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Paranaense

“Boleiro temporário” chora o fim do Estadual

Quase duas centenas de jogadores que vestiram a camisa dos clubes paranaenses durante o regional reforçam agora os índices de desemprego

Ao todo, 196 jogadores foram contratados exclusivamente para o Paranaense |
Ao todo, 196 jogadores foram contratados exclusivamente para o Paranaense (Foto: )

Enquanto treinavam ou jogavam pelo Paranaense, que terá suas duas últimas partidas hoje, ao menos 196 jogadores dividiam o pensamento entre a bola e o futuro próximo. "Será que eu vou ter emprego quando o campe­o­­­­­nato terminar?", não podiam deixar de se perguntar os "temporários", atletas com contrato registrado apenas para a disputa do Esta­dual. Entre eles há ex-jogadores de grandes clubes, veteranos rodados pelo interior e jovens tentando desesperadamente se mostrar para algum time de expressão. Poucos conseguem isso. A maioria tem de agradecer se assinar mais um contrato curto com alguma equipe pequena que pelo menos possua calendário para o segundo semestre. Boa parte continua no aguardo. É o caso de Reginaldo Araújo, ex-lateral-direito de Coritiba, Santos, São Paulo e Flamengo, com passagem pela seleção brasileira sub-23. Depois de deixar o Rio Branco, ele treina no Parque Barigui, ao lado de jogadores em situação parecida. "Temos de manter a forma para quando aparecer algo. Dos mais conhecidos, estão lá comigo o Reginaldo Nascimento (ex-volante e capitão do Coritiba) e o (Fernando) Lombardi (ex-zagueiro do Paraná). Os treinos são dados pelo professor Cleverson (Fratoni), que também estava no Rio Branco como preparador físico", conta o jogador, de 32 anos.

Outros nomes conhecidos no Estadual foram o zagueiro Nem, de 37 anos, também no Leão da Estradinha, e o atacante Renaldo, que completou 40 em março, no Serrano. O primeiro, campeão brasileiro pelo Atlético em 2001, mal entrou em campo. Já o veterano artilheiro, com passagens pelos três clubes de Curitiba, foi a atração na cidade de Prudentópolis.

Diferentemente deles, dezenas de jogadores não tem um nome no qual se apoiar. Companheiro de Araújo e Nem no Rio Branco, o zagueiro Alison voltou para Curitiba e aguarda propostas. "Tive contatos da Segunda Divisão (paranaense), mas, dependendo, é melhor continuar com o Ivo", afirma. Ele se refere a Ivo Petry, atual comandante do futebol do Internacional, tradicional clube amador de Campo Largo. Sob o comando dele, o jogador foi vice-campeão da Suburbana de Curitiba pelo Trieste em 2009.

No Inter, além de jogar, Alison receberia um salário para trabalhar nas categorias de base. Há também a possibilidade de sua esposa, professora, se empregar em Campo Largo. "Eu ainda tenho a sorte de conhecer o Ivo, que dá uma força. Fico imaginando quem está nessa situação e não tem a quem recorrer. Se é garoto, ainda dá para se aventurar. Mas fica difícil para quem tem família, como eu", diz o zagueiro, de 25 anos.

Muitos dos que terão de se aventurar estavam no Cascavel, campeão dos temporários ao lado do Engenheiro Beltrão, com 26. "Não temos como fazer contratos maiores porque os patrocínios também são curtos", argumenta o presidente do clube, Ney Victor. Segundo ele, seis jogadores já têm destino e pelo menos três ou quatro devem acompanhar o técnico Elói Krüger, chamado pelo Marcílio Dias para disputar a Segundona catarinense. Pode ser esse o destino do atacante Irineu, um dos artilheiros do Regional, mas aos 32 anos já considerado ‘velho’ por clubes grandes.

Mas não são apenas os boleiros que sofrem. "Para o clube, não adianta nada o atleta se destacar, porque não conseguimos ganhar dinheiro com ele", ressalta Victor, sonhando com uma estrutura que permita contratos mais longos e tranquilidade para jogadores e dirigentes.

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