Depois de dois anos, o Brasil poderá voltar a ter um campeão mundial de boxe nesta sexta-feira. Desde agosto de 2004, quando Acelino "Popó" Freitas perdeu o título dos leves da OMB, o pugilismo brasileiro não tem essa glória. Outro baiano, Valdemir Pereira, o Sertão, de 31 anos, tentará resgatar o prestígio perdido. Membro da equipe brasileira nas Olimpíadas de Atenas-2004, ele enfrenta o tailandês Phafrakorb Rakkietgym, de 30 anos, no Foxwoods Casino, em Mashantucket, no estado americano de Connecticut.
Estará em disputa o cinturão de pesos-penas da Federação Internacional de Boxe (FIB). O título e as duas primeiras posições no ranking estão vagos. Rakkietgym e Sertão puderam disputá-lo porque ocupam a terceira e a quarta posições, respectivamente.
Analfabeto e em má situação financeira, Sertão quer nocautear a pobreza. A vitória vale uma bolsa de US$ 25 mil, segundo seu empresário, o ex-pugilista Servílio de Oliveira.
"Esta é a luta da minha vida. Não vou deixar nada me atrapalhar. Respeito meu adversário, mas já lutei com caras melhores. Ele tem cara bonita. Vou estragá-la", empolgou-se o brasileiro.
O pugilista baiano sonha ajudar a família.
"Noutro dia minha mãe me ligou, dizendo que não tinha o que comer. Quero ajudá-la, e também aos meus oito irmãos", afirmou ele, que quer comprar uma casa para a mãe e outra para ele em Cruz das Almas, sua cidade natal.



