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Tricolor

Aquilino tem participação nos direitos de atletas do próprio Paraná

Presidente possui 20% da empresa responsável por gerenciar a carreira de 20 jogadores do clube

Aquilino Romani, presidente paranista, tentou justificar a dupla função como sendo uma ajuda financeira que deu ao clube | Hedeson Alves/ Gazeta do Povo
Aquilino Romani, presidente paranista, tentou justificar a dupla função como sendo uma ajuda financeira que deu ao clube (Foto: Hedeson Alves/ Gazeta do Povo)

O presidente do Paraná, time rebaixado ao segundo escalão do fu­­tebol local, além de co­­man­­dar ad­­mi­nistrativamente o clu­­be, é só­­cio de uma empresa que ge­­rencia a carreira de jogadores – qua­­se todos vestindo a camisa tricolor.

Aquilino Romani possui 20% – segunda maior cota no empreendimento – da Invest Esporte Marketing Desportivo Ltda. O sócio majoritário do grupo é a GSM, organização da qual Renato Trombini, conselheiro tricolor, é o diretor-presidente.

Em 11 meses de atividade, a empresa tem porcentuais dos direitos econômicos de cerca de 20 atletas na Vila Capanema. De Kelvin, por exemplo, a fatia chegava perto dos 55%. Jogadores como Elvis – hoje no Atlético-GO – e Diego também pertencem, em boa parte, à Invest Esporte. Além deles, várias outras promessas das categorias de formação paranista tiveram os direitos econômicos adquiridos no primeiro ano da gestão de Aquilino no Tricolor.

De acordo com o presidente do clube, a empresa foi montada para oficializar alguns empréstimos feitos ao Paraná por torcedores bem-sucedidos empresarialmente que estavam dispostos a ajudar – ele, por exemplo, atua no ramo agrícola.

Ainda segundo o mandatário do penúltimo colocado do Estadual, os porcentuais dos atletas ficariam como garantia para os credores reaverem as aplicações financeiras. Na prática, porém, o negócio se trata de uma transação simples de compra e venda. Com isso, mesmo que hoje o Paraná tivesse recursos e quisesse quitar o "empréstimo", com o intuito de reaver seus atletas, não poderia.

A Invest Esporte teria surgido de um aporte financeiro feito por Trombini, em janeiro de 2010. O valor, entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, serviria para o Tricolor pagar dívidas urgentes. Em troca, a empresa ficou com o porcentual de vários atletas. O Conselho Deliberativo aprovou a transação.

"Claro, todos eles [conselheiros] sabem. Só não vamos criar polêmica e sempre nos crucificar. Quando nós botamos dinheiro para resolver as contas vocês acham que estamos tirando jogadores do clube, então é difícil [...] Quando tem de fazer empréstimo pessoal para pagar conta não aparece ninguém da imprensa, nem torcedor, nem ninguém", defende-se Romani.

Embora provoque questionamentos éticos, não há vedação legal no estatuto da agremiação ou no ordenamento brasileiro que impeça o negócio alinhavado pelo presidente tricolor.

Por sobrevivência, conselho defende estratégia

O Conselho Deliberativo do Paraná sabe da existência da Invest Esporte e aprova a estratégia. De acordo com Benedito Barboza, presidente do órgão, a empresa surgiu para oficializar as ajudas ao clube. Além disso, se não fosse por ela, segundo o dirigente, o Tricolor já poderia ter fechado as portas.

"Essas pessoas colocaram dinheiro para salvar o Paraná de uma situação. Se eles não aparecessem, quem sabe nós tivéssemos sucumbido de vez. Agora, questionar se a garantia foi dada, a forma da garantia... Eu acho maldade", afirma Barboza, comentando sobre o fato de os porcentuais dos atletas terem sido vendidos à empresa e não servirem apenas como garantia do empréstimo.

Em tese, a brecha permite, por exemplo, que o presidente do Tricolor, Aquilino Romani, venda jogadores para uma empresa da qual ele mesmo é sócio. Contudo, Barboza também explicou que, mesmo o Tricolor tendo um regime presidencialista, Romani não poderia, sozinho, negociar os atletas.

"No regime presidencialista de qualquer clube o presidente pode decidir sozinho, mas no Paraná essas questões são levadas ao Con­selho Diretor", explicou Barboza.

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