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Atenção dividida

Após 2009 ruim, clubes da capital tentam manter domínio local e montar times fortes para o Brasileiro

Paulo Baier, destaque do Atlético: favorito, Furacão sonha com o bicampeonato | Giuliano Gomes/Gazeta do Povo
Paulo Baier, destaque do Atlético: favorito, Furacão sonha com o bicampeonato (Foto: Giuliano Gomes/Gazeta do Povo)

Apenas em 11 das 96 edições do Campeonato Paranaense a taça saiu da capital. Atlético, Coritiba e Paraná, os três grandes do estado, ficaram com o título 62 vezes. Números que comprovam a hegemonia curitibana na competição. Cenário ameaçado este ano, após uma temporada difícil para o trio em 2009.

Os três passaram o Brasileiro longe da parte de cima da tabela. Menos mal para o Furacão, mantido na Série A. Pior para o Coxa, rebaixado à Série B, onde encontrará o Tricolor. Brecha suficiente para as equipes do interior sonharem com o título.

"Os times da capital não estão dando importância para o Esta­­du­al. Vão se preocupar com o Bra­sileiro, por isso temos de aproveitar a oportunidade", afirma Age­nor Piccinin, técnico do Toledo.

O atual campeão paranaense, no entanto, não pensa em dar espaço para outras equipes. "Atlético, Coritiba e Paraná têm a responsabilidade de lutar para manter o tí­­tu­lo na capital. E nós queremos ser bi­­campeões", avisa o presidente atleticano Marcos Malucelli.

O clube aposta na manutenção da base do time que terminou 2009. Dos titulares, o volante Rafael Mi­­randa, o lateral Nei e o meia Wesley saíram. "O Atlético perdeu pouco, não houve o desmanche. Além disso, fizemos duas contratações e contamos com o retorno do Alan Bahia e do Kaio. Mas sabemos que não são reforços suficientes para o Bra­­si­lei­ro", diz o técnico Antônio Lopes.

Coritiba e Paraná estão em re­­construção. O Alviverde manteve o técnico Ney Franco, mas da base titular rebaixada ficaram apenas o goleiro Vanderlei; os zagueiros Jéci e Pereira; o volante Leandro Doni­­zet­­­te e o atacante Ariel.

Politicamente, o clube também mu­­dou muito. No Conselho Ad­­mi­­nistrativo, Jair Cirino segue como presidente. Mas o futebol está com Vilson Ribeiro de Andrade, Ernesto Pedroso e José Fernando Macedo. Financeira­mente, o clube adiantou verbas, e em cálculos iniciais começa a temporada perdendo R$ 20 milhões. Números que fizeram com que o Coritiba reduzisse a folha de R$ 1,6 milhão, para R$ 600 mil.

"Nós vamos usar a competição para ver como está o trabalho, fazendo análises visando o Brasileiro, que é o nosso grande objetivo. Mas claro, se o título vier dará mais motivação", afirma Ney Franco.

O Paraná segue a mesma linha e, pelo terceiro ano consecutivo, vai usar o Estadual como base. "Não te­remos um supertime. Infe­­liz­men­te temos de trabalhar para o Brasi­leiro, que dá verba, já que o Parana­en­se traz prejuízo", aponta o presidente Aquilino Romani.

"Precisamos nos fortalecer para outras competições, como a Copa do Brasil e o Brasileiro. Em todas vamos lutar muito pelo título", discorda o técnico Marcelo Oliveira.

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