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Boxe

Campeã à espera de desafiantes

Com o cinturão conquistado no sábado à noite, em São José dos Pinhais, Rosilete Santos desiste da aposentadoria e sonha com lutas no exterior e novos títulos

Rosilete em dois momentos: atingindo a argentina Paula Montero, no sábado... | Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Rosilete em dois momentos: atingindo a argentina Paula Montero, no sábado... (Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo)
...e com o cinturão, ontem, em casa |

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...e com o cinturão, ontem, em casa

Na sala da casa da pugilista Rosilete Santos, um novo adorno tem lugar de destaque desde a noite de sábado. Ladeado por uma Bandeira do Brasil, o cinturão da Comissão Mundial de Boxe (na sigla em inglês, WBC, entidade intermediária entre as nove que regem o boxe feminino no planeta) na categoria até 54 quilos foi conquistado anteontem, em uma luta disputada em São José dos Pinhais contra a argentina Paula Montero. "Custei a dormir esta noite. Ainda não acredito", conta a atleta, que venceu por nocaute logo no terceiro round.

A euforia pela conquista é compartilhada com o treinador e marido Macaris do Livramento, campeão mundial em 1997 pela mesma entidade que Rosilete. "Estou com ciúme do cinturão dela. O meu é mais antigo", brinca. Emocionado, revela a satisfação em ver uma atleta revelada por ele chegar ao título mundial. "Já treinei atletas que começaram a se destacar e acabaram se distanciando de mim."

Com a conquista, Rosilete se torna a primeira mulher nascida no Brasil a ter um título mundial de boxe. "É uma grande responsabilidade. Espero poder colher bons frutos daqui para frente."

A boxeadora passa a ocupar a 10ª posição no ranking da sua categoria.

A vitória veio em um momento decisivo na carreira da atleta, que está a 15 dias de completar 33 anos e cogitava parar de competir caso não conquistasse o cinturão no sábado. "Era minha oportunidade de lutar em casa e conquistar o título. Não poderia desperdiçar."

A paranaense sentiu o sabor da derrota em maio deste ano, quando desafiou a bielorussa naturalizada alemã Alessia Graf (campeã pela União Global de Boxe e Federação Internacional de Boxe Feminino), em um combate na Alemanha.

Ela e o treinador apostam que durante as próximas semanas serão procurados por empresários interessados em promover lutas para a paranaense. "Eu sou uma campeã. Com certeza serei procurada para outras disputas."

Na opinião de Macaris, é o momento ideal para se colocar entre as principais do mundo, fazer mais lutas fora do país, ganhar dinheiro e, claro, partir para a conquista de outros títulos. "O objetivo é tentar unificar este título com os de outras entidades. Vamos estudar as propostas que virão."

A carreira de Rosilete sempre esteve associada à figura de Macaris. Após a conquista de sábado, o ex-boxeador faz questão de frisar que o momento é dela e prefere que o identifiquem como "o Macaris, marido da Rosilete."

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