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Brasil reclama de logística ‘infernal’

Viagens em sequência e clima quente e úmido fazem o técnico Felipão criticar a organização do torneio da Fifa

Neymar aproveita um momento de descontração no treino para dar um cambalhota com a bola, à la Ronaldinho Gaúcho | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
Neymar aproveita um momento de descontração no treino para dar um cambalhota com a bola, à la Ronaldinho Gaúcho (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Em uma semana de Copa das Confederações, três jogos em cidades diferentes – todas de clima quente – e nenhum local fixo para treinar. Uma logística apelidada de "inferno" pelo treinador Luiz Felipe Scolari. Que começa a mostrar seus efeitos. Com o time classificado, a comissão técnica falou em poupar titulares como Oscar na partida de hoje contra a Itália. Mas desistiu – o único desfalque será Paulinho, lesionado. Na Itália também haverá mudanças.

No dia anterior, o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira e o preparador físico Paulo Paixão abriram a possibilidade de tirar alguns titulares do jogo que vale a primeira posição do grupo A, e a benesse de não enfrentar a Espanha na semifinal. Mas Felipão, apesar de admitir a dificuldade de alguns jogadores, acabou refutando a ideia. "O Oscar é quem mais tem sentido o desgaste. Vem de uma série de 70 e poucos jogos [pelo Chelsea na temporada europeia]. Mas tem se comportado bem, dentro do que a gente espera", disse o treinador.

No jogo de quarta-feira, contra o México, em For­­taleza, Felipão tirou Oscar aos 17 minutos do segundo tempo. Aos 33 sacou Hulk, apontado por Parreira e Paixão como outro possível poupado, pois a função dos dois em campo seria a de maior exigência.

O período de preparação, no entanto, embasou o discurso do treinador ontem, contraditório com o dos companheiros. "Os jogadores vêm crescendo porque são mais de 15 dias de trabalho comendo bem, dormindo bem. Então já não existe preocupação de poupar A, B, ou C. Por lesão, sim, mas por desgaste, não."

Sobre climas como os de Salvador ou Fortaleza, até o paraibano Hulk reconhece a dificuldade. "Sou nordestino, mas é difícil se readaptar para jogar no clima daqui. Ainda mais para nós que moramos na Europa. Na Rússia é muito frio durante boa parte do ano", disse o jogador do Zenit, antes de emendar "só que os italianos devem sofrer mais".

De fato, o volante italiano De Rossi falou no Recife que foi o pior clima que jogou na vida – por causa do calor e da umidade. E o técnico Cesare Prandelli tem citado o problema muitas vezes. "Normalmente aceitamos as críticas e tentamos responder em campo. Mas houve momentos no jogo [contra o Japão, vitória por 4 a 3] que não havia como se recuperar da fadiga", apontou.

Ele disse que vai escalar o time de acordo com as condições físicas. Apesar de se dizer cansado, o meia Montolivo quer jogar. "Não descansamos o suficiente. Mas a qualidade técnica e tática vão fazer a diferença."

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