
Foz do Iguaçu Olhando apenas pela frieza dos números, a evolução da canoagem slalom brasileira foi apenas discreta no Mundial-07, que terminou ontem, em Foz do Iguaçu. Mas mesmo sem ter chegado a nenhuma final (nem classificado atleta algum para a Olimpíada de Pequim, no ano que vem), o país conseguiu quebrar o recorde individual em Copas do Mundo.
Nesta edição, quatro canoístas chegaram às semifinais Cassio Petry na canoa individual (C1) e dupla (C2), Filipi Santin no caiaque individual (C1), Bruno Machado no C2 e Milene Wolf no K1 , batendo a marca dos Mundiais da Alemanha (2003) e Austrália (2005), quando apenas dois representantes do Brasil chegaram à fase equivalente.
"Normalmente eu não erro tanto, mas como estou voltando de uma cirurgia de hérnia de disco, o resultado até que já era esperado", comenta o gaúcho de Três Coroas Gustavo Selbach, duas Olimpíadas no currículo (Barcelona-92 e Atlanta-96) e 18 títulos brasileiros.
Principal representante da canoagem nacional, Selbach em Foz não passou das Eliminatórias. "Precisamos continuar o trabalho. Abaixar a cabeça, buscar os erros e ajustar a máquina", analisa o presidente da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), João Tomasini Schwertner.
Há, porém, motivos para comemoração. Pela primeira vez na história uma mulher conseguiu romper a barreira da fase inicial. Paulista de Piraju, Milene Wolf, de 18 anos, terminou ontem na 38.ª colocação entre as 40 canoístas que avançaram às semifinais. A garota que teve de dobrar a resistência da mãe para poder remar profissionalmente chegou a ficar perto de atingir o índice olímpico, mas perdeu a vaga devido ao nervosismo e à inexperiência.
"Não tem jeito de não ficar nervosa disputando um Mundial em casa. Achei que meu desempenho foi bom, mas sempre acredito que dava para ir melhor. Não quero me acomodar", explica ela, que com o fechamento do Canal Itaipu até março por causa da piracema (reprodução dos peixes), terá de voltar ao interior de São Paulo e batalhar uma estrutura de trabalho melhor. "Vou tentar arrumar um patrocínio. De resto ainda não sei o que vai acontecer", complementa.
O legado número 1 do evento internacional, contudo, é sem dúvida o Canal Itaipu. A única pista artificial da América Latina passou com louvor em seu batismo. "A pista é excelente e será importante para a evolução dos atletas brasileiros", afirmou o francês Tony Estanguet, bicampeão olímpico e medalha de prata no C1 em Foz.
A CBCa já entrou em contato com o Ibama para tentar liberar Itaipu para treinamento durante a temporada inteira. "Tivemos técnicos durante o Mundial fazendo estudos para mostrar que a prática da canoagem em nada prejudica a piracema", diz Tomasini.
Ontem, fechando a participação brasileira no Mundial, Cassio Petry e o paranaense Bruno Machado terminaram na 30.ª e última posição nas semifinais do C2. O Brasil terá mais uma chance, em abril, no Pré-Olímpico Continental, em Charlotte (EUA), de mandar representantes para Pequim.



