
A análise das contas do Atlético Paranaense solicitada pelo presidente do Conselho de Administração, Marcos Malucelli, apresentou nesta quinta-feira (19) dados referentes a atual situação financeira do clube. Pelos números atualizados, hoje a dívida contraída do clube beira os R$ 25 milhões, dos quais apenas R$ 1,8 milhão são executáveis (que podem ser cobradas imediatamente). (Veja todos os valores discriminados no quadro abaixo).
Isso quer dizer, que os cerca de R$ 23 milhões restantes já estão negociados com os respectivos credores e serão honrados na medida em que estes compromissos vençam. "Todos os compromissos financeiros assumidos serão cumpridos. Divida é débito vencido, não pago. Temos uma divida consolidada. Não estamos inadimplentes com nossas obrigações", afirmou Malucelli, em entrevista à Gazeta do Povo Online.
Segundo o dirigente, apenas o valor de R$ 1,8 milhão poderia ser executado judicialmente se os credores assim quisessem. "Se eles decidirem nos cobrar amanhã, judicialmente ou coisa que o valha, é a única dívida que precisaríamos pagar imediatamente. São valores referentes a débitos pela negociação com jogadores e empresários, mas nenhum deles está nos pressionando e temos quitado esses valores aos poucos".
De acordo com o orçamento para 2009, o Atlético tem uma despesa projetada de aproximadamente R$ 45 milhões, enquanto as receitas chegam a apenas R$ 28 milhões. "É essa conta que tentamos fechar. Estamos buscando patrocinadores para tentar alcançar esses R$ 17 milhões que faltam e espero apresentar novidades para o torcedor antes do nosso aniversário", explicou Malucelli. O Furacão faz aniversário em 26 de março.
O ex-diretor de marketing do clube, Mauro Holzmann, ficou com a incumbência de encontrar novos parceiros comerciais para o clube. "Estamos buscando patrocinadores para a camisa e também para o Naming Rights (direito de uso do nome da empresa vinculado ao estádio, como era a Kyocera Arena). Fizemos vários contatos, mas a crise internacional tem complicado um pouco as negociações. Estamos à caça".
Críticas a Petraglia
Embora não culpe a antiga gestão pelos débitos pendentes, o dirigente criticou seu antecessor, Mário Celso Petraglia. Segundo ele, Petragila teria divulgado, pela internet, que Malucelli estaria "mandando mais do que deveria". "Quando assumi, deixei claro que o Mário (Petraglia) ficaria responsável por cinco itens, mesmo sem fazer parte da diretoria: 1° contato com a CBF, 2° contrato com a televisão, 3° relação com o Clube dos 13, 4° Copa do Mundo. O último item era entre nós e não gostaria de expor em público, mas trata-se da negociação internacional de jogadores", falou Malucelli.
"Eu só abri este quinto item porque não vou aceitar ouvir ele (Petraglia) dizer que eu deixei de cumprir algum compromisso. Ele precisa saber que ele não manda mais no Atlético e quem manda agora é outra pessoa", completou.
Apesar das críticas ao ex-presidente, Malucelli garante que não há irregularidades em negociações de jogadores que tiveram a participação direta de Petraglia. Ele afastou a possibilidade da existência de uma "herança maldita". "Posso garantir. Não há nada de errado com negociações. Todos os valores entraram para o cofre do Atlético."
Quanto à dívida confirmada em relatório, o presidente classificou como "contornável". O problema é que o clube não poderá investir como esperava na qualificação da equipe. "Hoje não temos R$ 500 mil para trazer um jogador. Parte disso tem a ver com a crise econômica mundial, pois não conseguimos fazer nenhuma venda de jogador este ano."
O ex-presidente do Atlético Mário Celso Petraglia foi procurado pela reportagem da Gazeta do Povo Online, mas se recusou a atender às ligações.



