
Um dos grandes atacadistas do Brasil, acostumado a negócios em larga escalada, não imaginava que seu novo investimento causaria tanta polêmica. Nos últimos dez dias, desde que arrematou judicialmente o Estádio Pinheirão, o empresário João Destro, 67 anos, virou alvo de um intenso assédio.
Se quando assinou o cheque de R$ 57,5 milhões no leilão o empresário declarou ter comprado "por impulso", não faltam ideias para a destinação do imóvel, sugeridas por vários interessados em uma possível parceria. O valor do terreno, em uma transação sem pendengas, poderia chegar a R$ 70 milhões.
"Pois é, a gente não tinha essa noção de que este imóvel, este negócio, teria uma repercussão tão grande como teve. Ficamos muito surpresos com tudo que está acontecendo, pela importância, pelas pessoas que têm nos procurado", declarou o novo proprietário, falando na terceira pessoa, possivelmente incluindo seu imponente grupo empresarial. Entre os interlocutores, outros concorrentes participantes da hasta pública do último dia 28, representantes de empresas de São Paulo, de Curitiba e inclusive do Coritiba.
O clube ensaiou um namoro com o imóvel em 2011, rompido por desentendimentos nos bastidores e vê a possibilidade de reativar o projeto de construir uma arena alviverde onde hoje jaz o mausoléu da Federação Paranaense de Futebol (FPF).
"Conselheiros do Coritiba me ligaram. Eu até compreendo a preocupação deles. Tem uma empresa, uma OAS, que gastou R$ 2 milhões em projetos para o Pinheirão", revelou Destro. A diretoria alviverde nunca confirmou o envolvimento nas negociações, conduzidas por um representante alheio à gestão do clube.
Gaúcho, residente em Cascavel, gremista mais de origem do que por interesse, responsável por várias empresas, entre elas o terceiro maior atacado do país com 70 mil clientes em oito estados e três países , o novo proprietário do imóvel não parece inclinado a abrigar outro estádio no lugar da praça esportiva, interditada desde 2007.
"Dinheiro não é tudo. Acredito ser possível, dentro de uma normalidade do diálogo com o poder público, que a gente possa eventualmente seguir a obrigatoriedade lá da doação [da área pelo poder público] de destinação para a atividade esportiva. Talvez não o futebol, porque [a cidade] já tem estádios grandes. Curitiba não tem um local para grandes eventos", sugere.
Apesar das inúmeras possibilidades de aproveitamento da área de 124 mil metros quadrados, o comprador se declara impedido de avançar em qualquer negociação. O motivo são os embargos judiciais interpostos pela FPF contestando o leilão.
"Eu tenho me furtado a dar depoimentos. Porque ainda há pendências judiciais e todo um trâmite necessário para se confirmar o negócio. Da nossa parte está tudo ok, pago, depositado na conta judicial, com os credores da Federação ávidos para receberem a sua parte. Mas, enquanto não houver a determinação judicial, o que eu disser não vale nada", reforça. "A cidade pode ficar tranquila. Daremos a este imóvel a melhor destinação possível", fecha.




