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Brasileiro

Atlético tenta superar “abalo emocional”

Psicólogo do clube diz que autoestima dos jogadores “está minada”. Renato Gaúcho vê peso enorme nas costas do time rubro-negro

Madson já pediu pastor, agora quer a retirada do gramado da Arena | Walter Alves/ Gazeta do Povo
Madson já pediu pastor, agora quer a retirada do gramado da Arena (Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo)

"Tem que trazer um pastor para orar", desabafou o meia Madson logo após o empate sem gols com o Avaí, no sábado. Apesar do tom de deboche, a declaração é um reflexo da dificuldade que o Atlético enfrenta para findar o jejum de vitórias – são 72 dias sem comemorar um triunfo. Dificuldade que extrapola as quatro linhas.

Nesse momento atleticano, vale a máxima da Lei de Murphy de que "se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará". É o recuo para a própria meta que se transforma em gol contra, é uma falta de atenção na defesa ou a bola que teima em não entrar no gol adversário. Tudo isso contribui para que o cenário negativo se perpetue.

"Não é normal. Tem vezes que a gente se pergunta: por que a bola não quer entrar? Tem que tirar o gramado lá [da Arena] para ver se tem algum sapo. Temos que dar um jeito nisso", questionou Madson, em tom menos jocoso, ontem.

O diagnóstico para o dilema do atacante está traçado no divã atleticano. "Acumula tudo e é difícil administrar os insucessos repetidos. Isso vai minando a autoestima e põe em dúvida a capacidade de trabalho, porque quando acontecem repetidamente, é muito frustrante", explicou o psicólogo do Atlético, Gilberto Gaertner.

Apesar do momento conturbado, a sala do profissional de psicologia não anda cheia. A explicação está na chegada de Renato Gaúcho, que vem tentando retomar a confiança dos jogadores na base da conversa, sempre enfatizando que já esteve na situação deles.

Mais importante que o estilo do novo treinador, porém, é o impacto da mudança. "Quando chega uma comissão técnica nova, há uma mobilização do grupo. A motivação é natural e cria-se uma expectativa em relação ao novo. A mudança é salutar porque traz um alento novo", comentou Gaertner.

No entanto, o treinador não consegue resolver todo o problema, já que a assimilação varia de atleta para atleta. Cada um reage de forma diferente diante da situação e, quando a confiança não está a postos, o erro ocorre com mais frequência. "Tem a cobrança, e o jogador fica com medo de errar. No momento que vai para campo com medo de errar, a margem de erro aumenta. Com a confiança maior, tem grandes chances de acertar", analisou Renato.

Tanto o treinador como o psicólogo têm, na ponta da língua, o segredo para retomar a confiança do grupo: voltar a vencer. "Estamos precisando de uma vitória. Quando ela chegar, vão tirar um peso muito grande dos ombros", resumiu o técnico.

"A primeira coisa importante é estancar o sangue, ou seja, parar de perder. O empate [com o Avaí], embora não tenha sido produtivo em termos de classificação, pode ser um momento para deixar de perder. O empate pode servir para estancar a série de derrotas e com isso há uma tendência grande de crescer", concluiu Gaertner.

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