
Quem acompanha as entrevistas coletivas do Paraná já ouviu o técnico Roberto Fonseca falar em "scout". Na Vila Capanema, o trabalho do jovem Luís Felipe Carignano, responsável pelas estatísticas, é um dos suportes da preparação paranista.
"Os números por si só são frios, por isso a gente tem que ter cuidado na hora de analisar, relacionar uma característica de uma equipe com a de outra, perceber tendências e procurar explorá-las", diz Carignano, de 24 anos.
Formado em 2009 em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele coordena a equipe de scout técnico do clube desde março. De uma das cabines de rádio da Vila Capanema, anota de tudo junto com o estagiário Rafael Bagatin: passes, finalizações, desarmes, cruzamentos, posse de bola...
Nada tão difícil para alguém que de 2009 a 2010 fazia esse serviço à mão. "Não digo que é fácil, mas tendo atenção você consegue fazer", diz Carignano, que hoje trabalha com várias planilhas do Microsoft Excel.
No intervalo dos jogos, ele tira cópia das informações e as leva correndo para o vestiário. Nos duelos fora de casa, a contabilização também é feita porém pela televisão, com os dados sendo passados via telefone. "A gente dá uma olhada no jogador que está muito mal ou muito bem para ver se faz alguma alteração", explica Ageu Gonçalves, auxiliar de Fonseca.
Carignano ainda ajuda a comissão técnica coletando informações sobre árbitros e adversários. De olho no Criciúma, rival do próximo sábado em Santa Catarina, ele já adianta que o Paraná precisa tomar cuidado com o alto lateral-esquerdo Pirão, autor de seis gols na temporada (três de cabeça).
Mas o grande xodó do jovem é o mapeamento que faz das partidas. "Você encontra o jogador que erra mais passes no campo de defesa, ou que se posiciona muito bem em uma segunda bola. É a dimensão espacial do scout", afirma.
Apaixonado pelos números, Carignano se interessava por comparar times e jogadores desde a adolescência. Hoje, isso virou seu trabalho. O maringuaense sonha em ser técnico, mas só "daqui a 15 ou 20 anos". "Tudo é um processo", filosofa. Processo que começou ainda em 2008, quando fazia estágio sem remuneração auxiliando as equipes de filmagem, fisiologia e avaliação física das categorias de base do Tricolor.



