
O jogo muitas vezes é o que menos interessa. Gustavo Rolin, 30 anos, não vê a Arena da Baixada apenas como palco das apresentações atleticanas. É o ponto de encontro para sete amigos da antiga turma do colégio.
Desde 2004, quando decidiram trocar a incerteza do ingresso pela garantia da carteirinha, eles sabem que vão se ver no próximo jogo do Furacão. Em pouco mais de 90 minutos, o grupo, hoje de adultos, volta a sentir a energia e a paixão da adolescência.
É na reta da Getúlio Vargas, na parte de baixo das arquibancadas, entre um lance e outro, um xingamento básico ao juiz ou ao técnico adversário, que o pessoal vai colocando o papo em dia.
"O jogo é mais um elemento. Muitas vezes não o principal. Por isso, mesmo quando sei que a partida será ruim, eu vou. Essa é a vantagem: saber que, independentemente da importância, teu lugar estará lá guardado, com os amigos te esperando", conta o bancário Gustavo.
Cadeiras numeradas e nomeadas também não foram empecilho para que, nestes sete anos, o grupo crescesse. Às vezes, aparece um ou outro desconhecido, o que é mais uma característica do novo formato de torcida no futebol. O sócio, quando não pode ir ao jogo, repassa seu bilhete ou carteirinha.
"A gente ajuda da forma que dá. Quando não posso ir, mando alguém para fazer o meu papel", completa Gustavo. "Para quem vai a todos os jogos é vantagem, pois sai mais barato. Além do mais, a torcida maior favorece o time", afirma Adriano Padilha, 30 anos, torcedor do rival Coritiba.
No Couto Pereira, as cadeiras não são nomeadas. Mas a economia, de tempo e dinheiro, é igual. Padilha, por exemplo, quando atendeu a reportagem estava chegando ao estádio para ver a classificação do Coxa na Copa do Brasil, contra o Atlético-GO. Sem filas, sem estresse.
Promoções, aliadas ao superfaturamento do ingresso, são os principais fatores que levaram à associação em massa. Mas a fórmula antiquada de decidir ir ao jogo na última hora, e comprar a entrada na bilheteria, embora cada vez menos usual, persiste em regime de exceção.
"Sou sócio olímpico, mas não é automático [o acesso ao estádio]. Às vezes esqueço de pedir a autorização para liberar o ingresso. Aí tenho de comprar", diz o paranista Joel de Almeida. A necessidade, contudo, não é o único fator que faz a bilheteria continuar útil. No caso de Joel, por exemplo, ela ainda é utilizada para um upgrade, quando decide trocar a arquibancada por uma cadeira.
É pela conta da atleticana Michele Amaral Teixeira, 31 anos, que o ingresso tradicional prova continuar sendo imprescindível ao torcedor não ao clube. Ela foi sócia do Rubro-Negro por dois anos, mas nunca conseguiu ir a todos os jogos. Na média, percebeu que mesmo os absurdos R$ 60 ainda eram vantagem para o seu bolso. "Vou de vez em quando, não tenho frequência. Se somar, saí ganhando. Na pior das hipóteses empata", compara.








