de R$ 3 milhões de déficit?
Até quero sugerir que o presidente seja empossado em janeiro para passar o fim de ano mais tranquilo. É uma brincadeira. Eu sabia das condições. Será um início de ano espinhoso, mas gosto de desafios. O déficit, pelo tamanho do Paraná, não é muita coisa. E temos de considerar a valorização de patrimônio do clube nos últimos anos.
Os salários em atraso serão pagos? O senhor tirou dinheiro do bolso para amenizar a situação?
A diretoria não tem de colocar dinheiro do bolso para sanar os problemas. O que foi estipulado é que até o dia 22, 23 de dezembro se pague tudo que estamos devendo. É chato isso, é difícil, mas, infelizmente, faz parte.
Sobre as parcerias com o futebol, como está a situação? A L.A. Sports, com a saída de grande parte de seus jogadores, está afastada?
Fico triste quando sempre se cita só a L.A.. Nós temos parcerias com outros empresários, a Zetex é um parceiro bom, pessoas em São Paulo, como todos os clubes. Infelizmente, não foi possível manter alguns atletas (goleiro Zé Carlos, zagueiro Gabriel e meia Davi). Sempre digo, quando for importante um atleta para o clube, o ônus for o salário e ficarmos com um percentual, vamos fazer parceria com quem for.
Como está a captação de recursos?
Existe um compromisso de campanha. Hoje (ontem) era para ter um jantar com empresários querendo patrocinar o clube, mas foi adiado. Mas acredito nos grandes paranistas que têm compromisso com o Aramis (Tissot, vice-presidente de futebol).
O Paraná está se aproximando mais de suas categorias de base?
Até a vinda do treinador (Marcelo Oliveira) foi pensando nisso. Vamos fazer mais treinos lá, acompanhar um negócio que é do clube. De lá vão sair os atletas que nos darão recursos. E ter um elenco caseiro, que valoriza mais a camisa que os atletas que vêm de passagem. O vice-presidente Luiz Carlos de Souza vai ficar próximo disso e a partir de janeiro vou pensar em mais uma pessoa para trabalhar com a Base.
Qual o impacto do rebaixamento do Coritiba para o Paraná?
Lamentamos. Tínhamos três times na elite e hoje temos um, escapando por pouco ainda.
O rebaixamento do Coxa levantou também a questão das torcidas organizadas. Como vê isso?
A torcida tem de estar preocupada em torcer. Sou contra baderna, isso é terrível. Não temos problema com a Fúria (Independente).
Assumindo o clube diante dessa marca de 20 anos, e na situação em que ele se encontra, é uma responsabilidade, um orgulho ou uma dificuldade?
Gostaria de ser presidente do Paraná na Primeira Divisão, mas não é demérito nenhum estar entre os 40 clubes do Brasil. É um desafio e uma honra.
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Leia amanhã: Especial sobre os 20 anos do Paraná Clube.







