
Quando a placa de substituição levantou aos 24 minutos do segundo tempo para mudança no Coritiba, muitos torcedores estranharam a saída de Pedro Ken e não de Ariel Nahuelpan. Com má pontaria, muita trombada e algumas jogadas desperdiçadas, parecia que o argentino não tinha mais espaço em campo. Mas havia sim.
Cinco minutos depois, quando o peso cruel da passagem do tempo aumentava o nervosismo até da maior estrela do Coritiba, Marcelinho Paraíba, Ariel incendiou o Couto Pereira com um golaço, o nono dele pelo clube.
Ao girar e bater no canto do goleiro Lauro (principal jogador da classificação gaúcha à final da Copa do Brasil), o gringo reacendeu as esperanças da torcida alviverde. Antes apreensivos com o gol que não vinha, os fãs que lotaram o Alto da Glória voltaram a acreditar na tão sonhada chance de lutar por um título nacional no ano do centenário.
O lance desestabilizou os colorados. Pontapés, faltas, a expulsão de Bolívar (em falta justamente no camisa 37) e até discussão entre os próprios jogadores gaúchos denunciaram como o Coxa tinha ficado perto de estragar a vaga encaminhada ainda em Porto Alegre, na semana passada.
O Alviverde embalou ainda mais e confirmou a superioridade mostrada durante todo o jogo. No encontro entre os times que vivem situações opostas na tabela do Campeonato Brasileiro, Ariel fez o lanterna superar o líder e acabar com uma invencibilidade de 25 jogos. Motivo de provocação dos coxas diante dos torcedores colorados no estádio.
O argentino até poderia até ter sido decisivo antes. No primeiro tempo, trombou na área e pediu pênalti, não marcado. Depois disso, mesmo quando foi derrubado e até pisado por adversários, acabou ignorado pelo árbitro. A atuação causou revolta na torcida alviverde e nervosismo nos jogadores, que disseram que o apito minou a partida.
Com a vitória, o fim do sonho ao menos não virou pesadelo.



